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Darwin e A Origem das Espécies - duplo aniversário

(foto: SAPO)

Para a biologia, há um antes de Darwin e um depois de Darwin. Foi Charles Darwin (1809-1882) quem pela primeira vez sugeriu um mecanismo plausível de explicação da origem das espécies e da sua evolução ao longo dos tempos. O cientista nasceu há 200 anos, e publicou A Origem das Espécies há 150.

A teoria de Darwin foi revolucionária e enfrentou sérios obstáculos: o evolucionismo contrariava a ideia tradicional cristã de que Deus criara o Homem na sua forma presente e definitiva, pondo assim em causa a posição central do ser humano entre a restante criação. Uma das imagens mais conhecidas do cientista é uma caricatura que o representa com corpo de macaco.

Com o tempo, a comunidade científica acabou por aceitar a teoria da evolução. No entanto, o mecanismo da selecção natural - a sobrevivência dos mais bem adaptados, que teriam mais hipóteses de se reproduzir - foi, e continua a ser, bastante discutido. A influência do darwinismo fez-se sentir não só na biologia, como na filosofia, na antropologia e nos estudos políticos - no fundo, todas as áreas de estudo que têm o Homem e a vida como tema central.

Mais que um estudioso de secretária, Darwin foi um investigador dinâmico no terreno. Recolheu e observou inúmeras espécies e fez estudos geológicos ao longo dos cinco anos de viagem a bordo do Beagle, durante os quais deu a volta ao mundo. Para além das suas próprias observações, enviou para Inglaterra muito do material que ia recolhendo, e que foi estudado também por outros cientistas. Desenvolveu uma rede de contactos extraordinária, como atesta a sua correspondência - pelo menos 25 mil cartas de e para o cientista.

Charles Darwin
Foto:EPA/Mário Cruz © 2009 LUSA

150 anos depois da publicação de A Origem das Espécies, o darwinismo ainda não foi conciliado com a Igreja. O Vaticano promove em Março uma conferência que tratará do design inteligente da criação - uma teoria que tenta conciliar ambas as visões, alegando que a complexidade da vida não pode justificar-se apenas com a teoria da evolução, tendo de haver uma inteligência superior em jogo. No entanto, o tema não será abordado de um ponto de vista teológico ou científico, mas como fenómeno cultural.

Outra das muitas discussões actuais sobre a teoria da evolução prende-se com a questão de até que ponto o Homem, hoje em dia, continua a evoluir segundo os princípios do darwinismo, já que o desenvolvimento científico e tecnológico lhe permite sobreviver, e portanto reproduzir-se, de forma artificial.

Por todo o mundo decorrem comemorações. A Fundação Calouste Gulbenkian inaugura hoje, 12 de Fevereiro, uma exposição sobre Darwin, que estará patente até 24 de Maio, seguindo depois para outras cidades em Portugal e no estrangeiro. A exposição é comissariada pelo biólogo José Feijó, e é uma das iniciativas de comemoração desta instituição. Veja aqui a galeria de imagens. Na Universidade do Porto está patente a exposição Charles Darwin (1809-2009) - Evolução e Biodiversidade.



Imagens:
Jovem Darwin: © SAPO.
Retrato de Darwin na exposição da Gulbenkian: EPA/Mário Cruz © 2009 LUSA

Saber mais:
Galeria de fotos da exposição A Evolução de Darwin
Site da exposição A Evolução de Darwin
Site comemorativo dos 200 anos de Darwin/ Museu de História Natural de Londres (em inglês)
Galeria de imagens: livro Henriqueta, a Tartaruga de Darwin
Vídeo: David Attenborough fala sobre a importância de Charles Darwin
Obra completa de Charles Darwin - textos online
Ilhas Galápagos: O laboratório natural que inspirou Charles Darwin
A girafa, o elefante e o homem: histórias da evolução
Bicentenário de Charles Darwin, o fundador da biologia moderna
Criação e Evolução (artigo da Agência Ecclesia sobre o diálogo entre a fé e a ciência)

11 de fevereiro de 2009


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