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04 de Dezembro de 2009, 23:32

Cineclube do Porto deve perto de "50 mil euros" ao ICA

 

A directora do Cineclube do Porto, Brígida Velhote, esteve presente na reunião para esclarecer ao Movimento e aos 60 cidadãos presentes o actual estado de degradação e decadência que se encontra a instituição que faz parte da história do cinema português.

A dívida ao ICA deve-se a um subsídio no valor total de 31 mil euros atribuído ao Cineclube do Porto em 2002. O apoio financeiro não foi justificado ao ICA, sendo exigida a devolução da quantia. O ICA comunicou a dívida ao Cineclube em Março de 2008 e desde então "foi intentado o respectivo processo de execução fiscal", segundo pode ser lido em informações divulgadas pelo Movimento pelo Cineclube do Porto. "Com os juros, a dívida actual deve rondar os 50 mil euros", afirmou André de Oliveira e Sousa, membro do Movimento.

"O edifício onde está a sede do Cineclube tem oito senhorios e precisa de obras estruturais", explicou Brígida Velhote. A actual directora justificou ainda que o subsídio dado pelo ICA não foi utilizado na sede porque antes são precisas obras em todo o edifício. "Temos já marcada uma reunião no ICA para resolver a questão da dívida", adiantou a responsável, assegurando que o Cineclube tem guardado o montante do subsídio atribuído em 2002.

A Câmara do Porto promulgou, neste ano, uma vistoria de salubridade do edifício que poderá obrigar os senhorios a fazer obras. Uma sede nova para o Cineclube é, contudo, uma opção colocada em cima da mesa. A actual sede fica na Rua do Rosário, número 5.

Movimento pede mais transparência

O Movimento pelo Cineclube do Porto apelou mais transparência à direcção da instituição no que toca às dívidas, ao espólio e aos estatutos da instituição. "Temos dúvidas quanto às condições do espólio, o ideal era que os sócios pudessem ir visitá-lo", declarou Manuel Poças Pintão, um dos signatários do Manifesto pelo Cineclube do Porto.

A notícia da dívida ao ICA é mais um capítulo na polémica em torno da actual situação do Cineclube do Porto. O mês passado ficou marcado pela publicação do manifesto e da petição online, assinada por quase 700 pessoas, entre elas Manoel de Oliveira e António-Pedro Vasconcelos. A directora da instituição acredita que o futuro do Cineclube pode passar por uma nova direcção e por mais sócios, vontade que já tinha sido expressa em comunicado publicado no início da semana.

Dos 300 sócios actuais do Cineclube apenas 12 têm as quotas em dia, segundo Brígida Velhote. Números que contrastam com o passado áureo daquele que já foi o maior cineclube da península ibérica, durante as décadas de 60 e 70. Fundado em 1945, o Clube Português de Cinematografia, Cineclube do Porto, foi também um palco de debate cultural e resistência salazarista. Dentro do seu espólio estão películas, como o filme expressionista "Gabinete do Dr. Caligar", livros, fotografias e projectores.

@Alice Barcellos

Fotografia: Projector Paillard Bolex G3 do espólio do Cineclube do Porto

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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