Imediatamente após a sua posse, Barack Obama pediu a suspensão, por 120 dias, dos processos nos tribunais de excepção de Guantánamo, de acordo com documentos judiciais apresentados à imprensa.
"No interesse da justiça, e a pedido do presidente dos Estados Unidos e do secretário de Defesa Robert Gates, o governo solicita, respeitosamente, que as comissões militares autorizem o adiamento dos processos mencionados anteriormente até 20 de Maio de 2009", afirma a moção que será apresentada esta quarta-feira pelo juiz Cayton Trivett, do Ministério Público, a dois procuradores dos tribunais de excepção.
Um dos procuradores, Stephen Henley, é responsável pelo processo de cinco homens acusados de ajudar a organizar os atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington.
O segundo, Patrick Parrish, examina o caso de Omar Khadr, um canadiano detido quando tinha apenas 15 anos no Afeganistão, acusado de matar um soldado americano.
Caberá, portanto, aos dois a decisão de aceitar o pedido de congelamento das comissões militares de Guantánamo, um enclave sob administração americana no extremo oriental da ilha de Cuba.
A prisão de Guantánamo foi aberta em 2002, como parte da "guerra contra o terrorismo" iniciada pelo governo de George W. Bush depois dos atentados de Nova Iorque e Washington.
Os tribunais de excepção foram criados em 2006 e actualmente são responsáveis por 21 casos, 14 deles já atribuídos a um juiz, em um total de 245 detentos, de acordo com dados do Pentágono.
Obama, que ainda ontem assumiu a presidência, prometeu que uma de suas primeiras medidas seria o encerramento da prisão Guantánamo, que se tornou um símbolo dos excessos dos Estados Unidos na "guerra contra o terrorismo".
SAPO/AFP