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Egas Moniz: 60 anos de prémio Nobel

Várias iniciativas assinalam a partir de hoje as comemorações dos 60 anos da atribuição do Prémio Nobel da Medicina a António Egas Moniz. Foi o primeiro prémio Nobel atribuído a um português, em Outubro de 1949. A Câmara Municipal de Estarreja e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro promovem a partir de hoje e até Setembro uma série de palestras com o nome "Espaço Ciência", que pretende debater questões de ciência e tecnologia. O programa deste ciclo está disponível no site da Casa Museu Egas Moniz. O Museu de Ciência de Coimbra realiza, também hoje, o colóquio "Egas Moniz. 60 anos do Nobel".

Em 1927, ao fim de dois anos de estudo e experiências, Egas Moniz criou o método da angiografia cerebral, que permitia a visualização das artérias do cérebro. "Quando em Junho de 1927 consegui ver pela primeira vez ao raio-x as artérias do cérebro, através dos ossos espessos do crânio, tive um dos maiores deslumbramentos da minha vida", escreveu o médico. Esta técnica revelou-se valiosa para o diagnóstico de doenças no interior do crânio.

Em 1935 desenvolveu a leucotomia pré-frontal, uma operação cirúrgica radical de corte da substância branca dos hemisférios cerebrais, com vista a tratar doenças mentais como a esquizofrenia e certas psicoses. Esta foi a técnica pioneira da psicocirurgia, isto é, do tratamento de problemas psiquiátricos graves através da manipulação orgânica do cérebro. Hoje em dia a leucotomia, na forma em que surgiu, já não é praticada, devido aos efeitos secundários severos e irreversíveis. Usada abusivamente nos anos 40 e 50, declinou depois com a utilização de tranquilizantes nos tratamentos psiquiátricos. Na época, no entanto, não havia outras formas de tratamento e aliviamento dos sintomas das esquizofrenias severas.
Angiografia cerebral
Imagem das artérias cerebrais (angiografia), domínio público.

Egas Moniz nasceu em Avanca (Estarreja) em 1874. Estudou medicina em Coimbra, onde foi depois professor catedrático. Especializou-se em neurologia e psiquiatria em França, regressando a Portugal em 1911, já no tempo da república, para ocupar a recém-criada cátedra de Neurologia. Nos últimos anos da monarquia e durante a primeira República desempenhou também cargos políticos, afastando-se desta actividade quando foi instituído o Estado Novo.

O seu trabalho foi reconhecido com o Prémio de Oslo, em 1945, e depois com o Prémio Nobel, em 27 de Outubro de 1949.


Saber mais:
Casa Museu Egas Moniz
Página sobre Egas Moniz - site dos prémios Nobel
A controvérsia da leucotomia: artigo de Bengt Jansson (site dos prémios Nobel, em inglês)
Blog de Manuel Correia dedicado a Egas Moniz

18 de março de 2009


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