Os principais estrategas de Obama e McCain

Os principais estrategas dos candidatos John McCain e Barack Obama estão em pólos opostos: um lembra um fuzileiro naval dos mais agressivos, enquanto o outro mantém eternamente um semblante mal-humorado: apesar de ter mais motivos para estar contente, já que trabalha para o senador democrata que está no topo nas sondagens. Mas David Axelrod, assessor político por trás da vertiginosa ascensão de Obama, não transborda alegria. De olhos baixos e vistoso bigode, assemelha-se mais a um professor tímido.

Mas as aparências enganam. Sem personalidade forte e senso de oportunidade, o ex-jornalista político não teria emergido como principal assessor da campanha democrata na feroz esfera pública de Chicago. E foi Axelrod, de 53 anos, quem criou o próprio nicho no sector: ficou conhecido por ajudar candidatos negros a apresentarem-se ao eleitorado branco. Mas com Obama - que conhece há 17 anos - a sua motivação parece ser pessoal.

Se Obama chegar à Casa Branca, será "algo de que alguém poderá orgulhar-se para resto da vida", disse Axelrod ao jornal The New York Times em Janeiro de 2007, quando o senador de Illinois se preparava para anunciar sua histórica candidatura à Casa Branca.

Já o principal "arquitecto" da campanha do candidato John McCain, Steve Schmidt, com sua cabeça totalmente rapada, recebe com frequência apelidos como o "míssil", devido ao seu comportamento muitas vezes explosivo.

Natural da Califórnia, Schmidt foi responsável pelas operações políticas diárias de McCain em Julho, que injectaram na campanha a tão necessária disciplina e colocaram em prática lições aprendidas na vitória do presidente George W. Bush em 2004.

Schmidt, de 38 anos, não gosta muito que a imprensa o retrate como o "protegido" do guru político de Bush, Karl Rove. Mas as suas implacáveis táticas de campanha assemelham-se bastante às utilizadas pelo assessor do actual presidente americano.

As Estratégias falhadas e as bem sucedidas

McCain recebeu de seu principal assessor a "ordem" para atacar Obama sem tréguas, de modo a tentar mostrá-lo como uma celebridade vazia, um radical de esquerda amigo de terroristas, que não tem condições para comandar os Estados Unidos.

Schmidt teve muito a ver também com a surpreendente decisão de McCain em escolher Sarah Palin, até então a quase desconhecida governadora do Alasca, como sua companheira para a vice-presidência, numa tentativa de não apenas captar o eleitorado feminino frustrado com a derrota de Hillary Clinton nas primárias democratas, mas também de mexer radicalmente com as peças no tabuleiro da disputa eleitoral.

A escolha de Palin, no entanto, parece ter sido contraproducente, e sob as orientações de Schmidt, pouco sobrou em McCain do político franco-atirador que enfrentou Bush em 2000 pela indicação nas primárias republicanas. Na opinião do ex-assessor de campanha Mark McKinnon, esta era a única maneira de proceder num ano eleitoral tão pouco favorável para os republicanos.

"Schmidt considerou todas as opções de estratégias disponíveis e escolheu a única via com hipóteses de sucesso", afirmou McKinnon à revista Newsweek. "O trabalho dele é vencer, e não fazer a imprensa e os assessores de McCain felizes".

Por entre todas as dificuldades em organizar uma campanha, houve uma que se impôs: as estratégias de Schmidt e Axelrod precisaram ser reescritas por causa da crise financeira.

Sob a batuta de Axelrod, Obama assumiu a imagem da transformação e da renovação, do líder incisivo capaz de manter a calma nos momentos difíceis.

Schmidt, por sua vez, procurou apresentar McCain como um líder populista capaz de actuar em momentos de crise.

No dia em que tudo se deicide e olhando para as últimas sondagens que colocam Barack Obama à frente, e estratégia de Axelrod parece estar ter dado resultado.

SAPO/AFP