Foram milhares de pessoas que, ao longo dos últimos meses, acorreram à página no Facebook de António Feio. 134 mil 268 pessoas, mais precisamente. Entre mensagens de apoio no combate à doença e elogios ao trabalho de uma carreira, foi este o palco onde muitos fãs subiram para, à sua maneira, ajudarem na batalha do actor.
Há um ano que António Feio combatia a doença e há também um ano que não se cansava de recordar que era mais do que o “bicho” que o consumia (a palavra que usava frequentemente). Desde que anunciou estar a combater um cancro no pâncreas que a atenção da comunicação social foi incessante. O Toni de «Conversa da Treta» chegou mesmo a ser homenageado com o estatudo de Comendador.
Ele nunca se negou a falar. Sempre com humor, sempre com esperança, mas, há poucos dias, confessou preferir que esquecessem a sua doença. Em vez de se centrarem nela, pediu para que os portugueses parassem para pensar, mostrando-se descontente com o estado do país e dizendo que não conseguia «defender a imagem de Portugal tanto cá como no mundo». Perguntava o actor: «Será que não há ninguém que saiba gerir este País com seriedade, competência, rigor financeiro, justiça e respeito por todos nós?».
Uma das suas últimas intervenções públicas foi feita através de um vídeo promocional ao filme de Fernando Fragata, «Contraluz». A mensagem foi forte: «Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer».
Depois de 55 anos a fazer humor, António Feio partiu. E, como um dos seus fãs fez questão de dizer numa mensagem no Facebook, «esta não teve graça. Descansa em paz e até sempre».
Texto: Inês Gens Mendes