A partir desta terça-feira Malia e Sasha Obama passarão a morar num dos endereços mais importantes do planeta, a Casa Branca, e serão submetidas a um implacável exame da imprensa e da curiosidade do público, num mundo ávido por informações constantes.
«Uma das piores coisas do mundo é ser filho de um presidente. Leva-se uma vida horrível», comentou certa vez Franklin D. Roosevelt, que teve cinco filhos criados na Casa Branca.
Malia, de 10 anos, e Sasha, de 7, que ganharam o coração do grande público ao acompanhar o pai durante a sua campanha eleitoral, serão as crianças mais novas a ocupar a residência presidencial desde os filhos dos Kennedy, no início de 1960.
Apesar dos privilégios, para as meninas será difícil escapar ao olho do público. O presidente eleito e sua esposa, Michelle, já disseram várias vezes que a sua maior preocupação é o bem-estar das filhas.
«Elas ainda não têm consciência. Ainda não adoptaram poses. E acho que uma das nossas prioridades nos próximos anos será fazer com que isso se mantenha assim», afirmou Obama recentemente.
A futura primeira-dama já disse que as meninas terão uma rotina rígida, com tarefas que incluirão fazer a própria cama, arrumar o próprio quarto e ir dormir às 20H30.
Desde que o pai venceu as eleições, as meninas têm sido mantidas fora do foco dos média. No dia em que pela primeira vez foram conhecer a sua nova escola, Sidwell Friends, as omnipresentes câmaras mantiveram-se à distância.
«Os filhos do presidente, são como nossas mascotes; as pessoas gostam de ver o que eles fazem, ficam fascinados com eles», explica o historiador Robert Watson à AFP.
«Já há muita pressão sobre essas crianças no dia a dia, mas não posso imaginar como seria para os meus filhos, se, por exemplo, tudo o que eles fazem fosse exibido na revista National Inquirer ou revelada no programa Entertainment Tonight», acrescentou. «Por exemplo, se uma das meninas tirar uma nota má numa prova, todo o país vai saber».
Noutros tempos as crianças brincavam livremente nos corredores da Casa Branca. Os filhos de Abraham Lincoln atormentavam o pessoal fazendo soar constantemente as campainhas que chamavam os empregados. Um dos filhos de Theodore Roosevelt uma vez andou de pónei dentro da imponente e simbólica residência.
Mas com as pressões modernas e o recente crescimento dos meios de comunicação social, as famílias presidenciais começaram a proteger ferozmente os seus filhos da invasão de privacidade do público.
Bill e Hillary Clinton eram notoriamente proctetores em relação à sua filha única, Chelsea, que se mudou para a Casa Branca aos 12 anos e, às vezes, era alvo de brincadeiras cruéis da imprensa.
Hoje em dia, Chelsea, de 28 anos, nega-se a dar entrevistas, apesar de ter reaparecido publicamente no ano passado, quando se dedicou a apoiar a campanha da sua mãe nas primárias.