06 de Maio de 2010, 23:54

Reino Unido: O príncipio do fim do actual sistema político

Ao iniciar-se esta disputa, a escolha do eleitor parecia bastante redutora. Conferir um quarto mandato consecutivo ao Labour e manter assim Gordon Brown no cargo, ou trazer de volta os Tories e eleger David Cameron. Este último liderava então todas as sondagens com uma confortável vantagem de 15 a 20 pontos, beneficiando do cansaço da sociedade britânica com 13 anos de governo trabalhista e do desgaste da imagem de Brown, irremediavelmente conotado com as políticas de Blair, que conduziu o Reino Unido para o marasmo do Iraque e do Afeganistão.

O escândalo com as despesas dos parlamentares em 2009 veio no entanto a produzir danos quer nos Tories quer no Labour, ao mesmo tempo que Cameron sentia alguma dificuldade em libertar-se da imagem de produto da velha aristocracia conservadora.

Por outro lado, a introdução inédita de debates televisivos, além de permitir ao cidadão oportunidades únicas de avaliar em directo as capacidades dos seus candidatos, proporcionou também o palco necessário para a nova estrela do firmamemento político britânico: Nick Clegg, o líder dos Liberais Democratas. Supreendendo tudo e todos, Clegg apresentou-se como uma alternativa credível e portador de uma mensagem de mudança face ao habitual rotativismo Tory/Labour.

Apesar da sua ambiguidade quanto a eventuais – e mais que prováveis – coligações e confrontado com o apelo ao voto útil nos seus opositores, Clegg encontrar-se-á na posição de obter a sua principal exigência: a reforma do sistema político proporcional, que teima em excluir os Lib Dems da verdadadeira representação na Câmara dos Comuns.

Ganhe Brown ou Cameron, tudo indica que Clegg terá sempre uma palavra a dizer sobre o futuro do Reino Unido.

@Pedro Seabra
(Investigador do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança)

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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