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31 de Março de 2011, 16:19

Calão: Património marginal da língua portuguesa

O calão difere de região para região e, por vezes, a mesma palavra pode ter significados diferentes numa mesma cidade.

Porto, Alentejo e Lisboa contam actualmente com um dicionário de linguagens marginais da responsabilidade de João Carlos Brito.

Formado em línguas, literaturas e culturas modernas, o professor-bibliotecário sempre se interessou por este património linguístico que, se não for reunido, pode perder-se.

“A língua uniformizou-se e hoje em dia temos a geração do polegar, dos sms”, nota João Carlos Brito. “O que é dito no Porto passado três ou quatro segundos é dito no Alentejo, em Lisboa ou no Brasil”, repara o professor.

A colecção de livros, que começou com “Heróis à moda do Porto”, estende-se em Abril para a Madeira, “um mundo à parte” no que toca às linguagens marginais, destaca João Carlos Brito. Os regionalismos de Trás-os-Montes e Minho também vão estar reunidos em livro ainda este ano.

Provérbios adulterados e piropos

Há dez anos que o engenheiro electrotécnico José João Dias Almeida colecciona expressões idiomáticas e gírias no Dicionário Aberto de Calão e Expressões Idiomáticas.

Como diz o nome, este é um projecto online, aberto a quem quiser acrescentar uma expressão ou palavra. Não há, contudo, garantia absoluta de que a palavra inserida entre para as mais de seis mil entradas do dicionário, já que antes disso há uma selecção por parte do professor da Universidade do Minho (UM).

“Muitas vezes as pessoas têm submissões brilhantes mas outras vezes têm submissões de quem não conhece o termo ou que só o ouviu uma vez e que lhe dá um significado errado”, explica José João Almeida.

Além de todo o tipo de calão, do mais educado ao mais carroceiro, este dicionário também está aberto a piropos e provérbios adulterados. Sendo uma actividade mais de gosto do que de rigor, o professor da UM refere que existem significados que “podem ser melhorados”.

Trabalho sem fim

A língua está em constante mutação e reunir expressões idiomáticas e calão é um trabalho “de uma vida”, nota João Carlos Brito.

“Quanto mais tempo tivermos para fazer o trabalho de pesquisa e mais investigadores, mais completo o resultado final vai ficar”, diz o professor, que actualmente tem uma rede de mil colaboradores no projecto "Heróis à moda de...".

“Depois há aquele sabor ingrato de quando temos que entregar o trabalho para a gráfica e aparecem novas expressões que não puderam entrar”, refere João Carlos Brito que, se pudesse, hoje em dia, completava os livros que já estão publicados.

@Alice Barcellos

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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