19 de Dezembro de 2009, 14:58

Bento XVI proclama "veneráveis" os Papas Pio XII e João Paulo II

O anúncio da proclamação de Pio XII - acusado de ter mantido silêncio durante o Holocausto dos judeus no regime nazi - como "venerável" causou surpresa no final da celebração dos 40 anos da criação da Congregação para a Causa dos Santos, na qual também foi nomeado "venerável" o Papa João Paulo II, um dos pontífices considerados mais carismáticos da história recente.

Bento XVI assinou os decretos que reconhecem "as virtudes heróicas do venerável Servo de Deus" Pio XII (1939-1958), e de João Paulo II (1978-2005).

Num discurso pronunciado perante a Congregação para a Causa dos Santos, o Papa elogiou a "sabedoria pedagógica" com que a entidade selecciona e examina a história dos beatos e dos santos.

"As principais etapas para o reconhecimento da santidade por parte da Igreja católica, ou seja, a beatificação e a canonização, estão unidas com um vínculo de grande coerência", afirmou o pontífice. "Depois de um minucioso julgamento, são propostos como modelo de vida cristã", acrescentou.

Bento XVI defendeu em várias ocasiões a figura de Pio XII e expressou o seu desejo de que este fosse beatificado, apesar das controvérsias sobre a sua atitude passiva durante a Segunda Guerra Mundial perante o extermínio dos judeus.

A causa da beatificação de Pio XII foi aberta nos anos 60.

Os defensores do italiano Eugenio Pacelli (Pio XII) invocam, em compensação, diversas atitudes do Vaticano frente aos nazis e atribuem-lhe todas as acções realizadas por inúmeros religiosos para se opôr às deportações para campos de concentração.

A beatificação de Pio XII poderá abalar as relações entre Israel e o Vaticano.

Já a aprovação das "virtudes heróicas" de João Paulo II eram esperadas e foram aplaudidas. Assim se inicia o exame do milagre atribuído ao antecessor de Bento XVI, o caso da monja francesa Marie Simon-Pierre, da congregação das Pequenas Irmãs das Maternidades Católicas, curada sem explicação médica do Mal de Parkinson em 2005.

Karol Wojtyla poderá ser beatificado no final do próximo ano, pouco mais de cinco anos depois da sua morte.

Segundo a imprensa italiana, a cerimónia será celebrada no Vaticano a 16 de Outubro de 2010, 32 anos depois da sua eleição como o primeiro Papa polaco da história.

O Papa também aprovou a beatificação do padre polaco Jerzy Popieluszko, assassinado há 25 anos pela polícia política comunista.

O processo de beatificação de Popieluszko, última etapa antes da canonização, começou em Maio de 2001 e, no ano passado, Bento XVI conseguiu que o processo sofresse uma aceleração.

Sequestrado e assassinado pela polícia polaca em 10 de Outubro de 1984, depois de celebrar a sua última missa, o seu caso é considerado um "martírio" pela Igreja católica, o que não implica a necessidade de demonstrar a sua participação num milagre para ser beatificado.

AFP/SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Comentários

Critério de publicação de comentários

publicidade

publicidade

publicidade