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07 de Dezembro de 2009, 15:06

Direcção do Cineclube do Porto quer nova sede para revitalizar instituição

Segundo a actual direcção, a decadência da sede é mesmo o maior obstáculo para que o Cineclube do Porto funcione na sua totalidade e para que os sócios tenham virado costas ao mais antigo cineclube de Portugal. Dos 300 associados, apenas 12 têm as quotas em dia, de acordo com Brígida Velhote, directora do Cineclube do Porto.

O estado de degradação a que chegou a instituição chamou atenção a um grupo de cidadãos portuenses que fundou o Movimento pelo Cineclube do Porto. A publicação de um manifesto e de uma petição online, bem como uma reunião com interessados em discutir um futuro melhor para o espaço foram acções realizadas pelo movimento.

E, para além das más condições do espaço, o Cineclube deve perto de 50 mil euros do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA) por falta de justificação de um subsídio atribuído em 2002. “Vamos tentar que haja, pelo menos, a devolução do dinheiro que nos deram e não haja a parte dos juros. Isso poderá debilitar, de facto, o Cineclube”, afirmou ao SAPO Brígida Velhote.

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“Qualidade de exibições num sítio mais digno”

A fórmula para que o cineclube volte a afirmar-se na cidade é, segundo a directora, “qualidade de exibição, intercâmbio com outras instituições, boa programação, num sítio que seja digno para as pessoas lá estarem”.

O Movimento para o Cineclube do Porto propõe também que seja feita uma “reestruturação interna” no Cineclube, com uma mudança no estatuto de sócio e uma auditoria interne para “garantir a viabilidade legal e financeira da instituição”.

Sem adiantar muitos pormenores, a directora do Cineclube disse estar em fase de contactos para tentar arranjar uma nova sede para a instituição. Já foi pedido o apoio à Câmara do Porto mas a demora de resposta leva a que sejam ponderadas hipóteses ligadas a privados.

Uma das melhores bibliotecas de cinema do país

Dentro da actual sede, encontra-se um dos maiores tesouros do Cineclube do Porto. Um espólio que foi sendo adquirido desde 1945, data da fundação do Cineclube. Numa sala do espaço estão centenas de publicações especializadas, maquinaria e películas. De acordo com a direcção, o espólio está preservado.

Revistas de cinema francesas italianas, espanholas e portuguesas desde 1900 estão dispostas em estantes. Brígida Velhote revelou ao SAPO que o Cineclube foi recuperar alguns documentos do Cinema Águia D´Ouro, hoje convertido num hotel. “É talvez uma das mais importantes bibliotecas de cinema do país”, afirmou a directora.

Algumas curiosidades que podem ser encontradas no acervo do Cineclube do Porto são, por exemplo, os óculos de Aurélio Paz dos Reis, pioneiro do cinema em Portugal, um quadro de Júlio Pomar ou ainda o filme expressionista “Gabinete do Dr. Caligar”.

@Alice Barcellos

 

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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