Depois de percorrer na segunda-feira milhares de quilómetros de avião e fazer comícios em sete estados, John McCain, dado por vencido nas pesquisas, continua nesta terça-feira um esforço inédito para tentar arrancar a vitória na última hora.
Tradicionalmente durante o dia de votação nos Estados Unidos, os candidatos tiram o pé do acelerador eleitoral e limitam-se a votar e esperar o resultado.
Mas o republicano John McCain afirmou durante toda a campanha que é um lutador e que gosta de contrariar os hábitos. Assim, incluiu na sua agenda duas reuniões nesta terça-feira, no Colorado e no Novo México, dois estados considerados chave.
O esforço final do candidato republicano começou na segunda-feira pela manhã em Tampa, Florida, onde afirmou que comaterá até ao final "Falta um dia para colocarmos os Estados Unidos numa outra direção", disse McCain a quase 500 pessoas reunidas em um estádio com capacidade para 65.000.
"Os especialistas talvez não saibam, os democratas talvez não saibam, mas 'Mac is back' (está de volta) e vamos ganhar esta eleição", afirmou.
No final do seu discurso, McCain entrou no avião da sua campanha, baptizado de "Straight talk air", em direcção a Blountville em Tennessee.
Ele não tem tempo a perder: o comício aconteceu a poucos metros da pista de aterragem, num hangar. "Sou um americano e escolhi lutar. Não abandonem a esperança, sejam fortes, tenham coragem e combatam", lançou ao encerrar sua campanha.
"Levantem-se, levantem-se e lutem", exortou McCain perante cerca de mil pessoas.
Em seguida, embarcou novamente, desta vez com destino a Moon Township, Pensilvânia. Nova reunião, novo discurso e o comité de campanha voltou a sobrevoar os amplos campos do cinturão de milho do meio oeste.
Mas os primeiros sinais de cansaço começaram a aparecer: o senador do Arizona tinha a voz rouca. Ele não perdeu, no entanto, o bom humor e brincou ao falar ao microfone "Este microfone foi-nos dado pelo Partido Democrata!", afirmou.
A multidão começou a gritar: "É um herói americano é aquilo de que o país precisa agora", disse Robert Miller, de 54 anos, chefe de uma pequena empresa.
"Vejam como ele luta", acrescentou, admirado. "Acho que a imprensa tenta decidir a sorte da eleição em vez do povo e não podemos deixar que isto aconteça", continuou.
À noite, McCain terminou em Prescott (Arizona), onde tem o hábito de terminar as suas campanhas.
Após uma intervenção da sua esposa Cindy, cuja voz tremeu de emoção, o candidato prometeu romper a tradição segundo a qual os políticos do Arizona fracassam nas eleições presidenciais.
"É maravilhoso voltar ao Arizona, é bom estar em casa", disse McCain, antes de retomar a estrada no dia seguinte.
SAPO/AFP