Na declaração transmitida pela televisão estatal líbia, Kadhafi ordenou que as forças de segurança acabem com os protestos e advertiu os rebeldes de que correm o risco de uma resposta como a da Praça Tiananmen e de Fallujah - dois notórios massacres.Segundo a descrição do cientista de Fallujah, Mohamad Tareq al-Deraji, que em 2004 fundou um "centro de estudos para os direitos humanos", na cidade rebelde, "uma chuva de fogo abateu-se sobre o povo. As pessoas atingidas por essas substâncias de diversas cores começaram a queimar. Encontrámos corpos com ferimentos estranhos. Estavam queimados mas as suas roupas estavam intactas", relatou na ocasião.
Muammar Kadhafi, que enfrenta uma onda de protestos sem precedentes, duramente reprimida, também anunciou que permanecerá na Líbia "como chefe da revolução", porque não tem motivos para renunciar.
"Muammar Kadhafi é o líder da revolução, Muammar Kadhafi não tem nenhum posto oficial ao qual renunciar. Ele é o líder da revolução para sempre", afirmou o ditador, de 68 anos, no poder há mais de 40, num discurso aparentemente improvisado.
"Morrerei como um mártir na terra dos meus ancestrais" Muammar Kadhafi
"Este é meu país, meu país", gritou Kadhafi, enquanto agitava os braços e apontava o dedo para o alto. "Morrerei como um mártir na terra dos meus ancestrais", afirmou.
"Lutarei até a última gota do meu sangue", afirmou ainda, acrescentando que ordenou ao exército e à polícia que controlem a situação no país. "Capturem os ratos. Tirem-nos das suas casas e acabem com eles, onde quer que estejam", afirmou ainda. Para Kadhafi, os manifestantes armados são passíveis da pena de morte.
Kadhafi também convocou os seus partidários a manifestarem-se na quarta-feira. "O povo líbio está comigo", sentenciou.
Na noite de segunda-feira, Kadhafi já havia se mostrado decidido a permanecer no poder, horas depois de as forças de segurança terem protagonizado os mais violentos momentos da repressão contra os manifestantes que exigem a sua renúncia.
@SAPO/AFP