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26 de Janeiro de 2010, 14:17

Maria Conceição, a hospedeira que quer mudar o Mundo

Dhaka Project, um projecto contra a pobreza que a levou a ser premiada como Mulher do Ano pela revista 'Emirates Woman'.

Maria é doce e obstinada. Diz que por trás do sorriso está uma muher que pode ser muito rígida.

Em Dhaka, onde criou o seu projecto de combate à pobreza extrema, diz qté que há quem lhe chame "Hitler". A revelação solta gargalhadas na sala.

No auditório da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, ninguém acredita que Maria Conceição seja uma ditadora.

A verdade é que tem de ultrapassar muitos obstáculos para conseguir levar a sua acção avante. Muitas vezes os contentores com roupa e bens de primeira necessidade que envia para Dhaka ficam retidos na alfândega. Pedem-lhe subornos para libertar a mercadoria, Maria não cede. "Se estiverem alguma vez no aeroporto do Dubai vão ver-me lá a tentar convencer os passageiros a levaram nas suas malas o material que quero que chegue a Dhaka", conta Maria Conceição.

De Vila Franca de Xira para o Bangladesh

Maria nasceu em Vila Franca de Xira. Diz que era daquelas meninas de quem não escola se dizia que não iria muito longe. Mais uma vez, a sua obstinação viria a contrariar todas as previsões. Saiu de Portugal em busca de melhores oportunidades de trabalho ainda jovem. Esteve na Suíça, Itália e Inglaterra.

Em terras de Sua Majestade apaixonou-se. O namorado pediu-lhe para arranjar um trabalho em que tivesse mais tempo para estarem juntos. Maria procurou e surgiu a oportunidade de ser "empregada dos céus", como diz. A profissão de hospedeira de bordo levou-a à capital do Bangladesh. E a vida de Maria dava mais uma volta.

Dhaka Project, um projecto do coração

A mais recente batalha que Maria tem de travar é a educação dos pais das crianças em Dhaka. A ideia é dar formação aos pais para que estes possam ter um trabalho melhor e não sejam tentados a enviar os filhos para as ruas. "Sou perfeccionista, nunca estou contente", atira Maria. A par desta batalha, há muitas outras. Uma clínica dentária que precisa de médicos dentistas, um consultório que precisa de médicos, uma escola que precisa de professores.

Maria Conceição aceita a ajuda de todos. "Na minha organizaçãoo não rejeitamos ninguém", diz rapidamente. Há muita gente que quer oferecer ajuda. Ouviram-na e querem ir para o Bangladesh. Maria sabe que muitas vontades ficam por vontades. "É preciso ter fé", diz Maria.

@Vera Moutinho.

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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