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20 de Dezembro de 2009, 21:11

‘É uma opção que vai contra a opinião da Igreja’

Por ambas atentarem contra 'a família, enquanto base da sociedade', o porta-voz da Conferência Episcopal portuguesa não aprova, nem a legalização do casamento homossexual, nem a adopção por casais ‘gay’.

E embora a proposta do Governo abra apenas a porta ao casamento 'gay' e não à adopção, o Padre Manuel Morujão acusa os socialistas de incoerência: ‘Se, de facto, a proposta consagra o verdadeiro casamento, como é que não inclui os direitos do casamento? Ou é casamento, ou não é casamento’.

‘Não pode haver pressa’

Depois de ter sido aprovada em Conselho de Ministros, a proposta do Governo para legalizar o casamento homossexual segue agora para o Parlamento, onde deverá ser discutida já em Janeiro, em conjunto com outras duas propostas do Bloco de Esquerda e do partido ‘Os Verdes’.

Mas, para o Padre Manuel Morujão, o que está em causa é demasiado importante para que seja decidido no Parlamento: ‘não estamos a falar de um ponto acessório, que vai mudar coisas simples numa estrutura familiar. E por isso não deverá ser tomada uma decisão a partir de uma discussão de cúpula, onde se ganha por cinco votos a favor ou contra e está tudo bem. Não pode haver pressa, nem precipitação’.

Mesmo que o Parlamento aprove a legalização do casamento homossexual, o Presidente da República pode ainda travar a entrada em vigor do diploma, vetando-o.

Embora recuse ‘dar conselhos’ a Cavaco Silva, o porta-voz da Conferência Episcopal mostra-se confiante nas opções do Presidente: ‘por outras decisões tomadas no passado, esperamos que a instituição da família seja também neste caso fortalecida’. 

Evitar ‘menus de tipos de família’

Entre os partidos com assento parlamentar, apenas o PSD se mostrou favorável à criação de uma união civil registada, como alternativa ao casamento.

Também o Padre Manuel Morujão aprova essa opção: ‘Essa é a solução da maioria dos países que legalizaram algo nesta linha e tiveram o bom senso de evitar que se constituísse um menú dos tipos de família', facilitando também 'a clarificação de que há um verdadeiro casamento'.

Sem se declarar a favor de um referendo ao casamento 'gay', o porta-voz da Conferência Episcopal não deixa contudo de se mostrar solidário com os movimentos que o pedem: ‘compreendo a causa de quem está a promover o referendo e vejo que pode ser um meio de esclarecimento’.

@Marco Leitão Silva

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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