"Assisti como personagem vítima a uma monstruosidade jurídica, a um erro judicial que ficará definitivamente nas páginas mais negras da história daquilo que devia ser o valor máximo e o alicerce em cima do qual se constrói uma sociedade e um país", declarou o apresentador de televisão numa conferência de imprensa no Hotel Altis, após conhecer a codnenação de 7 anos de prisão.
"Nem o Spielberg teria imaginação para construir uma história destas", acrescentou Cruz para caracterizar aquele que para si um dia em que assistiu a algo semelhante a "um pesadelo".
"Não há provas da minha culpa"
"Não há provas da minha culpa. E sem provas da minha culpa fui condenado a 7 anos de prisão, vêm-me à memória os tribunais plenários de antes do 25 de Abril com uma única diferença: eram mais rápidos os julgamentos".
O que aconteceu hoje naquele tribunal foi um acto da Idade Média Carlos Cruz
Reiterando aquilo que o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, havia afirmado à saída do tribunal, Carlos Cruz acusou os juízes de falta de provas e falta de fundamentação, não esclarecendo como confirmou os factos. "O que aconteceu hoje naquele tribunal foi um acto da Idade Média", disse o apresentador.
Em relação à condenação de sete anos de prisão, Carlos Cruz argumentou que não foi uma surpresa. "O que me surpreendeu foi terem sido dados como provados os crimes, a partir daí qualquer pena servia..."
Questionado sobre a necessidade de ter agendado uma conferência de imprensa em nome próprio, Carlos Cruz defendeu que "foram os media que tornaram este processo no Processo Carlos Cruz". "Não me lembro de nenhuma notícia sobre o Processo Casa Pia que não tivesse a minha fotografia", acrescentou.
Reafirmando mais uma vez a sua inocência, o apresentador acrescentou que olhou para as vítimas, que estiveram presentes na leitura da sentença, "naturalmente, como pessoas que estavam dentro do tribunal". "Continuo a olhar para eles como pessoas, cidadãos que mentiram", rematou.
Carlos Cruz, que não contou com a presença dos familiares no tribunal durante o dia de hoje, declarou que a sua família reagiu "com solidariedade, com amor". O apresentador de televisão deixou um apelo aos seus familiares: "Estejam calmos, não quero lágrimas. A vida é para continuar, é preciso força para continuar esta luta". Uma luta que, segundo Carlos Cruz, não pretende beneficiá-lo apenas a si mas também o país.
Mesmo afirmando que esta nova fase lhe vai tomar muito tempo no futuro Carlos Cruz não nega um regresso à sua profissão. "[É esta] luta pela verdade que me vai ocupar o estado de espírito mas gostava de fazer TV", declarou.
"O que ouvimos hoje não passa pelo crivo de um estudante liceal"
Também o advogado Ricardo Sá Fernandes falou durante a conferência de imprensa, criticando as decisões do tribunal que condenou o seu cliente, Carlos Cruz, a sete anos de prisão. "O pouco que ouvimos hoje não passa pelo crivo de um estudante liceal", afirmou.
Num tom algo exaltado, Sá Fernandes, acrescentou ainda: "Todos os dias sou testemunha de coisas boas que se fazem na justiça portuguesa", acrescentando que hoje assistiu a algo de muito mau.
@SAPO
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