Geraçao P

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Testemunhos

  • Diana Sanches


    "Tenho 26 anos e partilho a minha estória com o intuito de, como muitos, deixar aqui o testemunho da minha situação e de alguns colegas da minha área profissional.
    Tirei engenharia do ambiente no Instituto Superior Técnico. Durante a minha estadia nesta faculdade, sempre me disseram que, independentemente do tempo que demorássemos a tirar o curso, arranjávamos trabalho num estalar de dedos. O certificado dali era extremamente valorizado pelas empresas por ser uma instituição de muito prestígio.
    Eu, como a maior parte, não concluí o curso em 5 anos.
    Não trabalhei juntamente com o curso (pelo menos a tempo inteiro como muitos colegas), algo que era extremamente difícil de concretizar naquela faculdade.
    Professores a dizerem: "isso dos trabalhadores estudantes devia ser proibido", era muito ouvido e normal...
    As engenharias não existem à noite, ou pelo menos as que são reconhecidas pela ordem, porque perderiam o grau de dificuldade e qualidade.
    Até posso concordar.
    No final, ainda não arranjei emprego.
    Em 4 meses apenas fui a 2 entrevistas e não directamente relacionadas com a minha área.
    O que há de errado?
    Saímos numa altura complicada. E?
    Onde está a tal valorização no mercado de trabalho?
    Na minha área (Ambiente) há muita legislação a cumprir. São precisos muitos engenheiros do ambiente!
    Revolta-me que só com cunhas e mentiras se vá a algum lado.
    Estou nos dois gumes da espada, pois ao enviar currículos para outros locais (fora da área) tenho de "apagar" o meu curso, se não ninguém me dá trabalho."

  • Margarida Pinto

    "Tirei uma licenciatura em Ciências da Comunicação e fiz um estágio profissional, como não tive grandes oportunidades na área fui tirar outro curso, desta vez em Design Gráfico. Como todos os jovens da minha geração não fugi ao estágio não remunerado. Camuflado com o nome de estágio curricular, embora de curricular não tenha nada porque não foi integrado num curso. Trabalhei como administrativa, como não pretendiam colocar-me efectiva mandaram-me embora. Referências e formação não me falta mas estou à um ano e meio no desemprego. As únicas ofertas de trabalho são estágios não remunerados ou freelancer, nome que está muito na moda para quem anda na vida dos recibos verdes. Vivo na casa do pais e tenho um carro para pagar. Realmente que parva que eu sou! Chamo-me Margarida Pinto e tenho 31 anos."

  • Fernando Palma

    "Nada do que falamos hoje é novo. É claro que eu quero um futuro, como toda a gente. Mas isso ninguém nos pode prometer. Nós é que temos que lutar por ele. Vivemos muito na base daquilo que os nossos avós queriam para nós. “um trabalhinho seguro”, que era para a vida. Coitados dos nossos avós, que trabalharam de sol a sol para que pudéssemos ter alguns estudos e educação.
    Agora o que vemos é a facilidade em passar de ano. A culpa é nossa  de gostarmos de ser facilitados, não só na escola, mas em tudo. Agora é o estado das coisas tal como ela é.

    Há gente mal formada a gerir empresas, e eu conheço muitas. Quando somos geridos por incompetentes, o que acontece é que a cadeia de acontecimentos é o resultado dessa incompetência.

    O que vamos tendo agora é o resultado dessa facilidade, Doutores e Engenheiros mal formados que passaram de ano e se formaram sabe se la como, e vivemos dos titulos e dos penachos que tanto gostamos. Já chega disso, pá.
    Tenho um amigo que me dizia no local para onde ele foi trabalhar, tenho que cair em graça para ver se tenho as mesmas facilidades que os outros. E ele dizia isto com alguma pena de si proprio, e rematava: – eu nao gosto, mas é assim que isto está feito. Pois é e vamos andando nisto. É o sistema pá, nao tem cara nao é? Pois eu conheço algumas e sei onde eles moram.

    O sistema é aquilo que as pessoas fazem dele. Portanto tem sempre pessoas por detras. Mais uma vez vos digo, não facilitem, exigam.
    Isto está mau é um fato, mas se exigirem que se cumpram os vossos direitos, a coisa começa a rolar. Sabemos que a justiça é como é, mas para o bem ou para o mal ela existe. Não se conformem, façam a vossa parte. EXIGAM. "

  • Isabel Carrola

    "Tenho vergonha deste país… Miserável.fuínha e curto de ideias!

    Tenho vergonha dos nossos políticos que apregoam a miséria para o povo  e vivem altamente á custa do nosso sobrevivente dinheiro que qualquer dia nem chega para comer….

    Tenho vergonha der ter de criar 3 filhos sozinha em idade escolar… e de ter um ordenado de 500 euros….e de tirarem cada vez mais os apoios as famílias….

    Tenho vergonha de ter que ter 2 trabalhos em part-time ….precario e abusador da sanidade mental….

    Tenho vergonha de não ser de uma minoria étnica e estar em casa…..

    Tenho vergonha de ter que me levantar as 6h da manha para ter que ir ao médico… e esperar 3h/4h/5h num hospital …..

    Mau…. È que já nem sei do que é que tenho vergonha…. È que tudo é tão mau… que já nem sei por vezes o que dizer aos meus filhos para futuro deste pais á beira mar… ou ficam ou imigrem!

    Fosse eu mais nova era o que tinha feito á muito….

    Não acho que a “geração á rasca” seja dos mais novos, é tão transversal que até mete medo!

    Mas também sei que é assim que se começa uma revolução … que vai fermentando de ideias .. de mudança… e que um dia teremos outra vez um Maio de 69… porque isto é insustentável… cruel… e desumano para nós e para todos as anteriores e vindouras gerações!!! "

  • Ana Dias

    "Sou licenciada há quase 12 anos. Trabalho a recibo verde há 10 anos e há cerca de 3 que acumulo o trabalho como independente com uma ou outra colocação que vou tendo em escola. Tenho duas filhas. Sou divorciada e o pai delas não me dá nada. Não faço queixa dele, porque sei que as principais prejudicadas seremos nós, a ter que levar as minhas meninas a enfrentarem assistentes sócias, psicólogas e juízes. Tenho meses em que nem ganho o suficiente para pagar a Segurança Social, quanto mais para o resto e vivemos assim. Não lhes falta nada, porque eu consigo sempre ir juntando alguma coisa, como a formiga, para os meses que não tenho. Falta-nos é tempo, falta-nos tempo em família. As noites são passadas a trabalhar, a preparar aulas ou a estudar (sim, estudar, porque estou a tirar uma especialização à noite, na esperança de arranjar um trabalho melhor). A minha filha mais velha chora muitas vezes por eu não ter tempo para ela “Nunca brincas comigo e estás sempre a trabalhar.” É horrível viver assim… é horrível não ter tempo para nada nem para aqueles que realmente interessam.  "

  • Gonçalo Cardeira

    "Tenho 20 anos e estou actualmente a tirar uma licenciatura em Vídeo e Cinema Documental. Quando penso no meu futuro a única visão que tenho é da minha pessoa a trabalhar num supermercado ou numa fábrica porque já estou consciente que neste país NUNCA vou ter oportunidade de trabalhar como cineasta, também porque as artes em Portugal estão super SUBVALORIZADAS e muitas pessoas julgam que o facto de alguém ser artista que não é trabalhador, julgam que é um passatempo mas não! Porque existem pessoas que estão dependentes da realização de filmes, da pintura, da escrita tal como um camionista está dependente do combustível.

    Eu decidi entrar para este curso não pelas probabilidades de emprego mas sim por interesse pessoal, já que vou ser desempregado ao menos quero aprender o que gosto. E isto tudo não se aplica só aos cursos de artes, hoje em dia até licenciados em  direito, informática ou gestão estão desempregados e se não estão é porque tem alguma cunha, ou conhecem algum ministro.

    As políticas em Portugal estão erradas, têm que ser mudadas para de uma vez por todas iniciar o progresso social. Chega de escravatura moderna, chega de feridas nos joelhos por causa de certas pessoas INCOMPETENTES."

  • Carla Bailão

    "Chamo-me Carla, tenho 36 anos e sou Professora do 1º ciclo há 8 anos.

    Quer dizer…professora não…licenciada, porque isso de exercer a profissão já tem que se lhe diga.

    Consegui apenas colocação durante um ano. A partir daí…adeus sonho!

    Estive desempregada durante bastante tempo. Outros tempos trabalhei a recibos verdes, tal qual como milhares de outros jovens na mesma situação.

    Outros ainda “ocupava” o tempo em enviar CV´s, ir a entrevistas, esperar por um sem número de respostas que teimavam em nunca chegar…enfim… Cheguei a procurar trabalho em limpezas, restaurantes, sei lá. Perdi a conta à quantidade de propostas a que me propus.

    O cúmulo era a resposta que muitas vezes ouvia:

    “Não tem experiência…”; “Tem estudos a mais…”; “Já tem essa idade…”

    Hoje, e ao fim de alguns anos a “lamber” anúncios em jornais, consegui emprego numa prestigiada empresa nacional.

    O ordenado? 600 EUR agora, porque há 2 anos estava em 500 EUR (faço trabalho de secretariado).

    Perspectivas de vir a ser aumentada não são muitas.

    Choro muitas vezes. Choro de tristeza, de humilhação, até. De raiva, mesmo.

    Mas sabem o que vos digo?

    Mais vale este que nenhum.

    E peço encarecidamente a Deus que me conserve este trabalho com este ou outro ordenado.

    Mas que continue a ter trabalho. Isso é o principal.

    Não quero com isto dizer que não partilhe dos mesmos sentimentos que muitos licenciados por este país fora.

    Partilho.

    Mas continuo a achar que ganhar algum (por muito pouco que seja) sempre será melhor que não ganhar nada."

  • Vera Filipe

    "Tenho 27 anos e também eu faço parte desta geração sem perspectivas para o futuro.
    Comecei a trabalhar cedo, aos 14 anos, quando ainda estudava.


    Pouco tempo depois decidi deixar de estudar, e uns anos mais tarde voltei à escola, para acabar o 12º ano.
    Mas, se soubesse o que sei hoje, não teria perdido o tempo.
    Pouco depois de ter acabado o 12º ano (curso profissional de Turismo), comecei a trabalhar numa agência de viagens.
    E aí começou a aventura ...


    Aí trabalhei durante um ano com promessas de um contrato de trabalho que nunca apareceu. Ao fim desse ano, disseram-me "começas a passar recibos verdes, ou podes arranjar outro sitio para trabalhar."
    Era a última coisa que queria. Entreguei currículos em hotéis, agências, etc etc, de uma ponta a outra do Algarve. A resposta? "Não preenche os requisitos necessários", quando em muitos dos sítios, tinha eu conhecimento de pessoas que tinham menos estudos/"requisitos" que eu. A razão? O dinheiro! Porque toda a gente sabe que quando se tem mais estudos, supostamente se recebe mais.
    Sem solução à vista, tive de me resignar, mas foi-me "prometido" que a "entidade patronal" ficaria encarregue de pagar os descontos para a segurança social.
    Isto aconteceu em Junho de 2009. Em Abril de 2010, ao fim de meses de abusos verbais, de ordenados sempre em atraso, e sem nenhum desconto pago, decidi abandonar a empresa. Tentei, por todos os meios resolver pacificamente a situação, mas até hoje, tenho uma dívida que não é minha na segurança social. Expus a situação à Segurança Social, e a resposta basicamente foi, "desenrasca-te que não temos nada a ver com isso." As empresas fazem o que querem, pois sabem que o estado está do lado deles.
    Desde Abril de 2010 (quase 1 ano) tenho andado dentro e fora de empresas, em trabalhos temporários, pois é a única coisa que se arranja.
    Neste momento sobrevivo à conta dum ordenado de um part-time reduzido, pois foi a única coisa que consegui até hoje. Subsidio de desemprego não tenho, pois fui um falso recibo verde, e o estado não quer saber!
    Trabalhei muitos anos e nunca pedi subsídios nenhuns, pois nunca tive medo de trabalhar, e quando preciso o país vira-me as costas!
    Já não sou uma miúda mas também não sou velha nenhuma como às vezes me fazem sentir quando vou a entrevistas.
    Escusado será dizer, que esperança neste país, não me resta nenhuma.
    Projectos para o futuro? Nenhuns.
    Portugal é e será um país triste e envelhecido, pois por muito que queiramos um futuro, uma família, o governo não nos deixa ter nada!!!"

  • Sérgio Guimarães

    "Estou à rasca...
    Porque sou um falso recibo verde,
    Porque desconto 60% do meu salário para impostos,
    Porque do que me sobra ainda pago uma fortuna para a Segurança Social,
    Porque os preços de todos os produtos não param de aumentar e tenho dias em que só faço uma refeição (o dinheiro às vezes não dá para mais),
    Porque não me posso expressar devido à coação diária que vejo por parte da entidade patronal (pública),
    Porque vejo pessoas a ocupar cargos para os quais não estão habilitadas,
    Porque vejo o dinheiro dos nossos impostos a serem gastos em futilidades e fetiches políticos,
    Porque vejo concursos públicos fictícios, onde mesmo antes de começarem já há destinatários para os lugares,
    Porque vi os meus pais a passarem por imensas dificuldades para eu estudar, e agora?
    Estou à rasca!"

  • Ana Dias

    "Tenho 23 anos, sou licenciada em Análises Clínicas e Saúde Pública desde Outubro de 2010, neste momento estou desempregada porque, infelizmente, em Portugal não há (na minha opinião) empregabilidade para recém-licenciados, das várias propostas de trabalho na minha área que vejo seja em sites de emprego na internet ou nos vários jornais, pedem pessoas com muita experiência (2 anos ou mais de experiência), nós não temos essa experiência portanto nao podemos concorrer. E também há a questão de algumas ofertas de emprego serem fora da nossa area de residência, quando concorremos, o facto de nao vivermos na zona onde se localiza o emprego é factor eliminatório. Assim nem temos oportunidade para mostrarmos o que aprendemos. De facto, é verdade, que podíamos tentar arranjar experiência através dos estágios profissionais que o Sr. Primeiro Ministro falou apoiados pelo IEFP mas desses estágios ainda não vi nada, mandei currículos para imensos laboratórios, hospitais, clinicas, até a estágios voluntários me propus. E nada. No meu caso, os laboratórios nao aceitam recém-licenciados primeiro porque já têm tudo cheio, depois porque com a crise não estão dispostos a pagar-nos os 3 meses de estágio.

    Para irmos para fora, há outro grande problema, a lentidão dos nossos serviços, pedi a minha cédula profissional em Dezembro, chegou dia 11 Março, para ir para fora trabalhar é preciso requisitar um papel que requer o nº cédula.

    E é assim o país em que vivemos..."

  • Carla Duarte

    "Sou licenciada em Artes Plásticas com média de 15 valores e tenho curso de formação profissional em webdesign e multimédia.
    Fiquei feliz da vida por ter conseguido um estágio profissional apenas uns meses depois de acabar o curso! 800 e tal euros há cinco anos atrás, não pareceu nada mal. Fim de estágio, proposta de ficar no quadro. Perfeito!!! Ou não... 467 euros de ordenado... Eu que estava como monitora de expressão plástica, fiquei com a categoria profissional de 3ª escriturária. Calei-me... Antes ter 467 ao fim do mês do que zero! Valeu ter pai e mãe, porque senão nem para transportes o dinheiro chegava! Reclamei. Fui ouvida. Desde então, 657 euros, nem um cêntimo a mais. Já lá vão 3 anos e qualquer coisa.

    Por que me queixo?! Porque entretanto sofri um acidente de viação, que deveria ser (mas não foi) considerado acidente de trabalho. Complicação de saúde como consequência e muitos tratamentos incluindo cirurgia. Bastantes faltas para tratamentos sempre com a devida declaração a justificar. Consequência?! "Tens duas hipóteses: ou passamos a descontar essas horas do teu vencimento ou das tuas férias. Tu escolhes". Escolhi o corte no vencimento. Senti-me frustrada, estúpida e enganada. Tribunal de trabalho com ela! Perguntar os meus direitos. Era ilegal o que estavam a fazer. Apresentei-lhes a legislação que me foi dada... Fui chamada a reunião. "A Carla não está satisfeita com a situação?! Veja lá, se quiser procurar algo melhor para si... Aqui tem que jogar com as nossas regras, se não quiser..." E a Carla começou a disparar currículos. Ao fim de um ano a Carla continua a trabalhar no mesmo sítio. No sítio onde lhe fazem a vida negra só porque ela não baixou a cabeça como todos os outros que lá trabalham e se informou dos seus direitos (apesar de isso de nada lhe servir...). A Carla está a tomar anti-depressivos à um mês e vai continuar nos próximos cinco. A Carla continua a responder a anúncios de emprego, sejam para call-centers ou operadores de caixa. A Carla neste momento não vive, sobrevive no local de trabalho. A Carla sou eu, infelizmente..."

  • João António

    "Sou o João Antunes e tenho 27 anos. Tenho duas licenciaturas - Engenharia Informática e de Computadores e Engenharia Biomédica - a primeira tirada no IST, e a segunda na Universidade do Minho, respectivamente com média de 17 e 16 valores. Depois, tirei um mestrado na segunda.

    Quando chegou a altura de procurar emprego, vi uma mesma função em Portugal e na Alemanha. Em Portugal ofereciam 500€/mês, na Alemanha 6400€/mês. Foi aí que entendi - Portugal é o maior país do mundo para dois grupos: os políticos e os turistas. Os primeiros porque roubam o que querem e de forma totalmente inpune, enquanto que os segundos simplesmente usam as nossas maravilhosas infraestruturas e, quando cai na parte negativa, se vão embora.

    Parabéns, Portugal. De um dos maiores países do mundo, o país dos Descobrimentos, estás é a tornar-te o paraíso dos grandes ladrões. Ah, e a minha resposta de emprego foi óbvia; se volto a Portugal, é por estar de férias, um direito que a lei na Alemanha consagra aos trabalhadores. Já existiu em Portugal, creio eu, antes de governos de gente com licenciaturas ao domingo!"

  • Ricardo Henriques

    "Perante a crise que vivemos nos dias de hoje, qualquer pessoa que pretenda abrir uma Empresa deveria ser apoiado, orientado, acompanhado e ajudado pelas instituições governamentais deste país.
    No entanto, a Câmara da Maia não é dessa opinião.

    Em Abril de 2010 apresentámos na Câmara da Maia um projecto de criação de uma Creche com berçário e Jardim de Infância para 59 crianças, situada na Rua Augusto Simões, 1359, na cidade da Maia.
    Este serviço visa colmatar uma carência na cidade da Maia onde 95% dos espaços existentes não têm estacionamento próprio ou da Câmara.

    Tendo noção das dificuldades inerentes à instalação deste serviço no centro da cidade devido ao estacionamento, encetámos a marcação de reuniões com responsáveis desta edilidade apresentando a viabilidade do projecto, nomeadamente com o do Departamento de Trânsito onde foram expostas diversas soluções para facilitar o correcto movimento de trânsito na rua, citando,

    - Aluguer de dois lugares de estacionamento em frente à casa;
    - Protocolo com estacionamento Status para uma hora gratuita;
    - Recolha e entrega das crianças por educadoras;
    - Policiamento nas horas de ponta;
    - Exigência de cumprimento do estabelecido em Regulamento Interno da Instituição.

    Face às propostas apresentadas obtivemos um parecer verbal positivo, autorização de aluguer dos dois lugares de estacionamento e a solicitação de entrada do projecto na Câmara.
    Juntamente com o processo foram entregues pareceres positivos das entidades competentes obrigatórias para abertura deste serviço de carácter social - DREN, Segurança Social, Delegação de Saúde e ANA, todos estes viabilizando o projecto.

    Em Agosto, contrariando o reunido meses antes, recebemos da Câmara um parecer negativo com base em informações técnicas do Departamento de Trânsito, apontando possíveis problemas de estacionamento tais como,

    - Possíveis estacionamentos em segunda fila;
    - Oferta de estacionamento insuficiente para o serviço;
    - A criação de dois lugares de estacionamento privativo diminuiria a oferta aos restantes cidadãos.

    Contestado o parecer último, em Outubro foi marcada nova reunião, desta vez com o Vice-Presidente da Câmara, tendo este desbloqueado uma vez mais verbalmente o problema do estacionamento, disponibilizando sob condição de aprovação do processo o aluguer de sete lugares de estacionamento à Câmara Municipal (aproximadamente 9000€/ano), ainda assim, recebemos novamente no final do passado mês nova informação de indeferimento, desta feita apontando novos problemas sobre quem converge da Rua Dr. Augusto Martins para a Rua Augusto Simões, passando a citar,

    - Com o estacionamento a sul Rua Dr. Augusto Martins um Pai não andaria 80 metros para deixar as crianças (!?);
    - Com o estacionamento a norte Rua Dr. Augusto Martins retirava a oferta aos restantes cidadãos;
    - Com o estacionamento dividido para norte e sul Rua Dr. Augusto Martins, os Pais não saberiam para onde virar (!?);
    - Sugere a inviabilidade do parecer com base na ocupação de espaços públicos com parque privativo apenas por dois períodos de uma hora, de manhã e à tarde (!?)
    - Chama a atenção para a fragilidade das propostas apresentadas pelos promotores quanto à forma de resolver o problema.

    É do conhecimento de todos os Pais e Educadores que numa Creche/Jardim de Infância o contacto directo com a rua por parte das crianças e por mão dos seus Pais é efectuado principalmente em duas horas do dia, entre as 08.00 e as 09.00 horas da manhã e da parte da tarde entre as 17.00 e as 18.00 horas, períodos estes não considerados horas de ponta pelo Departamento de Trânsito da Câmara da Maia, daí não entenderem os promotores a inviabilidade emitida pela Câmara Municipal da Maia.

    Apesar de todas as presentes questões apresentadas por esta Câmara, nunca foi apresentada qualquer sugestão positiva e efectiva por parte desta Edilidade que apoiasse a continuação do processo e sua consequente aprovação.

    Dois promotores desempregados – marido e mulher com dois filhos - pretendendo contratar colaboradores desempregados do concelho da Maia para um serviço em falta na cidade da Maia, estiveram dez meses à espera de uma resposta viabilizadora da Câmara para instalação de uma Creche, instalação esta impedida face a hipotéticos problemas de estacionamento.

    Este projecto foi inviabilizado pela Câmara da Maia...."

  • Diana Reis

     "Tenho 26 anos e sou Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
    Licenciei-me no pleno de estudos Pré-Bolonha, ou seja, num curso de 5 anos (2002/2007), com média de 14 valores.
    Ganhei o prémio 3% dos melhores alunos da Faculdade de Direito da UC no ano da conclusão do curso (2007) e estou, à semelhança das demais pessoas, desempregada.


    Conclui o estágio na Ordem dos Advogados e tento subsistir trabalhando na advocacia a partir de casa.
    Não tenho escritório, nme posso ter, uma vez que não tenho rendimentos para o "sustentar". Só uma morada profissional no escritório de uma Colega para receber o correio dos Tribunais.


    Inscrevi me no sistema de acesso ao direito e tribunais (conhecido como Advogados Oficiosos), mas o Estado não me paga os processos que faço. Apesar de termos despesas imediatas a partir do momento em que asumimos os processo, podem passar se mais de 10 meses após a sua conclusão sem sermos pagos pelo serviço prestado.
    No mercado de trabalho dentro da minha área não há oportunidades de emprego (sector privado) ou são ocupadas por "amigos, conhecidos ou familiares"  (sector público) de alguém que já lá está (como recentemente aconteceu num concurso para a direcção geral de reinserção social em que ficou graduado em 1º lugar o filho do sub-director geral... veja-se a página oficial da DGRS - Recursos Humanos, concurso para 55 postos de trabalho na carreira de técnico superior).
    Fora da minha área quando verificam o meu curriculum vitae, alegadamente, tenho qualificações a mais. Gostava de perceber o que isto significa....

    À semelhança de todos os demais jovens lutei pela minha formação, ganhei todos os prémios que podia ganhar, usufrui de todas as bolsas de mérito que me quiseram atribuir e julgo me uma profissional competente e de mérito, contudo não tenho lugar no mercado de trabalho, nem tão pouco oportunidade de aceder a ele...

    Passo dificuldades e não sei se não chegarei mesmo, tal como outros, a passar fome, até porque enquanto profissional liberal, estão me excluídos todo o tipo de apoios sociais, uma vez que há uma presunção de rendimento (mesmo que se faça prova de que na prática/realidade não há rendimento algum...).

    Faço parte da Geração P e espero que hoje se faça diferença e se marque o início de uma nova etapa."

  • Francisco Duarte

    "Por vezes acho que nos esquecemos de que esta Geração P não são Apenas Licenciados e pessoas com curso superior, nela também estão inseridas pessoas apenas com o 12º ano para quem é difícil esta ausência de postos de trabalho que por vezes quando existem são tapados por estágios não remunerados, ou em parte pelo centro de emprego. Esta demanda de "estágio verbais" e ausentes de contractos com promessas de permanências nas empresas tem retirado postos de trabalho, tanto a licenciados como gente com qualificações inferiores. Porquê irá uma empresa pagar enquanto podemos ter alguém que está tão desesperado com o trabalho que se dá ao luxo de não receber nada com esperança de entrada nos quadros ? Muita desta situação deve-se a quem aceita estes termos ou ordenados de 450€ sendo explorados ao máximo, trabalhos esses que infelizmente as pessoas são obrigadas a aceitar. Estamos perante um ciclo vicioso."

  • Eurico Segadães

    "O que será dos nossos filhos com tanta corrupção da e na classe politica.

    Caminhamos para o precipício e a classe politica vai-nos empurrar para ele.

    Ouvi ontem na TV que uma geração que não luta não faz sentido nenhum.

    Iremos amanhã sem medo do SIS e da PJ lutar por aquilo que acreditamos.

    O governo serve para representar o povo (acordem Srs. Políticos) não para o colocar na penúria."

  • Anabela Marques

    Tenho 45 anos e sou uma ex-funcionária publica, porque nos anos 90, dediquei-me exclusivamente ao comercio de roupas. Quando senti a inversão económica, foi à cerca de 5 anos, o que me fez voltar à Universidade e começar um novo curso (Geografia). Hoje já estou a terminar o Mestrado e pensar candidatar-me ao Doutoramento. No entanto, paralelamente o meu marido também ficou sem emprego. Como eu digo que "à males que vem por bem...".Resolvemos os dois abrir um negócio juntos. Candidatamo-nos a uma ILE (Incentivo Emprego Local) e abrimos um conceito de um Restaurante Vegetariano cheio de sucesso. A realidade de um patrão de hoje, é que tem de trabalhar muito mais horas de que o empregado e fazer de tudo.

    O tempo para o lazer é reduzido e tem que ser escolhido a pormenor. Começamos o negócio à cerca de 18 meses e já sentimos a necessidade de empregar mais pessoas, o que é muito difícil. Muitas das pessoas queixam-se que não tem emprego, porque na verdade não querem mesmo trabalhar. As pessoas que vinham do centro de emprego só queriam que se assinasse o papel para justificação. De cerca de 40 pessoas, talvez 4 queriam mesmo trabalhar, mas não tinham perfil para tal desempenho. Mas acima de todas estes compromissos de trabalho e estudo, tenho uma filha com 9 anos, do qual não abdico tempo para estar com ela, até se deitar. Ainda tenho responsabilidades sociais numa organização. Tempo? Há sempre. Basta crer muito e traçar objectivos. Empregos sem esforço e empenho? Esqueçam! Estamos já noutra época. Se trabalharmos, venceremos!"

  • José Duarte

    "Tenho 40 anos, chamo-me José Duarte e sou engº Mecânica com curso pré-Bolonha.
    Comecei a trabalhar com 23 anos, como estagiário tendo ficado a trabalhar onde estagiei. 4 anos no total.
    Depois a empresa foi vendida a um grupo estrangeiro e eu o mais novo engº já não havia lugar para mim e saí. Continuei na faculdade à noite (fui trabalhador estudante na faculdade) já tempo inteiro e terminei numm ano lectivo todas as cadeiras que faltavam... e para voltar a trabalhar.... tive de voltar a ser estagiário (no ano 2000) porque ninguém me dava trabalho, nem pelo ordenado que anteriormente tivera como chefe de departamento.... já se assistia ao inicio da diminuição dos ordenados... o euro começava....


    Depois do Estágio fizeram proposta de trabalho com um vencimento na altura de 750 euros que não aceitei. Peguei em todas as bagagens e saí do Montijo, tendo vindo para o Algarve, sem conhecer os meios nem as pessoas... felizmente com contrato de prestação de serviços independente com a empresa onde estagiei... e assim comecei a trabalhar por minha conta.... a recibos verdes... fundei a minha empresa.... até que me cansei e fechei tudo em Dez.2007... o excesso de trabalho era asfixiante, a minha vida particular ficou para trás, os impostos enquanto empresa eram asfixiantes... tudo se pagava.
    Saí da empresa, onde entraram anteriormente outros sócios e 6 meses depois a empresa encerrou, pois tudo estava nos meus ombros.
    Continuei a recibos verdes com clientes, numa situação instável. Fui fortemente atingido pela crise em 2010 pois o meu trabalho está lgiado à construção civil. À rasca com falta de trabalho e já com 38 anos, com optimo CV, mas sem cunhas e já com 38 anos e com um pré-esgotamento... não me interessou muito nem consegui emigrar (as propostas que recebi para Angola para engenheiro eram bastante inferiores às propostas para instaladores com o 9ºano...)...


    E assim em 2010 lancei-me em experiências agricolas em horticultura (tinha comprado uma horta abandonada em Jan.2009 onde pretendia só fazer horticultura e a horta era para a minha recuperação psicológica do pré-esgotamento do excesso de trabalho - um porto de refúgio). As experiências na horticultura resultaram bem, tive aprender á pressa o que nunca fiz (nos livros, net e com os vizinhos velhotes). Neste momento tenho encomendas de produtos para a próxima primavera, para Portugal e para Espanha.
    Faço tudo sozinho , pois não tenho dinheiro para pagar a ninguém. O dinheiro que ganho enquanto engº mecânico, de forma muito variável dá para o meu sustento, para pagar as dividas do empréstimo para comprar a horta e sobra um pouquinho para investir na horta. Tem sido um grande esforço, mas não conto com ninguém e muito menos com Estado.
    A recibos verdes só pago pago pago. Custa-me ser exclusivamente contribuinte perante o Estado Português. Quando estive doente (graças a Deus sou um homem de saude até agora) uma semana de cama, nem os seguros de saúde consegui actuar.... pensava eu que estava protegido no particular...

    Não conto com ninguém, só comigo próprio. Apesar da situação agora não ser boa, é a melhor que já tive até agora (trabalhador por conta de outrém e empresário)em que trabalhava sem fim... agora trabalho ao meu ritmo e no meio da natureza. Mas tive de me virar."

  • Francisco Carvalho

    "Pertenço à geração da ilusão, de que era necessário estudar e ser aplicado para ter um bom trabalho. Digo trabalho e não emprego, porque andei no secundário ao mesmo que trabalhava como caixeiro de supermercado, para ajudar a custear os estudos. Fiz parte do quadro da empresa, até ao dia de ingresso no ensino superior, que na impossibilidade de transferência obrigou-me a rescindir o contrato de trabalho.


    Ingressei inicialmente no curso de Gestão de Empresas, e terminei a licenciatura pós-bolonha no curso de Gestão e Administração Pública, acreditando que o leque de saídas para o mercado de trabalho seria maior, juntando o sector público ao sector privado que o anterior curso já permitia. Mas a verdade, é que muitas vezes, os postos de trabalho, são para os "boys" da política, filhos, cunhados, afilhados, sobrinhos, irmãos e amigos. Conheço nos quadros da Câmara Municipal da minha área de residência, um licenciado em sociologia que está na chefia da secção administrativa.


    Parte do desemprego licenciado só seria resolvido com legislação a emanar pelo Governo. Só deveriam ser presidentes de Câmara, Directores de Escola ou Agrupamentos Escolares, Directores de Centros ou Agrupamentos de Saúde, licenciados em Contabilidade/Economia/Gestão ou Administração, dado serem mais qualificados e sensíveis á coisa pública. Presentemente, vemos Médicos a ser Gestores na Saúde, Professores a ser Gestores na Educação, e nas Câmaras, Médicos, Advogados, Arquitectos, Engenheiros, Professores, ou sem qualquer habilitação ao nível do ensino superior.


    As verbas atribuídas ao Rendimento Social de Inserção, deveriam ser transferidas para verdadeiras políticas natalistas, majorando os abonos de família da classe média, que é mais instruída e cuja descendência pelos seus valores formaria uma sociedade mais justa e trabalhadora, contrariamente á delinquência e criminalidade que somos obrigados a ver nos bairros sociais, dada a sua escassez de valores e instrução, sendo esta uma natalidade que não nos interessa.
    Se houvesse, mais crianças, saiam os educadores e professores do desemprego, as crianças teriam de frequentar, jardins de infância ou creches, que os pais pagariam, seria necessário produzir mais roupas, calçados, comidas especializadas, absorvendo os trabalhadores especializados no desemprego, os gestores seriam chamados a orientar as empresas de produção associadas a estas áreas, os próprios sistemas de reforma e aposentação estariam garantidos.
    Tudo depende é da boa vontade de quem estiver na política. "

  • Patrícia Marques

    "Não sei se sou da geração p, q, r ou de todas as letras.

    Tenho 32 anos, sou mulher, sou mãe, sou trabalhadora, sou estudante, sou filha, sou irmã, sou amiga. vivo com o meu filho de 11 anos. Sou filha da geração do PREC, sempre estudei em escolas públicas até ao 12º ano, e os meus ensinaram-me sobretudo a sonhar, a lutar, e respeitar o próximo.

    Fui mãe aos 21 anos, de uma criança muito desejada, mas não planeada. “Que venha!”, disse a minha mãe. Com o 12º Ano terminado, e um filho com 2 meses para criar, meti mãos à obra, e fui trabalhar. Passei pelas lojas dos shoppings, onde ninguém queria saber de licenças de maternidade, ou de dispensa para aleitamento. Continuei à procura de melhor.

    3 anos, e alguns shoppings depois, fui trabalhar para os escritórios de um conhecido grupo retalhista internacional. O ordenado baixou, mas já não tinha que trabalhar à noite, e aos fins-de-semana. Paciência. Tenho um filho que precisa da mãe, e não tenho com quem o deixar.

    Casei-me, separei-me, divorciei-me, voltei para casa da mãe. O meu filho anda sempre comigo.

    Aos 26 anos percebi que já era hora de voltar a estudar. Tinha deixado o sonho da faculdade para trás. Fiz os exames; passei; entrei. Não posso deixar de trabalhar, e o estado não oferece opções em regime pós-laboral na área de estudos superiores que escolhi, por isso “opto” por uma faculdade privada. Metade do meu ordenado vai para pagar a mensalidade. 11 meses por ano. Sobram 300 euros. Obrigado mãe. Obrigado pai.

    Aos 32, continuo a trabalhar no mesmo sítio, a ganhar menos 10% (são os cortes), sou hoje a pessoa mais qualificada naquela empresa, e também a que tem o menor vencimento. Estou a terminar o mestrado, a fazer estágio curricular, e com a tese em mãos. Acordo ás 5:45 da manhã, e chego a casa ás 10 da noite, de 2ª a 6ª, e ganho 700 euros. Aos sábados de manhã vou com o miúdo aos treinos; e aos domingos … aos domingos? Gostava de descansar.

    Se o mundo fosse minimamente justo, pelo menos o estado seria capaz de assegurar os direitos do meu filho, a receber a ajuda necessária, por parte do pai, que foge como pode à pensão de alimentos, ao material escolar, aos medicamentos, aos mimos, e ao tempo …

     Os meus pais ensinaram-me a lutar. Ensinaram-me a sonhar. Vou ensinar o meu filho também."

  • Pedro


    "Sou desta Geração que para sobreviver tenho que trabalhar árduo para receber 518 euros. Para ter habitações tive que estudar depois de um dia de trabalho para agora não ver recompensado o esforço!!!" 

  • José Mendonça

     "Estou farto desta demagogia dos últimos dias em que tentam rotular a juventude como um grupo de aliterados que só querem é a papinha feita no mercado de trabalho.

    A juventude quer é TRABALHO! Ponto final.

    Trabalho para depois com muita dedicação e esforço, poder aspirar a um emprego com um MÍNIMO de estabilidade e que proporcione expectativas MÍNIMAS de subir na vida ao longo dos anos. Para quê, sei lá, pelo menos para pagar as contas e quem sabe constituir família. Sim até porque o nosso país nem precisa de uma forte taxa de natalidade nem nada... Enfatizo na palavra mínimo pois já sabemos que o trabalho para a vida não existe, mas um mínimo de segurança no trabalho deve existir certamente!

    TUDO está mais caro, os ordenados estão a baixar e agora a nossa democracia mete-nos uma carga fiscal em cima que nos leva grosso modo 50% do nosso rendimento, como se passa nos malfadados recibos verdes, 21% IRS, 29% SS, mais 5% eventualmente. Bom, então mesmo aquele que se safa em arranjar um trabalho é totalmente afogado em impostos, e direitos ZERO.

    Os recibos verdes são um tema fundamental e recorrente, daí ter mencionado, porque para muitas áreas de trabalho são uma fase que precede um contrato de trabalho. Uma evolução comum para muitas áreas será Estágio Profissional – Recibo Verde – Contrato de Trabalho.

    Ah e tal e no resto da Europa é igual! Então pronto, tá tudo explicado, já não se fala mais no assunto, vamos ficar na casa dos pais para sempre... Não é assim que se resolve as coisas!

    A juventude não andou a fazer contratos de PPP’S, obras faraónicas, a comprar frotas de carros, para mencionar uma amostra deste universo despesista que se chama Boycracia.

    O despesismo vocês que o resolvam pois vocês é que o criaram. Vocês são todos os partidos, pois todos eles compactuam uns com os outros pois TODOS têm telhados de vidro e portanto ninguém se atreve a limpar a casa. Isso passa-se em imensas Câmaras Municipais por esse país fora, numa menor escala evidentemente.

    Vamos ficar cá, afogados em impostos, para pagar as pensões dos boys e no fim da nossa vida não temos nenhuma? Não me parece...

    Ou a geração P evolui para geração J, de Justamente tratada em termos de oportunidades e tributação fiscal ou então ADEUS Portugal, a geração P, foi a geração que Partiu... E já não é a primeira... "

  • Marco Silva

    "Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desde que terminei o curso, há sete anos atrás apenas conheci o desemprego por um período de três meses. O resto do tempo, estive a trabalhar a prazo numa seguradora, num centro de explicações, e desde há cerca de quatro anos como tradutor, agora com vínculo efectivo. Tudo poderia parecer estar bem, e provavelmente não serei dos piores casos desta Geração à Rasca, se não fosse o ordenado de pouco mais de quinhentos Euros que recebo por mês.

    Apesar de um currículo que conta com bons conhecimentos escrito e falado de cinco línguas europeias, entre elas o obrigatório Inglês, nem os concursos para a União Europeia me têm valido de muito mais. Começo a perguntar-me porque continuo neste país, que não sabe tirar proveito da mão de obra qualificada que tem. Na verdade, gosto muito do meu país, e é neste país que gostava de continuar a viver. Gostava de ajudar o meu país a tornar-se um país desenvolvido, como é o caso de uma Alemanha, realidade esta que conheço bem. Mas chego à conclusão que os políticos do meu país (independentemente da cor política) estão mais interessados em garantir os tachos deles, do que em usar a mão de obra qualificada que por cá existe para garantir o desenvolvimento deste cantinho à beira mar plantado.

    Não sou daqueles que acha que apenas por ter um curso universitário sou mais do que outros, nem mesmo que isso me dá o direito a uma remuneração alta. Não duvido que muita gente com baixas qualificações é determinante para o nosso PIB. Mas custa depois de tantos anos de esforço para tirar um curso universitário, tanto dinheiro investido em propinas que já na altura não via ser empregues para os fins para os quais eram supostas, depois de tanto dinheiro investido pelos meus pais para me possibilitar uma licenciatura, muitas vezes com muito esforço, ver-me com cerca de quinhentos euros mês, sem ver melhorias.

    Por saber que não sou o único nesta triste situação, aumenta a minha indignação. Como é que pretendem que um jovem consiga sair de casa dos pais, ter a sua própria casa, construir a sua família, com ordenados destes. Que estímulo dá o nosso país para que os nossos jovens se esforcem e estudem? Antigamente diziam: "Estuda para seres alguém e não ires trabalhar para as obras!" Hoje são muitos os licenciados nas caixas dos Hipermercados. Que exemplo estamos nós a dar à nossa sociedade? Que valores estamos nós a transmitir? Que mais vale não estudar, porque no final não compensa? Depois não estranhem que tantos jovens não tenham cultura nenhuma, que vivemos numa sociedade cada vez mais desviada de valores.

    Sou mais um na Geração à Rasca, e por isso, vou aderir ao protesto dia 12 de Março. Sei que este protesto só por si não resolverá grande coisa, mas acredito no poder da juventude, e acredito que se todos nos unirmos, este dia 12 de Março poderá ser um tímido início para um viragem que este país precisa para não ir parar ao abismo para onde caminha a passos largos.

    É por isso que apelo a todos os jovens desta nossa geração, dia 12 de Março, não fiquem calados. Venham para a rua. O país conta convosco!"

  • Inês Corvielas

    "Licenciei-me ainda com 23 anos, em Medicina Dentária. Fui aluna bolseira (a faculdade era privada) e vi colegas meus que guiavam BMW's a receberem o dobro da minha bolsa, enquanto eu contava os escudos para poder almoçar.Levava uma lancheira com umas sandes e uma sopa para jantar. Cheguei a pesar 43 kg.
    Ainda estava a estagiar e tentei montar um consultório para ter trabalho quando saísse, quando toda a gente me dizia - Vais investir nesta crise? Sem pé de meia?


    Um banco empatou-me 5 meses, com a desculpa final que não podia atribuir-me crédito porque eu ainda estudava (coisa que eles sabiam à partida). Com 4 fiadores, lá consegui montar a clínica, mas aí já trabalhava para outro dentista e para a faculdade. Trabalhei mais de 12 horas por dia, trabalhei Domingos e Feriados, trabalhei no Sábado e na 2ª feira de Páscoa e trabalhei no 24 e no 31 de Dezembro. Trabalhei (e trabalho) a recibo verde. Vivi em casa dos meus sogros e pedi empréstimos para ter coisas quase básicas. Fiz créditos para formação complementar.


    Hoje, tenho 2 clínicas, emprego algumas pessoas, trabalho menos (não muito menos) horas, estou a construir uma casinha "decente", guio um utilitário e vou de férias de vez em quando. Tenho uma menina de 6 meses. Tenho 30 anos.
    Nunca fui da geração "vou queixar-me para quê", nunca me acomodei. Lutei, investi, tive saltos de pura fé, luto todos os dias. Nunca me queixei da crise. Nunca meti uma cunha. Nas alturas em que via a conta a negativos nunca baixei os braços. Nunca esperei que o estado me empregasse, nunca me verguei perante um patrão. Soube escolher um curso com saída, estudei o mercado antes de me lançar. Não tive medo de fazer 200km por dia para ganhar mais algum.
    Acredito que tudo o que é preciso para subir na vida é atitude. Ainda há gente neste país que cria a sua própria sorte."

  • Maria Abreu

    "Tenho 39 anos, sou licenciada em turismo, tirei o curso como estudante/trabalhador, trabalhei durante os 5 anos do curso a ganhar uma miséria, a recibos verdes numa agência de viagens, fui despedida porque sofri assédio sexual e não cedi.

    Continuei a trabalhar em agências de Viagens , mas sempre de forma precária.Saturei-me e decidi mudar de sector, na altura o sector da construção civil estava no seu expoente máximo.Fui trabalhar para uma prestigiada empresa de construção civil, como secretaria/agente imobiliária, onde me mantive durante 10 anos.Com a actual crise imobiliária, a empresa entrou em processo de insolvência, estou há 9 meses desempregada. Não há um único dia, que não consulte sites de emprego, estou cansada de mandar curriculos e de não obter resposta. Sou casada, tenho um filho com 3 anos, casa e carro para pagar.

    Pergunto-me todos os dias o que posso fazer para a minha vida dar uma volta de 180º? O que o futuro me reserva? que prespectivas tenho? Não sei....."

  • Miguel Alexandre

     "Aproveito para contar (ou desabafar) a minha história. Há 10 anos licenciei-me em Economia, com média de 16, tendo inclusive ganho um Prémio de Mérito como melhor aluno de Economia na Universidade.

    Depois do habitual estágio, comecei a trabalhar em investigação académica, a recibos verdes,  durante mais de 2 anos, tendo tido oportunidade de escrever, e apresentar em conferências internacionais, artigos de investigação. No final do projecto, não pude continuar este trabalho devido às dificuldades financeiras que afectam as universidades deste país. De seguida comecei um outro projecto técnico, que terminou ao fim de 9 meses porque o Estado cortou o financiamento.

    Decidi, então, respondendo aos apelos que incessantemente fazem aos jovens, ser empreendedor e criar o meu próprio negócio. Pedi um pequeno financiamento à banca e arranquei com uma pequena empresa que chegou a dar emprego a outros jovens. Contudo os elevados encargos criados pelas obrigações fiscais e sociais, assim como os elevados custos do imobiliário em Portugal, para além dos incorrectos comportamentos dos fornecedores e clientes que se apoiam na ausência de justiça célere neste país, forçaram ao encerramento da empresa ao fim de 2 anos e meio de actividade.

    Como me considero uma pessoa dinâmica, não baixei os braços e comecei a procurar, tendo começado a trabalhar para um Instituto Público, como falso recibo verde, pois tinha horário e hierarquia para respeitar, durante quase 3 anos, até que me informaram que precisavam de “renovar as caras”…

    Não desisti e paguei do meu próprio bolso (com as poucas economias que tinha) uma experiência internacional num estágio não remunerado no estrangeiro, no sentido de continuar a enriquecer o meu currículo. De regresso a Portugal e com algumas promessas de trabalho na “mala” comecei a enviar currículos e a fazer contactos… só que as promessas não passaram disso mesmo e não pude preencher algumas vagas indicadas, às vezes por questões meramente de filiação partidária.

    Desde então (já lá vai mais de 1 ano e meio) nunca mais encontrei trabalho (já nem falo em emprego!), fazendo alguns trabalhos ocasionais que não me garantem a sobrevivência. Aqui de nada me serve o currículo e a experiência profissional obtida. Agora falam-me que era melhor aumentar os estudos (mestrado, etc)… mas onde vou ao dinheiro se já o investi todo no currículo e experiência profissional (já fui empresário, lembram-se?) que tenho? Tento, desesperadamente ir para fora do país, mas até agora sem sucesso…

    Entretanto há uns anos casei-me e a minha esposa (também licenciada e trabalhadora precária numa instituição estatal!) está em vias de ficar também desempregada, vítima dos cortes orçamentais ditados pelo Ministério das Finanças… Agora, possivelmente, com este cenário, o próximo passo na nossa carreira vai ser… voltar para a casa dos pais!

    Depois dizem que somos a geração “Casa dos pais”… É triste, não é?!! "

  • Manuel Barros

    "Para quem se lembrou de titular a nova geração, de geração á rasca ou geração P, teve boa ideia, aliás é a realidade. Como é possível agora que todos tem formação académica e não haver empregos?

     Assim continuando como é possível os futuros estudantes terem o seu emprego? Cada vez mais os antigos trabalhadores tem de trabalhar até mais tarde ( na idade ), e então aonde há vagas para a nova geração ? Quanto mais a idade da reforma avançar para a antiga geração, a nova não tem lugar, para quê então gastar dinheiro  a estudar?

    Não seria melhor a antiga geração ser já renovada porque não está integrada nas novas tecnologias, e colocar já a nova geração a trabalhar no que eles aprenderam e se formaram? Não seria melhor optar por este método, pois havendo novas ideologias, mais inovações, tecnologias, pois esta nova geração já tá mais fresca, e com outra garra para trabalhar, não haveria para o País mais desenvolvimento, mais intensivos, e tudo seria mais viável para um futuro melhor?

    Porque será que o poder político não vê tudo isto desta forma, não convém pois não ?....!!!!!!!!!!!
    Será que o povo já não tem a mesma garra dos tempos dos guerreiros que construíram este país ? Ou será que todos estão á espera de serem políticos, porque esta profissão é a que é viável ? Será que o Povo Português vai virar LADRÃO, para isso acontecer basta mudar de governo todos os anos até todos os Portugueses passarem por lá."

  • Fernando Silva

    "Sou licenciado em Relações Públicas e Publicidade pelo Instituto Superior de Novas Profissões e tenho 48 anos. Devem achar estranho que me identifique com esta Geração. Não tanto quando lerem a minha História. Sou pai de uma Filha de 18 anos que frequenta o 1º Ano do Curso de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa. Quando olho para amanhã, vejo uma nuvem bem negra sobre o seu futuro profissional. Tantos e tantos jovens a trabalhar arduamente para serem alguém num mundo cada vez mais cão de má raça, para quem começa. Afinal, qual é o sentido de sermos cada vez melhores, se depois aquilo que nos é oferecido é próprio de quem apenas fez o 2º Ciclo, sem grandes preocupações, antes levando o objectivo primeiro da nossa educação tão ligeiramente, que apetece dizer: “venham mais cinco” (entenda-se cervejas).

    É verdade que a minha Filha ainda não entrou no mercado de trabalho, mas vai fazê-lo garantidamente dentro de poucos anos. Pergunto-me o que vai ela fazer quando os pais acharem que é tempo de ela se “fazer ,a vida”? como vai ela pagar a casa com o ordenado de uma operadora de call center a recibos verdes? Como vai ela ser capaz de pagar a electricidade a receber o Salário mínimo nacional? Como vai ser ávida dela, quando olhar para trás e pensar que investiu tantos anos da sua juventude a tentar ter as habilitações necessárias para poder exercer uma função que lhe dá gozo e que o seu país reconhece?

    A minha Filha não é Rasca, mas o País dela é cada vez mais ao dizer-lhe: forma-te, licencia-te, mestra-te, que só assim podes ser melhor, só assim podes ser alguém num mundo onde só os melhores vingam, onde só assim podes aspirar a ter o que queres, onde só assim podes trabalhar para dar o melhor á tua futura família.

    Pois.

    Eu sou da Geração P. "

  • Franciso Ribeiro


    " O meu nome é Francisco Ribeiro, tenho 27 anos e vejo muitos com a minha idade a incluirem-me numa generalização chamada "geração à rasca". Não me revejo no mesmo. Não se trata de considerar que o nosso país está bem de finanças, pelo contrário. Acho que vai entrar na bancarrota em menos de 5 anos.
     Simplesmente, acho que a nossa geração é em muitas coisas privilegiada para se poder posicionar como mártir, como tem sucedido.

    Falar de passado?
    Até à decada de 60 e 70, qualquer geração não tinha metade das comodidades que temos hoje, desde electricidade, passando pela Internet, direitos, saúde, trabalho infantil. Mesmo aí, o que hoje é cada vez mais certo (como o acesso ao ensino universitário) era um grande privilégio, obtido a custo de sacrifícios de uma dimensão diferente daqueles que hoje também chamamos"sacrifícios".
    Aquela que seria hoje a "geração à rasca" travou o flagelo da guerra colonial. Dispensa também comentários ou comparações.
    Não falemos de guerra, de liberdade ou de fome que não há nada para falar nem de comodidades, ou de saúde que nunca foram tão boas.

    Falar de emprego? Portugal é dos países que oferece maior estabilidade em termos de emprego. Tem certa de metade do desemprego da nossa vizinha Espanha e não é nada fácil despedir, aliás razão pela qual muitas empresas morrem e razão pela qual, os "recibos verdes" são necessários para balançar este provável excesso de estabilidade.

    Falar de educação?
    Hoje, é fácil de encontrar licenciados, mestrados e até doutorados. Nunca foram tantos.
    É fácil obter informação e até auto-instruir-mo-nos no que fôr preciso, nem precisamos de sair da cadeira. Digo-o com a autoridade de quem tirou uma licenciatura e um mestrado que não me ensinaram metade do que sei na minha área de especialização.

    Falar de mobilidade?
    Se isto não chegar, nunca foi tão fácil mudar de região ou país em função dos nossos objectivos e capacidades. Os transportes, os preços, a União Europeia e as comunicações fazem toda a diferença.

    Para mim é difícil perceber esta vitimização. Os aparentemente poucos apoios que temos hoje, nunca foram tão grandes.
    A única coisa que posso concordar, é que esta geração é aquela que teve melhor oportunidade para sonhar e foram dadas mais expectativas de grandeza que, muitas vezes, não foram possíveis concretizar. Mesmo aí, olhando para o país como um todo, o modo como vivem os idosos de hoje, o modo como vivem muitas pessoas de 40-50, não considero que os jovens particularmente mal.

    Talvez, geração "P" de "próxima". Essa sim, já com o nosso país na bancarrota, vai ter de enfrentar problemas que hoje a geração "P" das "Playstations", nem imagina.  Até lá, o que vamos fazer por ela? Listas de facebook, a partilhar o quão à rasca estamos hoje?

    Deixo o contributo que posso,
    é tempo de re-popular os partidos políticos com gente de qualidade, é tempo de usar a Internet para algo útil, é tempo de criar espaços de discussão construtiva por oposição às cantigas com influências de extrema-esquerda, é tempo de compreender o capitalismo num todo (incluindo as necessidades das empresas que hoje são o "inimigo") para também mais jovens poderem tomar a iniciativa. "

  • Andreia Ramalheiro 

    "O meu nome é Andreia e segui o caminho ao contrário. Com isto quero dizer que primeiro apostei na experiência e depois na formação.

    Quando acabei o 12.ano, não consegui entrar na faculdade que pretendia (ISCTE) por décimas face ás provas de ingresso, ainda tentei uma Universidade Privada mas os custos eram elevados.

    Comecei a trabalhar aos 18 anos, num call center, para pagar as minhas despesas pessoais sem dar chatices aos meus pais.
    Com 19 anos, fui para Inglaterra tirar um pequeno curso de contabilidade, o básico, apenas para não estar um ano parada até entrar na faculdade.

    Quando voltei, entrei no ISCAL e fui concorrendo a empregos na área da Contabilidade, no qual consegui o emprego de Assistente do Director Financeiro. É um facto que a remuneração era baixa, mas serviu de impulso. Isto em 2007.
    A partir daí nunca mais parei, mudei de emprego sempre para melhor, até á função que tenho actualmente, numa conhecida Companhia de Seguros.

    É verdade que por razões financeiras tive que congelar a matricula na Universidade, mas vou voltar este ano, não só por razões profissionais como também por ser um objectivo de vida. E mesmo que tenha que optar por ir fazendo o curso conforme posso, a experiência, essa já ninguém ma tira.

    É uma luta, e uma maneira diferente de encarar os obstáculos. Claro que também tive sorte. :)
    Queria apenas partilhar a minha história, que acabou por ser um percurso diferente que o habitual mas que me tem dado bastantes "frutos"."

  • Catarina

    "Estudo jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, faltando-me uma cadeira para terminar a licenciatura. Durante o curso trabalhei na caixa do Modelo, part - time (4h),  a ganhar cerca de 280E, ao fim de dois anos de contrato informaram-me que me iriam despedir, pois não me podem passar para os quadros.

    Trabalhei na Decathlon, part time(6h), caixa, remuneração 400E, com um contrato a termo ( 3 meses - época do Natal), só queriam reforços, pois não podem admitir funcionários para longo prazo, preferem rodar para não ganharmos vicíos de atendimento ( adorei a justificação para o contrato a termo).

    Depois desta experiência andei três meses à procura de emprego, na qual a quase conclusão da minha licenciatura foi um problema, pois para uns era extremamente habilitada para o trabalho e para outros não tinha capacidades, pois não sou ainda licenciada. É 8 ou 80, meio termo não é conhecido pela grande maioria dos empregadores deste país.

    Hoje trabalho vai fazer um ano como administrativa, full time, a ganhar o ordenado mínimo nacional, com um contrato sem termo a através de uma agência de trabalho temporário. Aos 21 anos, penso com tristeza no futuro, pois mesmo quando for licenciada as expectativas não são melhores. A minha área está fora de questão, estágios não remunerados não. Tenho familia em Angola e talvez seja esse o meu destino. "

  • Catarina Amorim

    "Chamo-me Catarina Almeida e tenho 36 anos, infelizmente talvez um dos casos mais antigos desta geração. Sou Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas - Estudos Portugueses, com especialização em ensino. O único ano em que exerci realmente a minha profissão e me senti realizada foi no ano de estágio no ano lectivo de 1999/2000.

    A partir daí vi que as saídas estavam vedadas a quem estava a sair da faculdade. Inscrevi-me logo para fazer um Curso profissional do centro de emprego de Técnica de Multimédia com a duração de um ano e foi com essa formação que consegui trabalhar. Mudei de região, tive de pedir favores, trabalhar de noite, em localidades que ninguém queria, e a recibos verdes, mas foi como consegui entrar no "esquema da formação profissional".

    Trabalho a recibos verdes desde 2003, sempre itinerante, e com longos períodos sem trabalho. Fui explorada, enganada e ameaçada "não fazes há mais quem faça". Fiz imensas formações, sempre dei o meu melhor, e gosto do que faço, ou melhor, fazia. Consegui trabalhar na Escola Profissional mas nunca como interna, o que não me dá um contrato para pedir um subsidio.  É uma situação de instabilidade que nos prejudica a todos os níveis, desde o financeiro ao emocional. Hoje, estou sem emprego desde outubro, com uma filha de sete anos, e sem qualquer apoio porque sou uma "recibo verde". Pergunto-me muitas vezes o que faço?! Já me recusaram empregos por ter habilitações a mais, porque me conhecem e sabem que sou professora (meio pequeno)e sou mal empregada, ou porque tenho uma filha e sou sozinha. Sinto-me completamente encurralada...e definitivamente cansada!"

  • Henrique Cassiano

    "A minha história de vida profissional, embora ainda curtinha, pouco ou nada terá de semelhante com todas as histórias análogas à minha das 2 gerações anteriores à minha, mas que muitas semelhanças terá com tantas outras da minha geração:

    Com um trajecto de vida traçado e o optimismo tipico da adolescência, quase a roçar o naif, abandonei o meu Algarve de sempre, para rumar a Lisboa, porque sempre me asseguraram que na "provincia", dado o centralismo bacoco e exarcebado reinante, dificilmente poderia usufruir de uma preparação condigna para aquilo que a vida me iria reservar. Mas adiante, pois apesar de considerar a falta de equidade regional, e o aprofundamento das assimetrias uma das causas do problema não são estes os tópicos que aqui me trazem...

    Chegado à "grande capital", iniciei com afinco e dedicação o curso de Direito, na prestigiada Faculdade de Direito de Lisboa, esperando eu que o sacrificio daqueles longos 5 anos me iria trazer frutos num futuro proximo.
    Concluida a Licenciatura, confiante e ainda optimista achei-me preparado para tudo, e que estava na hora de arregaçar as mangas e "ir à luta".

    Preparei um curriculum vitae, humilde mas que não envergonhava ninguem, onde constava a conclusão da Licenciatura com média de 13, além do curso de inglês e espanhol que tirei, mais uma vez para me preparar para o "futuro que ai vinha". E comecei a enviar para tudo o que era sitio sem discriminação, desde escritórios ditos grandes aos mais humildes, até empresas de capitais públicos e privados.

    Ao fim de alguma insistência, começaram a chegar-me respostas, o que muito me alegrou! Afinal trabalho havia em Portugal! Mas remunerado é que nem pensar nisso!!!!!! Afinal até já tinha muita sorte em trabalhar ainda queria receber pelo meu trabalho!!! Comecei a questionar-me, mas as respostas que tive foi que sempre foi assim e o sistema sempre funcionou muito bem!! Pois pudera, já os Deolinda o dizem que temos é que estudar para podermos ter a sorte de trabalhar como escravos!
    E por quanto tempo teria de ser assim interroguei eu?
    Pelo menos até entrares na Ordem, ou seja mais de 2 anos!!!

    Comecei então a pensar que se calhar a culpa era minha por ter criado a expectativa de prtender receber por trabalhar num país da Europa, e que o Sistema é que tinha razão e que não valia a pena lutar contra ele...

    Conformado pensei que a única solução era estudar mais ainda e com ainda mais afinco para "me preparar para o futuro", no "exigente" país que é Portugal e iniciei uma Pós-Graduação em Fiscalidade, agora na Católica para não correr o risco de cometer erros do passado.
    Concluida a Pos-graduação, pensei que agora é que era, afinal já tinha um CV melhor do que o do Sr. Armando Vara, e de milhares de boys que por aí andam (e provavelmente conhecimentos e preparação técnica), e vejam bem onde eles chegaram...

    Mas afinal não, após mais de 2 anos da conclusão da licenciatura cá continuo, a pagar para trabalhar e à espera do futuro prometido e que num dia de neblina (quando arranjar um "padrinho") chegará, se Deus quiser e o sistema deixar...

    Retrato de um membro da geração à rasca, que paradoxalmente é a mais qualificada de sempre que este país já viu, mas que as 2 ou 3 gerações anteriores (e não o Socrates) destruiram, ao por em causa a equidade inter-geracional, e transformarem aquilo que deveria ser uma meritocracia num nepotismo reinante.... "

  • Nuno de Sousa

    "Sou licenciado em Física, perfil teórico pela Universidade do Porto e mestre em Fotónica pela Universidade Autónoma de Madrid (UAM). Actualmente sou Investigador Contratado e estudante de doutoramento na UAM.
    Após terminar a licenciatura, iniciei um percurso experimental como investigador, e recebendo uma "choruda" bolsa de 385€. Este periodo, por vontade do meu ex-patrão, seria eterno, pois era mão de obra barata e especializada.
    Depois de perceber o mecanismo, que segundo a minha visão me parece mafioso, de entrega de financiamentos a institutos e a estudantes de doutoramento, descobri que tinha que me mexer para fazer algo da minha vida. Sem dúvida nenhuma que me iriam tentar explorar e chupar-me o sangue até à minha ultima gota.
    Devido à inexistência de industria com R&D, decidi que o estrangeiro era a opção que me restava.
    Espanto meu quando percebi o quão desejados somos no estrangeiro, o quão bem tratados somos e a necessidade que tem de nós.
    Neste momento uma coisa tenho claro: Portugal é óptimo para passar de visita e nada mais!
    No meu caso, as universidades estão obsoletas, sem qualidade cientifica quando comparamos com as universidades estrangeiras. Em termos profissionais, Portugal equivale à estagnação.

    Eu já não luto por Portugal. Portugal abandonou-me e eu não lhe vou estender a mão para o ajudar."

  • Alexandra Pinto

    "Somos sem dúvida a geração que mais dificuldades está a passar...
    Muitos somos nós que aos 30 anos ainda dependemos dos "Nossos Velhos Pias" para comer, dormir e por vezes pra vestir...quanto que nós jovens recém-adultos é que deveríamos estar a cuidar dos nossos pais que durante anos viveram em nossa função....

    Licenciados como eu, quantos são?
    Muitos nem dá para contar as estatísticas existentes falham, não reflectem a pura realidade e levam a querer que todos os licenciados estão empregado!...
    Nós licenciados estamos a fazer qualquer coisa na vida, não temos cunhas estudamos, passámos noites sem dormir para fazer aquela cadeira manhosa.... e o que é que o Governo inventa?

    ORDENS!...
    Agora existe a Ordem:
    - TOC?s;
    -Advogados;
    -Médicos e blábláblá.....

    Isto porque existem profissões com excesso de profissionais....isto foi o que eu ouvi sobre a aprovação da implementação dos exames para se ser admitido na Ordem dos TOC?s (pois é a minha área de formação!).
    É revoltante saber que nessa ordem estão inscritas pessoas com outras formações académicas, mas eu não lhes tiro o mérito, acontece que eu estudei 4 anos contabilidade e finanças até hoje não consegui um estágio por uma razão muito simples:
    Sou de raça negra e isso fere alguns princípios de certas empresas...até porque somos conotados como desprezíveis, gente que só presta para limpar e para obra...são poucos os que conseguem singrar na vida...

    Se estou a ser injusta?....
    Ñ! é a realidade eu projectei de futuro uma profissão e já fiz de tudo e ñ me condeno por isso só que eu sou mãe e quero poder dar tudo de bom ao meu filho (com conta, peso e medida) e quero que ele estude....até ele querer, não vou obrigá-lo a tiarar uma licenciatura ou mestrado e outros graus académicos para ficar no desemprego como EU!....

    Meus amigos temos que continuar a pressionar o governo ñ podemos deixar que nos silenciem!"

  • Patrícia Matos

    "Chamo-me Patrícia Matos e tenho 29 anos. Tenho uma licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas Variante de Estudos Portugueses e Ingleses e se neste momento estivesse em Portugal estaria bem à rasca!

    Terminei a minha licenciatura à 3 anos e o meu marido à 5 anos. Na área dele não era muito difícil na altura arranjar um emprego, a recibos verdes é claro, ou então a receber 500 euros. Os anúncios aos quais ele respondia pediam recém-licenciados com o mínimo de 3 anos de experiência na área. Ora então…ou ele tinha começado a trabalhar 3 anos antes de terminar a licenciatura (algo difícil de acontecer) ou então nem sequer o chamavam.


     Comigo foi um pouco diferente. Ao ver e acompanhar todo o processo pelo qual ele passou pensei: não vou passar pelo mesmo. Ficar anos infinitos à espera de ficar colocada numa escola, possivelmente em “cascos de rolha”, não ganhar para pagar as despesas, ir aos bancos e ver recusados pedidos de simulação de crédito habitação por falta de rendimentos (atenção nem era pedido de crédito era apenas a simulação e não davam). Desistimos.

    Infelizmente ou felizmente emigrámos. E hoje passados 3 anos a minha vida andou para a frente enquanto vejo amigos meus licenciados ainda a viver em casa dos pais, à procura de emprego e a contar cada tostão até ao fim do mês.

     Hoje tenho uma família, uma casa em Portugal e um carro. A que preço? Deixei para trás os meus pais e a minha família. Valeu a pena? Sim… Sou feliz, tenho condições para sustentar os meus filhos, consigo pagar as minhas despesas em Portugal e onde vivo e ainda consigo guardar algum dinheirito para uma emergência.

    Acredito que se tivesse continuado em Portugal estaria ainda desempregada e desesperadamente à rasca de dinheiro para comer.

    Com todo o prazer participaria na manifestação se estivesse aí. Como não estou deixo o meu apelo a todos os portugueses: manifestem-se, façam-se ouvir, expressem o seu descontentamento face a uma sucessão de governos que nada fez para mudar a situação do nosso país. Não se acomodem. Se fizemos um Abril de 74 porque é que não fazemos, por exemplo, um Abril de 2011???  "

  •  Erica Santos

    "A definição da geração rasca, não é mais nem menos a minha história.

    Estudei numa prestigiada universidade portuguesa o curso de engenharia civil, terminando-o com média 16. Foram anos de trabalho árduo e rigoroso, para ser alguém na vida. Após a conclusão do curso comecei a enviar curriculum para empresas e todos os anúncios que encontrava na internet. A localização geográfica do emprego não me interessava, mas sim trabalhar. Ao fim de 100 currriculum enviados, e 3 entrevistas de trabalho decidi dizer CHEGA, até porque a remuneração oferecida pouco dá para sobreviver. Fiz-me à luta e vim para Inglaterra, mais propriamente ilha de Jersey onde tenho família. Hoje, passados 2 anos da conclusão do curso, trabalho como empregada de limpeza em casas de idosos.

    É certo que não trabalho na minha área de estudo, mas que sou feliz. Porque vejo e sinto todos os dias o enorme respeito que as famílias para quem trabalho sentem por mim, e a forma como ao fim do mês não exitam em aumentar o ordenado. Trabalho 9 horas por dia e ganho à volta de 2500 euros mensais. Neste momento vejo muitos antigos colegas de curso em casa sem trabalho…

    Algo tem de mudar no nosso país."

  • Josélia Bruno

    " Tenho 26 anos sou Licenciada em História pela FLUL. terminei o curso há 3 anos, e sou Geração P. durante 1 ano fiz baby sister (ganhava 150 euros) por mês. depois foi trabalhar para 1 fábrica de tratamento e escolha de lá de ovelha (sem luvas, nem máscara) tal e qual como vinha das tosquias, o contrato de trabalho foi de 3 meses (ordenado mínimo). depois tive 2 meses como recepcionista numa clínica (350 euros - a recibo verde). foi sempre apostando na minha formação: tirei o CAP,fiz formações modulares. e cursos livres relacionados com a minha área de formação. Há 2 anos estou numa projecto (GIP - Gabinete de Inserção Profissional), numa Associação Local.

    Este projecto poderia ser a contrato ou a Recibo verde ficava a cargo da entidade decidir - Estou a recibo verdes a receber 698 euros, a pagar mensalmente 165 euros de Segurança social, sem contar com 170 euros (3 vezes por ano para o IRS). Quando me fizeram a entrevista disseram-me logo que era a Recibos verdes, só soube da hipotese de contrato posteriormente (noutros contextos). vou enviando Cvs, já concorri p vagas onde pedem o 9º Ano ou o 12º Ano, e o que dizem é que tenho habilitações a mais. O Projecto termina no final deste mês, podendo ou não existir hipotese de renovação.
    É o país que temos."

  • Liliana F. Verde

    "Sou licenciada em Línguas e Literatutas Clássicas e Portuguesa, tenho uma pós-graduação em dislexia e uma especialização em ensino especial. As formações que frequento anualmente são imensas, as iniciativas em que estou envolvida são muitas. Já estive na Finlândia a dar aulas, tendo conhecido o seu sistema de ensino por dentro.

    Qualificação, mérito e espírito de iniciativa não valem nada neste país? Ao que parece não é suficiente. Há 6 anos que mando cerca de 500 "curricula vitae", por correio, para escolas e instituições várias, procurando garantir um trabalho todos os anos. Todavia, é sempre tudo uma incerteza, se em Setembro terei ou não trabalho.


    Nunca estive desempregada, mas tive, sempre, de me sujeitar a tudo o que me aparecesse, desde servir às mesas até às explicações (ainda que a preço simbólico), passando, claro está, pelos vergonhos falsos recibos verdes, pelos contratos, pelos concursos de professores que apenas nos dizem se estamos ou não colocados em Setembro e que excluem quem trabalha no ensino privado (como se isso fosse, em Portugal, uma escolha!).

    As entrevistas a que tenho ido são momentos detestáveis. Já vi de tudo:

    a) perguntarem-me se estou disposta a trabalhar a recibos verdes;

    b) perguntarem-me se sou casada ou tenho filhos;

    c) perguntarem-me se posso trabalhar de dia e à noite, e se posso ficar na escola depois das aulas;

    d) esquecerem-se de que tinham uma entrevista marcada;

    e) mandarem-me vir a uma 2.ª entrevista que deu em nada;

    f) dizerem-me que procuram uma pessoa com mais idade (mas mandam-me ir à entrevista quando a minha data de nascimento até está no "curriculum vitae" que envio);

    g) dizerem-me que não tenho a experiência que procuram;

    h) numa escola onde estive, a cor política é que mandava (nem sei como é que lá entrei...).

    Conheço quem tenha trabalho de tempos a tempos, precariamente. Conheço quem faça, todos os dias, horas extra e não seja pago por isso. Conheço quem estagie sem ser pago pelo seu trabalho.

    Nunca recorri a cunhas. O mérito é a minha palavra de ordem. Infelizmente, este país não se rege por essa medida.

    Vejo este país a definhar a cada dia que passa. Vejo injustiça. Vejo compadrios. Vejo uma falta imensa de exigência e de rigor. Vejo que ficamos para trás quando comparados com outros países. Vejo má política.

    No dia 12, vou manifestar-me contra as condições precárias de trabalho, vou manifestar-me pelos valores, vou manifestar-me por uma nova política e pela justiça."

  • Filomena

    "Olá, Chamo-me Filomena e tenho 33 anos.

    Acabei a minha Licenciatura em Engenharia Química no ano de 2002. Desde aí, já fui Delegada da Informação Médica a Recibos Verdes e a viatura própria era o Metropolitano de Lisboa. A seguir, estive no desemprego.

    Seguidamente, comecei como Bolseira de Investigação em 2004 e na qual continuo até aos dias de hoje. Como Bolseira faço trabalhos rotineiros, ou seja, determino análises para clientes. Estou sob pressão porque tenho prazos a cumprir e se não os cumpro alegam que existem mais pessoas que querem o meu trabalho.

    Nestes anos em que fui Bolseira de Investigação, concorri a outros empregos, mas nas entrevistas percebe-se que preferem pagar pouco mais que o ordenado mínimo e sob exploração. Perguntam-me se estou a pensar em ter filhos e se sou casada, as entrevistas de emprego para outras cidades são marcadas para o dia seguinte de manhã e recusam fazer entrevistas por telefone. Dão a entender que o trabalho já está destinado para as gentes locais para não terem que pagar mais pela residência.


    E é assim, especializei-me entretanto com um Mestrado e Engenharia Química Aplicada para solidificar os meus conhecimentos…o que me dizem nas entrevistas é que tenho conhecimentos a mais para esse emprego. Recusam-se a pagar mais por uma pessoa especializada. Ficam com o meu contacto, mas depressa o tiram dos dados da empresa.

    Inscrevi-me no desemprego para ver se tinha alguma hipótese, mas em vão, nos meses em que tive inscrita, tinha que ir a reuniões no IEFP e como não compareci porque sou Bolseira de Investigação e tenho que me apresentar todos os dias para picar o ponto às 8.15 e sair às 17h, tiraram-me a Inscrição do IEFP…Conclusão: Não conto para as estatísticas Nacionais.

    Este é o meu testemunho e tal como eu, estão a trabalhar comigo muitas outras pessoas que são Bolseiras também e nas mesmas condições. Algumas já são mães. Eu para lá caminho e continuo Bolseira e o meu Namorado está desempregado.

    É o Portugal que temos. Espero que tenha contribuído para que alguém ao ler este testemunho se identifique também!!"

  • Cristina Silva

    "Eu sou licenciada em Gestão de Empresas pelo ISEG desde 2004 e trabalho num instituto público há cerca de 6 anos. Trabalho mas não sou funcionária... renovamos contrato todos os anos através de empresas de trabalho temporário que vão ganhando os concursos públicos abertos anualmente pelo referido instituto... ou seja, sou temporária há 6 anos, qualquer que seja a definição de temporário (eu a pensar que temporário era um serviço prestado no máximo 12 meses).

    De realçar que uma empresa de trabalho temporário pelo facto de ser intermediária recebe pelo menos o dobro do nosso ordenado. Estamos a falar de dinheiro público... Afinal a contratação de temporários está a custar o dobro de um qualquer contrato de trabalho normal.

    Casei, comprei casa com recurso a fiadores porque não sou efectiva... Ridiculo pensar que no próprio banco foi esse o único argumento apresentado... afinal os fiadores até ganham menos do que eu mas são efectivos num país onde já não há efectivos...

    Ao fim de quase 6 anos sai um diploma (Portaria n.º 4-A/2011) a determinar limites à contratação de serviços e avisam me que vou ficar desempregada porque afinal de contas sou uma temporária... há 6 anos... mas uma temporária.

    Casada... é claro que em qualquer entrevista a primeira coisa que perguntam é se tenciono ter filhos... ok... fica pra próxima...

    E vamos adiando o futuro... e vamos dando o exemplo através de instituições públicas..."