Diplomacia de Obama continua em busca de resultados

Barack Obama aproximou os Estados Unidos do resto do mundo. Mas, um ano após a sua posse, o presidente norte-americano continua em busca de resultados sobre as questões diplomáticas mais importantes.

A política exterior de George W. Bush baseava-se amplamente nos esforços da "guerra contra o terrorismo". A do seu sucessor foi definida pela secretária de Estado Hillary Clinton como "uma nova era de diálogo".

Barack Obama mostrou, tanto na administração da crise financeira como na conferência de Copenhaga, a convicção de que os Estados Unidos não poderiam resolver por si só os problemas do planeta.Relançou as relações entre americanos e russos e estabeleceu um "diálogo estratégico" com a China. Prometeu manter as guerras em que o seu país está envolvido sem torturar e desrespeitar a ONU.

A sua popularidade pessoal aumentou o impacto dos seus grandes discursos, como o do Cairo, pedindo a reconciliação entre o Islão e o Ocidente, ao receber o Prémio Nobel da Paz.

Obama também estendeu a mão aos inimigos da América como a Cuba dos irmãos Castro e a Venezuela de Hugo Chavez, passando pelo Irão de Mahmud Ahmadinejad.

"Obama recolocou Washington no circuito das negociações internacionais", e "dissipou muito do antiamericanismo que estava no ar", considera no The American Interest, Leslie Gelb, ex-presidente do grupo de reflexão CFR. "Ele preparou o terreno para o restabelecimento do poderio americano", acrescentou. "O problema é que ainda não pisou no acelerador".

Do vasto conjunto de desafios lançados à maior potência mundial destacam-se três temas: o processo de paz no Médio Oriente, a questão nuclear iraniana e a guerra no Afeganistão e no Paquistão.

O primeiro permanece um impasse, entre a intransigência do governo israelita e a divisão dos palestinos. Após um longo ano de esforços em vão, Washington apresentou um novo plano.

Na polémica nuclear com Teerão, Obama tentou sem sucesso o diálogo. Mas essa disposição, consideram vários especialistas, reforça hoje a posição dos Estados Unidos para exigir novas sanções contra a República Islâmica.

O presidente, por fim, anunciou reforços militares no Afeganistão. Ele tentou, ao mesmo tempo, fortalecer relações com o Paquistão, sempre intensificando os ataques aos islâmicos radicais nesse país.

Nos três casos, o governo Obama, na sua nova política, manteve de maneira mais branda as tácticas do seu antecessor, argumenta Amjad Atallah, um especialista da fundação New America.

"Mesmo no Afeganistão", disse à AFP, "que é o local onde vemos mais diferenças, porque os neoconservadores se riem do Afeganistão, a situação é muito semelhante à estratégia do governo Bush para o Iraque: reforços seguidos de uma retirada."

Na revista Foreign Affairs, Zbigniew Brzezinski, que foi o guru diplomático do presidente democrata Jimmy Carter (1977-1981), presta uma homenagem a Barack Obama por ter "repensado de cabo a rabo" os objectivos da diplomacia americana. Ele cita, principalmente, o desarmamento nuclear, a vontade de tratar a China como "paceira geopolítica", e a ambição de ser "um mediador justo" no Oriente Médio.

Brzezinski considera, portanto, que "até agora, a política exterior do presidente suscitou mais expectativas do que mudanças estratégicas".

Como considera o ex-conselheiro, "é o tratamento dado por Obama às três urgências - o Médio Oriente, o Irão e Afeganistão/Paquistão - que determinará o papel mundial dos Estados Unidos no futuro".

SAPO/AFP