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08 de Novembro de 2009, 00:01

Rammstein no Pavilhão Atlântico: Circo de feras

Com o novo disco, "Liebe ist für alle da", devidamente instalado nos lugares cimeiros do top de vendas nacional, já se tinha percebido que o sexteto germânico mantinha por cá uma assinalável base de fãs - que não parece ter esmorecido desde 2005, data da edição do álbum anterior.

Ainda assim, esgotar o Pavilhão Atlântico num mês em que a oferta de música ao vivo é especialmente forte é por si só um feito, e revelador do carisma que os Rammstein são capazes de irradiar em palco.

Na noite de domingo, ao longo de pouco mais de hora e meia, o reencontro do grupo com Portugal assinalou mais um forte momento de comunhão, não só em canções obrigatórias ("Du Hast", "Sonne") mas também nas novas.

O facto de "Liebe ist für alle da" ter sido editado há menos de um mês não impediu que "Rammlied", o momento que abriu a noite, tivesse direito a refrão gritado por alguns milhares. Ou que "Frühling in Paris" tenha convocado isqueiros e telemóveis logo aos primeiros segundos, enquanto o vocalista Till Lindemann citaria Edith Piaf ("Non, je ne regrette rien") num dos temas mais calmos do disco, entre a obstinação e a melancolica.

Uma noite iluminada

Além da música, os espectáculos dos Rammstein vivem também muito do cuidado cenográfico, que aqui voltou a manifestar-se. A abertura foi logo marcante, com a banda a destruir uma parede que a separava do público - através da qual foram surgindo as primeiras luzes.
Mas não demorou muito para que um turbilhão de cores dominasse o palco, geradas por suportes de iluminação móveis que tanto se assemelharam a OVNIs como a instrumentos de masmorras - entre outras aproximações.

E como não há concerto dos Rammstein sem fogo, a pirotecnia atingiu um dos primeiros pontos altos no inevitável "Feur Frei!" ("Abrir Fogo!", onde também se ouviram tiros). Foi só o começo, porque mais à frente houve espaço para uma autêntica tocha humana ou para uma banheira da qual saltou fogo de artifício - e onde o teclista seria "assassinado" pelo vocalista, que então o observava no topo do palco em cima de um pequeno elevador (isto já em "Ich Tu Dir Weh", talvez a melhor canção de "Liebe ist für alle da").

Guitarras pouco amestradas

Felizmente a costela ilusionista nunca se sobrepôs à musical, já que mesmo que os Rammstein não sirvam grandes mutações de disco para disco o alinhamento ainda foi diversificado q.b..
A insistência em guitarras explosivas pode tornar-se redundante para alguns, mas o concerto tanto contemplou a carga incisiva e épica de "Keine Lust" como a aura introspectiva de "Seemann", o flirt com a pop de uns Soft Cell ou Depeche Mode em "Haifisch" ou uma vertente mais electrónica e dançável, evidente em "Du Hast" ou numa gigantesca "Ich Will".

A recta final, antes dos dois encores, foi especialmente forte - desde o arranque, com a marcha vincada de "Links 2 3 4", à apoteose, no cruzamento de rock e techno (em palco, quase eurodance) de "Pussy", o muito bem recebido novo single (apropriadamente acompanhado por um canhão que disparou confetti brancos).

Tivesse contado com mais vinte minutos, aproximando-se das duas horas de duração - e com outros temas flamejantes como "Moskau" ou "Du Riecht So Gut" à mistura - o espectáculo teria sido ainda mais demolidor, até porque a segunda metade superou a intensidade da primeira.
Mas mesmo assim os Rammstein estiveram à altura do que deles se esperava, e quem serve um rock musculado com esta entrega nem sequer precisaria de qualquer traço de fogo para aquecer a noite.

Antes do sexteto alemão, o Pavilhão Atlântico recebeu os noruegueses Combichrist, defensores de um rock industrial de forte apelo dançável e batidas arrasa-tímpanos. A actuação, embora curta, foi conquistando adeptos e começou a criar um ambiente de euforia que ganharia outros contornos ao longo da noite.

Texto @Gonçalo Sá

Fotos @ Carla Costa

Alinhamento do concerto:

Rammlied
B********
Waidmanns Heil
Keine Lust
Weisses Fleisch
Feuer Frei!
Wiener Blut
Frühling In Paris
Ich Tu Dir Weh
Liebe Ist Für Alle Da
Benzin
Links 2 3 4
Du Hast
Pussy

Encore 1:

Sonne
Haifisch
Ich Will

Encore 2:

Seemann
Engel

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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