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18 de Maio de 2010, 21:20

Primeiro-ministro: “Eu não peço desculpas por cumprir o meu dever”

Na entrevista desta noite, na RTP 1, José Sócrates insistiu na ideia de que “o que mudou não foi Portugal, foi toda a Europa”, justificando, assim, a necessidade das medidas de austeridade aprovadas. “O país precisa destas medidas”, afirmou. “A verdade é que o mundo mudou e mudou em apenas três semanas”, insistiu, em resposta à mudança de rumo da política do Governo, nomeadamente no que respeita ao aumento de impostos.

Sobre a medida de redução dos salários dos políticos em 5%, Sócrates disse que, por ele, “não a tomaria. Não considero que tenha grande efeito orçamental. E dá a ideia às pessoas que os políticos ganham muito e isso não é verdade”, afirmou o primeiro-ministro. Segundo José Sócrates, a medida só foi aceite no quadro de um acordo com o PSD, deixando claro que “a paternidade dessa ideia não é minha”.

Sócrates referiu-se ainda às medidas recusadas no Plano de Austeridade. O primeiro-ministro enumerou as três propostas que recusou aprovar:

* medidas dirigidas especialmente aos funcionários públicos: “este tem de ser um esforço colectivo, de todos, não dirigimos este esforço para um segmento em especial da sociedade portuguesa”.

* agir sobre o 13º mês: “não seguimos esse modelo, porque era errado e muitos o sugeriram”.

* taxar fortemente as empresas: “recusámos, porque precisamos das empresas para a recuperação económica”.

Sobre o acordo com o PSD e a expressão “são precisos dois para dançar o tango” (proferida por Sócrates, ontem, em Madrid, a propósito do acordo com o PSD), o primeiro-ministro desvalorizou a polémica de hoje sobre as suas afirmações. “Era uma metáfora que todos perceberam. Durante muitos meses não encontrei no PSD pessoas que estivessem disponíveis para fazer acordos”.

“Eu não preciso do PSD, quem precisa do PSD é o país”, afirmou José Sócrates, acrescentando que “o PSD não faz isto por achar que é bom para o Governo, faz isto por que acha que é bom para o país”.

Questionado sobre a posição do PS face à candidatura de Manuel Alegre, José Sócrates afirmou: “Nós não decidimos apoiar o Manuel Alegre. Decidimos ouvir os vários órgãos do partido e depois disso anunciaremos a nossa decisão”. Não se trata de “convicção política”, sublinhou, mas sim de “timing político”.

A fechar a entrevista, sobre o negócio da PT/TVI, e o alegado papel desempenhado pelo Governo, o primeiro-ministro afirmou lamentar o “espectáculo lamentável de uma comissão de inquérito que dura há meses para me atacar pessoalmente”.

@SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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