Obama começa a nomear a equipa que vai dirigir os Estados Unidos

Eleito com larga vantagem para a presidência dos Estados Unidos, Barack Obama já começou a formar a equipa que vai dirigir um país que administra duas guerras, ao mesmo tempo que luta contra uma grave crise económica.

Num momento em que o país passa pela pior crise financeira desde 1929 e se encontra à beira da recessão, Obama precisa de mostrar serviço rapidamente. Na memória ainda está o ano de 1992, em que o início da presidência de Bill Clinton foi caótico devido à falta de preparação da nova equipa dirigente.

Os escolhidos

Barack Obama escolheu como chefe de gabinete o seu amigo Rahm Emanuel, 48 anos, deputado de Illinois na Câmara dos Representantes e profundo conhecedor do mundo político de Washington e da Casa Branca por ter sido conselheiro de Clinton.

A equipa do homem que ainda é senador de Illinois informou que o nome do futuro secretário do Tesouro deverá ser anunciado nos próximos dias.

Na mesma época do ano passado, a economia americana ainda apresentava um crescimento de 5%. Agora, poderá conhecer em breve sua 12ª recessão desde a morte de Franklin D. Roosevelt. Quase 800.000 empregos desapareceram desde o início deste ano, e a taxa de desemprego voltou a um nível jamais visto nos últimos 14 anos.

Quatro personalidades são cotadas para suceder a Henry Paulson, entre elas dois ex-secretários do Tesouro de Bill Clinton: Lawrence Summers, que hoje é professor na Universidade Harvard, e Robert Rubin, hoje director do banco Citigroup.

Os dois outros nomes citados são os de Timothy Geithner, presidente do Banco Central de Nova York, e o de Paul Volcker, ex-presidente da Reserva Federal (Fed) americana.

Volcker foi um dos mais próximos conselheiros de Obama no momento da crise financeira mas, segundo pessoas próximas ao presidente eleito citadas pelo Wall Street Journal, ele estará com dúvidas em aceitar o cargo.

De acordo com as fontes citadas pelo mesmo jornal, Obama deve nomear uma equipa subordinada directamente à Casa Branca, encarregue de vigiar a aplicação das novas estruturas de regulamentação do sistema financeiro. Volcker é apontado como sendo a pessoa idela para assumir o comando desta equipa.

Para o departamento de Estado, o nome de John Kerry, adversário de George W. Bush na eleição presidencial de 2004, é um dos mais citados pela imprensa americana. No entanto, Brigid O'Rourke, a porta-voz do senador de Massachusetts, que foi reeleito terça-feira para um novo mandato de seis anos, qualificou esta hipótese de "ridícula".

Para suceder a Condoleezza Rice, também foram mencionados os nomes de Bill Richardson, governador do Novo México, Richard Holbrooke, ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, e Richard Lugar, senador republicano de Indiana.

Outro senador republicano, Chuck Hagel, veterano da guerra do Vietname, pode assumir o comando do Pentágono ou até do departamento de Estado. Segundo o jornal Politico, um dos mais bem colocados para o cargo de secretário da Defesa dos Estados Unidos é Colin Powell, ex-chefe da diplomacia de Bush também citado como eventual secretário da Educação. Existe também a possibilidade de o actual titular do posto, Robert Gates, permanecer no cargo depois do dia 20 de Janeiro.

O nome de Richard Danzig, principal conselheiro de Obama para os assuntos de defesa durante a campanha e ex-secretário de Bill Clinton, também é apontado para o Pentágono.

SAPO/AFP