Amanhã, ao meio-dia, hora de Washington, Barack Obama iniciará o seu mandato como 44º presidente dos Estados Unidos, com a imagem de um representante que está permanentemente em conexão com os internautas, convidados a dar opiniões e conselhos à equipa no poder.
Assim que prestar juramento, a sua equipa de «webmasters» assumirá o comando do site da Casa Branca, aplicando na administração as receitas recebidas pelo candidato democrata durante a campanha presidencial.
«A Casa Branca vai tornar-se um lugar apaixonante», comentou Macon Phillips, director de novos media na equipa de transição de Barack Obama.
«Desde a votação de 4 de Novembro, que a equipa de transição tem vindo a estudar a administração para ver como podemos abri-la e associá-la aos cidadãos», explicou.
Assim que assumir o poder, a meta será «continuar no mesmo espírito, com a mesma participação e com a energia que foram essenciais para a campanha».
Esta receita de democracia online já está em acção no site da equipa de transição, através do endereço www.change.gov, no qual os internautas são convidados a compartilhar as suas ideias sobre o futuro do país e a avaliar as dos outros.
«As ideias mais votadas serão reunidas após a tomada de posse num relatório, como aqueles que o presidente recebe todos os dias dos seus especialistas e conselheiros», está explicado no site.
Com o título «a sua cadeira na mesa de discussões», o site publica também o conteúdo das conversas entre a equipa de transição e as associações, que permitem aos internautas fazer os seus comentários.
A equipa Obama também enviou questionários aos 10 milhões de pessoas inscritas na sua lista de envio de emails para saber o que o presidente deve fazer assim que chegar à Sala Oval. O site recebeu meio milhão de respostas para um deles.
«A democracia online pode no entanto ter dificuldades de se impor à burocracia», comentou Simon Rosenberg, presidente do centro de reflexão NDN, que acredita que Barack Obama vai usar o site para avaliar os resultados da sua administração.
Os eleitos do Congresso podem também sentir-se pressionados porque o eleitorado usa o computador para contestar as posições dos deputados e apoiar o programa de reformas de Obama.
«Os 25 congressistas hostis à reforma do sistema de saúde preparada por Obama podem deparar-se de uma só vez com as queixas de 30 milhões de americanos», indicou Joe Trippi, director de campanha em 2004 do candidato à posse democrata Howard Dean, o primeiro nos EUA a ter usado a internet como ferramenta política para a eleição presidencial.
SAPO/AFP