“Toda a gente devia ter os mesmos direitos”
O diploma que permite a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo poderá ser discutido no Parlamento em Janeiro. E é mesmo na Assembleia da República que Richard Zimler defende que a lei deve ser discutida: “não se pode referendar direitos fundamentais”.
O escritor, que vive no Porto, considera que “não devemos ter numa democracia cidadãos de segunda”. Richard Zimler defende que “qualquer lacuna nos direitos fundamentais” pode “fragilizar” o regime democrático e abrir caminho para a discriminação.
“Toda a gente devia ter os mesmos direitos, incluindo o direito de casar-se, porque é um direito fundamental em termos de legalidade, economia, afectos e emoções”, considera o autor de Trevas na Luz, À Procura de Sana, entre outros livros.
“O casamento é mais uma questão legal do que afectiva”
Richard Zimler tem uma relação de 31 anos com o cientista Alexandre Quintanilha e refere que casar-se no civil é uma opção, caso a lei seja aprovada em Portugal. “Eu gostaria de casar-me, é mais uma questão legal do que afectiva”, diz. Para o escritor o casamento responde a “questões fundamentais em termos das nossas emoções e segurança pessoal”.
O autor defende que o debate sobre o casamento homossexual só traz benefícios que podem ajudar a acabar com os tabus em torno da questão. “Toda a gente conhece homossexuais, tem amigos, tios, tias... Não estamos a debater uma coisa teórica, estamos a debater o direito das pessoas que nós amamos”, afirma Richard Zimler.
Para o escritor, a discriminação vai continuar a existir. O que não pode acontecer é que o preconceito tenha influência no sistema legal. “As pessoas preconceituosas tem todo o direito de não gostar de homossexuais, detestar negros ou não gostar de muçulmanos, mas estas pessoas não têm o direito de aplicar os seus preconceitos no sistema legal”, sentencia Richard Zimler.