http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/ 0 pt-pt 39 2007, PT.COM Categoria Geração P Root Category 39 Geração P Root Category - Geração P http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/10/26/testegaleria/index.html 2011-10-26T17:45:49Z Geração P teste http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/10/26/testegaleria/index.html http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/07/04/movimento_12_de_mar_o_organiza_p/index.html

Os organizadores do Protesto da Geração à Rasca juntam-se a três movimentos para fazer um piquenique no Parque Eduardo VII.

O M12M - Movimento 12 de Março, a ABIC - Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, a CGTP-Interjovem e a JOC – Juventude Operária Católica vão organizar no próximo sábado (9 de julho) um piquenique aberto ao public no Parque Eduardo VII em Lisboa.

Segundo os promotores, a colaboração entre as quatro organizações demonstra que é possível unir esforços por uma causa comum e será um ponto de partida para futuras sinergias com estes e outros movimentos.

No comunicado enviado às redacções, a organização explica que não vai ocupar a Avenida da Liberdade tendo no entanto autorização para se instalar no Parque Eduardo VII, onde promoverão debates, mesas redondas e estarão em discussão novas formas de participação.

“É essencial debater os anseios e sugestões de todos sobre a luta contra a precariedade, num momento em que nos são impostas medidas externas que vão aumentar a falta de democracia no trabalho", diz Francismo Venes, um dos organizadores da manifestação que, a 12 de Março, levou quase 500 mil pessoas às ruas de todo o país.

Aos debates junta-se a música, com presence confirmada dos Peste & Sida e do rapper Chullage, entre outros concertos. A organização espera a participação de pessoas de todo o país, ajudando na disponibilização de autocarros que possam levar os participantes até ao Parque Eduardo VII.

@SAPO 

 

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2011-07-04T12:10:06Z Geração P Movimento 12 de Março organiza piquenique contra a precariedade http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/07/04/movimento_12_de_mar_o_organiza_p/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/04/24/jovens_eua/index.html

João Santos Matos é jornalista. Chegou aos Estados Unidos há sete meses já com a certeza de um posto de trabalho que em Portugal deixou de ter. Vê a América do Norte como o “país das oportunidades”, numa altura em que trabalhar na área se tornou “complicado”.

“Num momento em que a maioria das empresas de media trabalha maioritariamente com estagiários não remunerados, deparei-me com duas opções: ou mudo de profissão para sempre ou mantenho vivo o meu espírito de jornalista, mas noutras paragens”, explica à Agência Lusa.

Licenciado em Ciência Política em Lisboa, João passou por dois grupos de media portugueses sempre ligado ao jornalismo automóvel, até que por “alegados cortes financeiros" a Motorpress Lisboa procedeu a “um despedimento coletivo”.

Foi por iniciativa própria que entrou em contacto com diversos meios de comunicação no estrangeiro acabando por ter um ‘feedback’ “positivo” do diário português 24horas de Newark, perto de Nova Iorque.

Apesar das saudades, o regresso “não faz parte dos planos futuros”. A percepção do Estado do país é-lhe dada pela informação dos meios de comunicação e pelo que os amigos e familiares descrevem.

Também Sónia Barros, outra jovem emigrante há quatro meses nos Estados Unidos, considera que “o país está numa situação muito complicada”, o que a faz adiar o regresso.

“Quero voltar, mas não para já. Estou à espera que a situação melhore. Se isto continua assim, não sei como vou fazer”, diz a jovem ‘bartender’ que vive perto de Nova Iorque.

A jovem de 22 anos não encontrava trabalho depois de ter tirado um curso profissional de desenhadora projectista. O “potencial” dos Estados Unidos e a procura de uma vida melhor motivaram a escolha de Sónia.

As condições de Paulo Cunha são outras. Nascido nos Estados Unidos, regressou a Valença com quatro anos de idade. Vinte anos depois, optou por voltar ao país que lhe deu a cidadania. Em Newark, tem familiares e oportunidades que os estrangeiros não encontram.

“O cartão verde traz oportunidades que outros não têm. Posso trabalhar em empresas norte-americanas sem problemas”, explica.

Em Portugal, trabalhava como distribuidor de gás, mas o ordenado era insuficiente. A “vida melhor” que procurava nos Estados Unidos acabou por se revelar “diferente”.

“Estou cá há três meses e por enquanto não se trata bem do que esperava, mas espero que com o tempo melhor”, reconhece Paulo Cunha.

A hipótese do regresso também está afastada “para já”, até porque em Portugal o ordenado era insuficiente e Paulo era obrigado a viver com os pais, com uma idade em que quer “ser independente”.

“Se me correr bem aqui, não volto. Apesar das saudades, não penso regressar em breve. Lá estava a receber pouco e foi por isso que optei voltar para os Estados Unidos”, acrescenta.

Em comum, não têm apenas a juventude e os motivos para emigrar. Num país separado por um oceano de casa, partilham também uma certeza: o regresso, para já, está fora de questão.

@Lusa

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2011-07-04T12:07:12Z Geração P Falta de oportunidades em Portugal leva jovens a procurar melhores condições nos EUA http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/04/24/jovens_eua/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/04/07/o_poder_da_queixa_/index.html

Os milhares que sairam à rua no passado dia 12 de Março deram a cara a uma realidade da qual até há 5 anos atrás nem se falava. O movimento FERVE – Fartos destes Recibos Verdes – nasceu com essa nova realidade.

Ao lado de outros movimentos como os Precarios Inflexíveis, tem sido megafone para situações de precariedade laboral. Mas vão mais longe: denunciam, pressionam, e colocaram uma nova realidade laboral no mapa.

Os Precários Inflexíveis nasceram há 4 anos com o primeiro "may day" em Portugal, um dia de protesto dos trabalhadores precários, assinalado a 1 de Maio.

Recebem diariamente denúncias de casos de trabalho irregular mas o poder da "queixa" é difícil de avaliar. Ainda assim, o crescimento e visibilidade dos casos de irregularidade laboral já chamou a atenção da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

Grande parte da sua atenção centra-se agora no trabalho não declarado e dissimulado e a ACT vai mesmo avançar com uma campanha nacional subordinada ao tema já em 2012.


Reportagem: Vera Moutinho

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2011-04-07T17:14:29Z Geração P O poder da "queixa" http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/04/07/o_poder_da_queixa_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/04/06/playlist_da_precariedade_as_can/index.html .

"Geração de deolindos", "parva", "à rasca" ou "precária" são algumas das denominações que têm surgido. Mas embora seja a mais mediática, esta não é única canção que tem abordado questões centrais para muitos jovens. Entre o protesto e a sátira, não faltam vozes que tentam traduzir a(s) realidade(s) de uma geração.

Mudam-se os tempos mas não as emoções

Noutros tempos, Zeca Afonso, Vitorino ou Sérgio Godinho deram eco aos receios e ambições de um país em mudança, traduzindo questões que marcaram uma época. Se os dois últimos ainda fazem não só, mas também, o retrato de Portugal (ouça-se "Só Neste País", de Sérgio Godinho, em 2006), o legado do autor de "Os Vampiros" serve de inspiração para outros músicos.


Como os Couple Coffee, que o homenagearam no disco "Co'as Tamanquinhas do Zeca!" (2007). "O Zeca é um compositor actual, diário, e a minha voz também. Quisemos renovar o verbo, trocar a roupa das canções com um novo arranjo ou uma nova forma de cantar", explica a vocalista do grupo, Luanda Cozetti, ao SAPO Notícias.


"Os tempos mudam mas as emoções e os problemas são os mesmos", acrescenta, elogiando a intemporalidade das canções de Zeca Afonso mas também "Parva que Sou", dos Deolinda. "É o mesmo assunto mas o vocabulário é actual, é novo, e a relação é a de uma pessoa igual a você, não de alguém que já está no Olimpo mas de alguém que está ali no dia-a-dia", conta a cantora brasileira ao contrastar abordagens de épocas diferentes a questões sociais.


Além de reinterpretar canções de Zeca Afonso, Luanda Cozetti colaborou com  Vitorino ou Sérgio Godinho, "pessoas completamente inseridas no seu tempo, interventivas no seu quotidiano", considera a artista para quem "a canção é sempre uma arma".

Quando o ritmo e poesia acabam em protesto

Praticamente indissociável de questões sociais, o hip-hop começou a ter vozes nacionais em meados dos anos 90 e, desde então, tem espelhado realidades nem sempre focadas noutros géneros. Sam the Kid, Mind Da Gap, Boss AC, Valete, Dealema, Micro ou Xeg são alguns nomes de um crescente lote de trovadores modernos, aliando batidas às palavras com uma atitude frequentemente interventiva.

"Tento, mas eu não me aguento/ a ganhar quinhento com uma vida de seiscento/ tudo tem aumento menos os salários/ são assembleias a fazer de nós otários", canta Bezegol em "Fora da Lei", um dos exemplos mais recentes a focar as desigualdades económicas, tema caro ao hip-hop (neste caso, com contornos mais reggae).

Tal como esta canção do DJ dos MatoZoo, banda de Matosinhos e uma das primeiras a cantar hip-hop em português, também "Portugal aos Portugueses" reflectiu um país de contrastes: "Portugal de Joe Berardo e de Belmiro de Azevedo/ e aquele dos desempregados e precarizados do recibo verde", disse Chullage em 2008 na letra da canção. "Não podemos agendar sonhos", conta ao SAPO Notícias o rapper residente no Seixal, que se revê também na letra de "Parva que Sou", dos Deolinda. "Nós temos falado disso, foi fixe a música furar e trazer à luz do dia um protesto que vem de há muito tempo", revela.

Um país cantado pelo rock

Ao falar, ao SAPO Notícias, sobre a cantiga enquanto arma, Jorge Cruz defende que "as canções não mudaram absolutamente nada". O vocalista dos Diabo na Cruz também não considera que existam cantores de intervenção.

"O Zeca Afonso, o Sérgio Godinho ou o José Mário Branco são grandes músicos, grandes compositores de canções", conta. Por isso, o protesto ou a crítica social nunca estiveram entre as preocupações da sua banda: "Nunca houve crítica social, quando muito há crítica de costumes, daquilo que é a nossa natureza humana e cultural. Interessa-me a nossa realidade, com os seus defeitos e virtudes. (...)Mas a crítica momentânea não tem grande interesse para mim".

À semelhança dos Diabo na Cruz no disco de estreia "Virou!" (2009), muitos outros projectos nacionais têm aliado heranças da música tradicional a linguagens do pop-rock.

Os próprios Deolinda, mas também os Virgem Suta ou os Oquestrada, entre outros, condimentam essa mistura com doses generosas de ironia. O resultado são crónicas de um país onde o humor é ferramenta habitual, mesmo - ou sobretudo - quando falam de coisas sérias.

Mais próximos do rock do que da música tradicional, cantautores como B Fachada, Manuel Fúria ou Tiago Gillul (todos da FlorCaveira, também a editora dos Diabo na Cruz), deixam igualmente uma "crítica de costumes" nas entrelinhas das suas canções. Em "Um Dia Não São Dias Não", Nuno Prata, outro nome da nova geração de rock em português, faz um retrato de um dia de folga agridoce - não deixando de lado a conturbada situação laboral. "Tenho um emprego precário/ Um part time temporário (...) Também já fui avisado/ Que no fim do mês vou ser dispensado/ A crise é a justificação", entoa o ex-baixista dos Ornatos Violeta num dos temas de "Deve Haver" (2010).

Inadaptação, intervenção e televisão

"Não me considero um músico de intervenção no sentido da acção política programática, à maneira dos idos anos revolucionários, mas, de vez em quando, não consigo evitar a introdução, nas minhas canções, de pequenas descrições que sugerem a existência de uma série de gente e de situações na vida deste país que me provocam o vómito e a exaltação da diáspora", explica JP Simões ao SAPO Música numa entrevista que pode ler-se na íntegra aqui.

Além de discos a solo ou com os Belle Chase Hotel, o cantautor conimbricense editou também um álbum com o Quinteto Tati. E é em "Exílio" (2004) que se encontra "Rumba dos Inadaptados (A Morte do Jovem Contribuinte)", uma das suas canções mais incisivas - ou não tivesse letras como "Com 23 anos/ Já não faço planos/ Para quê fazer?/ Eu vivo da esperança/ Na vaga mudança/ Que nunca vai acontecer".

JP Simões conta que essa canção "fala, entre outras coisas, sobre o fosso que há entre o que é vendido às pessoas em idade escolar como sendo a atitude certa para uma boa cidadania e o que na prática é realmente o modo boçal de agir da generalidade dos cidadãos e das instituições que vendem essa pedagogia. Hoje, como se tem visto, ser um bom estudante e um cidadão exemplar contribui mais para que as pessoas se sintam trouxas (e com toda a razão e mérito) do que para o feliz desenvolvimento do país".

Dos "trouxas" aos "parvos", de 2004 a 2011, o cenário que os Deolinda cantam não parece muito diferente. Mas se há muitos jovens (e não tão jovens) que se revêem na canção da banda de Ana Bacalhau, o acolhimento não tem sido consensual. "Acho estranho aquilo ter aparecido nos telejornais todos de um momento para o outro (...) como se fosse um acontecimento nacional de suma importância", sublinha João Peste ao SAPO Notícias.

Ainda a propósito de "Parva que Sou", o vocalista dos Pop Dell' Arte acrescenta que, "se é o manifesto de uma geração, então é uma geração com muito pouco para dizer". Já Luanda Cozetti sentiu-se "tocada pelo tema" e considera que "uma boa canção de intervenção coloca uma pergunta". "E esta canção passou a ser de todo o mundo. Todo o mundo canta ou escuta esta canção, para dizer que sim ou para dizer que não. Mas o importante é que se perguntou", conclui.

Reportagem: Gonçalo Sá

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2011-04-07T18:18:13Z Geração P Playlist da precariedade: as canções de uma geração à rasca http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/04/06/playlist_da_precariedade_as_can/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/04/04/na_casinha_dos_pais_/index.html

Concorreu a tudo, de professora a carteira dos CTT. Sem futuro à vista, começou a construir o seu: está no penúltimo ano do curso de Medicina. Chegou a viver dois anos numa casa alugada, perto da Faculdade de Medicina, para facilitar os estudos. Acabou por regressar para a 'casinha dos pais'.

Reportagem: Vera Moutinho

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2011-04-04T11:21:11Z Geração P Na 'casinha dos pais' http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/04/04/na_casinha_dos_pais_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/04/02/gera_o_rasca_quer_iniciativa_/index.html

Esta foi uma das conclusões que saiu da primeira assembleia popular do movimento no Porto onde estiveram reunidas várias dezenas de pessoas.

Para já, explicou Inês Gregório, uma das representantes, o primeiro passo é “abrir o assunto à discussão para a construção do texto” a ser apresentado e a reunião de 3.500 assinaturas.

Durante a reunião foram apresentadas várias propostas tendo uma delas sido a do ex-candidato presidencial José Manuel Coelho que disponibilizou o seu partido aos manifestantes para poderem participar nas próximas eleições de 05 de junho.

“O partido está à vossa disposição como quiserem”, afirmou para logo acrescentar: “vocês é que vão mandar nas listas”.

A proposta do ex-candidato não foi bem aceite pela maioria dos presentes que disseram mesmo que juntar ou criar partidos é “matar o movimento”.

Ainda assim, Inês Gregório defendeu que esta proposta “faz sentido como qualquer outra”, lamentando apenas que tivesse sido apresentada no início da reunião o que acabou por “focar as questões seguintes” nesse tema.

Outras propostas passaram pela união dos vários movimentos populares que existem atualmente, congregação de ideias e “convergência na diversidade” que irão a partir de agora ser aprofundados por grupos de trabalho hoje criados.

Quanto à Iniciativa Popular Legislativa, Inês Gregório considera que será uma vitória se o texto for apresentado na AR, para votação, até setembro, destacando que o projeto está também a ser debatido pelos representantes do movimento em Lisboa.

Pretende-se que a proposta verse questões laborais como os falsos recibos verdes, a redução de contratos a termo de três para um ano ou a limitação das empresas de trabalho temporário.

Lusa

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2011-04-02T10:08:36Z Geração P Geração à Rasca quer iniciativa legislativa popular contra precariedade http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/noticias/2011/04/02/gera_o_rasca_quer_iniciativa_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/25/gera_o_rasca_depoimentos_e_p/index.html

Os documentos foram recolhidos durante a manifestação do passado dia 12 e são "a voz das pessoas" em situação precária, de acordo com Paula Gil, do movimento "Geração à Rasca", que hoje entregou nas mãos do presidente da Assembleia da República estes contributos. Os organizadores do Protesto tinham pedido na altura aos manifestantes para levarem propostas e reivindicações relativas à sua situação de precariedade laboral.

A manifestação juntou cerca de 300 mil pessoas em protesto por todo o país.

Os documentos foram recolhidos durante a manifestação do passado dia 12 e são "a voz das pessoas" em situação precária, de acordo com Paula Gil, do movimento Geração à Rasca, que hoje entregou nas mãos do presidente da Assembleia da República estes contributos.

Além de depoimentos de portugueses, com uma situação precária, o acervo que a partir de hoje fica nos arquivos do Parlamento contém contribuições para a resolução destas dificuldades, embora Paula Gil se tenha escusado a revelar algumas delas.

Paula Gil congratulou-se com a recetividade de Jaime Gama e disse esperar agora que os documentos que a ele foram entregues sejam consultados por todos, "dos políticos aos empregadores, pelos sindicatos e pelos cidadãos em geral".

À saída do encontro, Jaime Gama congratulou-se pelo mesmo decorrer na Assembleia da República e sublinhou que o acervo está à disposição não só dos grupos parlamentares como de todos os cidadãs em particular.

Jaime Gama recusou-se a interpretar este movimento, no entanto, afirmou: "a realidade é a realidade e deve ser acompanhada e compreendida". Questionado se entende os motivos do protesto, Jaime Gama disse apenas "todos os protestos têm algumas razões".

@SAPO com Lusa

+ As caras e os protestos da Geração "à rasca"

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2011-03-25T11:28:52Z Geração P Geração à Rasca: Depoimentos e propostas disponíveis no Parlamento para todos os portugueses http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/25/gera_o_rasca_depoimentos_e_p/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/24/inspector_geral/index.html José Luís Forte, inspector-geral do trabalho, recusa a ideia de que a pergunta nº 32 dos Censos 2011 relativa aos “falsos recibos verdes” esteja a ocultar a realidade.

Em entrevista ao SAPO Notícias, José Luís Forte disse não acreditar que o INE queira camuflar a realidade dos falsos recibos verdes em Portugal.

“É uma leitura dos Censos. O que querem saber é quem está efectivamente a trabalhar independentemente da modalidade”, esclareceu.

José Luís Forte ainda não tinha conhecimento da questão incluída no questionário dos Censos 2011, mas recusa qualquer tentativa de ocultação da realidade por parte do INE e diz que a questão não atrapalha o trabalho da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

“O Censos terá tido algum receio de falta de rigor, porque a leitura que cada um faz de estar ou não a falsos recibos verdes é subjectiva”, afirmou o inspector-geral do trabalho.

Em Fevereiro deste ano a ACT dedicou uma semana de acção inspectiva ao trabalho não declarado - falsos recibos verdes, os temporários e a termo em situação ilegal – cujos resultados deverão ser diulgados no início de Abril.

Em 2010, o número de trabalhadores em situação irregular quase duplicou: em 2009 a ACT detectou 5631 casos, e no ano passado esse número disparou para os 10.706 trabalhadores em situação irregular.

@Vera Moutinho

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2011-03-24T15:50:21Z Geração P Inspector-geral do trabalho recusa ocultação de recibos verdes http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/24/inspector_geral/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/21/escravo_n_o_obrigada_/index.html


José Morgado já perdeu a conta aos currículos que enviou. Licenciado em Geografia desde 2008, começou a trabalhar como operador de call center mesmo antes de ter terminado o curso. Começou por ser um trabalho temporário até encontrar um estágio na área, mas esse dia ainda não chegou. Encara o seu trabalho como uma profissão qualquer, mas "poderia ser melhor remunerado" devido à constante pressão a que está sujeito. Ainda assim, critica os jovens que recusam trabalhos fora da área de especialização.


"Num mundo competitivo de hoje temos de trabalhar onde quer que seja... ganhar experiência profissional até chegar ao trabalho que queremos. Nem todos os cursos dão para ir trabalhar logo na área, fazer logo o que se quer e ganhar aquilo que se quer", afirma.
Cláudia Gomes, trabalhadora-estudante acumula vários trabalhos como hospedeira de eventos. Trabalha por conta própria a recibo verde desde 2008 e diz que, ao contrário da maioria dos jovens, o que ganha chega, e às vezes até sobra, para pagar as contas. "Não me sinto insegura. Nesta área ganha-se bem, posso fazer 200, 500 ou até 1000 euros por mês", conta.


Carmen Curralo não entra nas estatísticas dos licenciados. Diferente da maioria dos jovens de hoje, decidiu não ir para a faculdade porque sabia à partida que iria ser atirada para o desemprego. Conjuga o trabalho como operadora num hipermercado onde trabalha desde os 18 anos, com o de esteticista nos dias de folga. O seu sonho é abrir um gabinete de estética.


Olha para os milhares de jovens licenciados com "pena por não poderem trabalhar naquilo que gostam", o que não é o seu caso. Segundo ela, o problema está nas entidades empregadoras que abusam, muitas vezes, da vontade de trabalhar de um jovem recém-licenciado. "Como é que uma pessoa que sai da faculdade vai conseguir construir uma família e uma carreira a ganhar 500 euros?! É impossível", remata.


"Regredimos nos direitos laborais para sermos concorrenciais"


Júlio Gomes, especialista em Direito do Trabalho da Universidade Católica, afirma em entrevista ao SAPO que a "escravatura" laboral voltou a ser um assunto na ordem do dia, mas não nos termos de antigamente. "Hoje em dia as empresas têm muito mais concorrência, muito mais trabalhadores por onde escolher. O que acontece hoje em dia é que as pessoas têm de estudar muito anos e anos a fio para depois receberem salários sempre perto da miséria".


O professor universitário afirma ainda que as gerações jovens não conseguem ter uma voz activa e defensora dos seus direitos junto dos sindicatos, o que faz com que, aliada à competitividade económica mundial, tenha havido, na sua opinião, uma regressão dos direitos laborais para os novos trabalhadores.
 "Os trabalhadores jovens não são adequadamente representados pelos sindicatos. Os sindicatos apostam sobretudo nos seus filiados e têm uma certa dificuldade de relacionamento com os jovens, até porque, muitas vezes, as próprias direcções não integram os jovens", explica.


A competitividade, vista com um indicador positivo para a economia, pode ser, de acordo com o especialista, uma palavra traiçoeira. "Concorrer com países onde não há liberdade sindical (como a China ou a Malásia) tem custos para a União Europeia, incluindo Portugal. No fundo o que estamos a assistir é a uma redução dos nossos direitos [laborais] em homenagem à necessidade que temos de ser concorrenciais", acrescenta.


Ainda assim, os três jovens não se consideram o retrato de uma geração parva que um hino vem agora rotular. "Não me considero escravo. Simplesmente tenho um trabalho que deveria ser para uma pessoa que tem o 12º ano", afirma José Morgado. "Neste momento não há uma aposta nos jovens qualificados", lamenta.


Não moram em casa dos pais e partilham apenas o facto de trabalharem desde muito jovens. Felizes à sua maneira, sobrevivem como podem, gozando a juventude às suas custas. Escravos apenas... da incerteza do futuro.


Reportagem: Catarina Osório

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2011-03-28T11:23:00Z Geração P Escravo? Não, obrigado http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/21/escravo_n_o_obrigada_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/21/parvo_os_significados_para_l_d/index.html



Reportagem: Vera Moutinho

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Parvo: os significados para lá da palavra http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/21/parvo_os_significados_para_l_d/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/16/vale_a_pena_estudar/index.html

Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Manuel Sobrinho Simões, critica o verso da música “Parva que Sou” dos Deolinda, onde é passada a mensagem que o estudo pode conduzir a uma vida de escravo ("onde para ser escravo é preciso estudar").

























“Apesar de tudo um escravo que tenha estudado, é menos escravo do que um escravo que não tenha estudado”, diz o director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP).

Manuel Sobrinho Simões reconhece que Portugal ainda tem pouca capacidade de “recrutamento de miúdos com licenciatura”. “As empresas têm de começar a absorver mais estes jovens qualificados”, refere.

O médico defende que nos concursos para trabalhos no ensino superior deveriam existir quotas para jovens que “tivessem feito doutoramentos, pós-doutoramentos e que agora iriam para professores”.

Os jovens sabem que ter um diploma não é garantia de um melhor emprego mas ainda assim são muitos que admitem continuar a estudar depois da licenciatura. Um relatório de 2010 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) indica que o número de estudantes de doutoramento subiu 134 por cento em seis anos.

No lectivo de 2009/2010, mais de 380 mil jovens inscreveram-se no ensino superior. No ano passado, existiam 45 mil alunos inscritos em cursos de mestrado, indica o relatório “Education at a Glance” da OCDE.

O mesmo documento demonstra ainda que Portugal é dos países da organização onde ter um curso superior mais compensa a nível de remuneração.

Um indivíduo que tenha o ensino secundário pode esperar receber cerca de 207 mil euros durante a sua vida de trabalho. Enquanto se acabar um curso superior pode atingir um retorno de 437 mil euros, de acordo com a comparação feita pela OCDE.

Reportagem: Alice Barcellos e Catarina Osório

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Vale a pena estudar? http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/16/vale_a_pena_estudar/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/14/v_rias_gera_es_com_hist_rias_cr/index.html Dos recibos verdes aos estágios não remunerados passando pelos baixos salários até chegar às promessas de um contrato que nunca apareceu. Muitos jovens da chamada geração à rasca aproveitaram o espaço aberto no dossiê do SAPO para contarem as suas histórias.

Jovens e não só, pois como foi comprovado no sábado, este é um país à rasca e os problemas atravessam gerações.

É o caso de Maria Abreu, 39 anos e licenciada em Turismo, no desemprego há nove meses, casada, com um filho, casa e carro para pagar. “Pergunto-me todos os dias o que posso fazer para a minha vida dar uma volta de 180 graus? O que o futuro me reserva? Que perspectivas tenho? Não sei…”, desabafa Maria Abreu.

Há ainda a história de Fernando Silva, 48 anos, que assume ser da Geração P por não ter muitas esperanças no futuro profissional da sua filha de 18 anos. “Quando olho para amanhã, vejo uma nuvem bem negra sobre o seu futuro profissional. Tantos e tantos jovens a trabalhar arduamente para serem alguém num mundo cada vez mais cão de má raça para quem começa”, refere Fernando Silva.

João Antunes, 27 anos, escreve a sua mensagem a partir da Alemanha. O jovem engenheiro conta que “quando chegou a altura de procurar emprego, vi uma mesma função em Portugal e na Alemanha”. “Em Portugal ofereciam 500€/mês, na Alemanha 6400€/mês”. Voltar ao país só para férias, reconhece João.

José Mendonça chega mesmo a dizer “ou a geração P evolui para geração J, de Justamente tratada em termos de oportunidades e tributação fiscal ou então ADEUS Portugal, a geração P, foi a geração que Partiu... E já não é a primeira...”.

Francisco Ribeiro, 27 anos, diz que não se revê nesta geração à rasca. “Acho que a nossa geração é em muitas coisas privilegiada para se poder posicionar como mártir, como tem sucedido”, sustenta o jovem.

Por outro lado, Alexandra Pinto considera que “somos sem dúvida a geração que mais dificuldades está a passar”. “Muitos somos nós que aos 30 anos ainda dependemos dos ‘Nossos Velhos Pais’ para comer, dormir e por vezes para vestir”, escreve.

Nesta colcha de retalhos de histórias, encontrámos também o caso de Anabela Marques, 45 anos e ex-funcionária pública, que abriu um negócio com o marido. O negócio triunfou mesmo em tempo de crise mas Anabela tem agora dificuldades em encontrar pessoas que queiram trabalhar no seu restaurante.

O mural do SAPO está aberto a novos casos. Mande a sua história para este endereço de e-mail (soudageracaop@sapo.pt).

Alice Barcellos

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Várias gerações com histórias cruzadas e problemas em comum http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/14/v_rias_gera_es_com_hist_rias_cr/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/13/_gera_o_rasca_no_facebook_de/index.html
Depois da manifestação que levou para as ruas milhares de portugueses, a organização do protesto encerrou oficialmente o evento no facebook às 15:30 e criou uma nova página permanente para debate de soluções para o país.

Em pouco tempo, este novo espaço recebeu já dezenas de comentários.

Em declarações à Lusa, Paula Gil, da organização do protesto, explicou que o fórum pretende reunir as pessoas que participaram ativamente, contribuindo assim “para uma democracia mais participativa”.

O objetivo do protesto de sábado, explicou, era esse mesmo, levar as pessoas a contribuir de uma forma positiva e ativa para a criação de soluções.

Paralelamente, adiantou Paula Gil, a organização apela a todos os que não entregaram durante a manifestação do dia 12 a folha A4 com uma solução ou um conjunto de soluções para a resolução dos problemas do país, que o façam agora para o email geracaoarasca@gmail.com.

“Ficamos a espera que nos enviem soluções que considerem positivas”, disse.

Relativamente ao protesto de sábado em várias cidades do país, Paula Gil explicou que superou todas as expetativas e que permitiu a consciencialização coletiva da dimensão da precariedade em Portugal.

“Se calhar não havia uma consciencialização de que atingia tanta gente. Só pelo facto de percebermos que pelo menos metade da população ativa portuguesa está desempregada ou precária e que o problema afeta toda a gente já valeu a pena”, frisou.

O protesto “Geração à rasca”, adiantou, demonstrou que este é um fenómeno transversal que afeta mães, pais, avós, filhos e netos.

SAPO/Lusa]]>
2011-03-24T08:38:00Z Geração P "Geração à rasca" no Facebook deu hoje lugar a "Forum das Gerações" ao qual ja aderiram mais de 3000 pessoas http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/13/_gera_o_rasca_no_facebook_de/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/13/familiarasca/index.html Só o ordenado de Paula, 25 anos, garante o pagamento das contas ao final do mês. Como músico, Gonçalo tem um emprego intermitente que não lhe oferece qualquer segurança. Apesar de tudo o casal decidiu não adiar alguns dos seus principais sonhos e, assim sendo, nasceu a pequena Marta, também ela presente no protesto.

Reportagem: Inês Fernandes Alves

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Uma família “à rasca” http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/13/familiarasca/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/_gera_o_rasca_todos_ao_prot/index.html

Reportagem: Vera Moutinho

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Um país à rasca: todos ao protesto http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/_gera_o_rasca_todos_ao_prot/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/jer_nimo_de_sousa_apela_aos_jove/index.html
Durante o seu discurso no comício comemorativo dos 90 anos do PCP, que esta tarde decorreu na Alfândega do Porto, Jerónimo de Sousa disse que o partido não é indiferente “aquilo que hoje se passou em muitas avenidas e cidades do nosso país” com as manifestação da Geração à Rasca, movimento que nasceu na rede social Facebook, espalhando-se depois a vários concelhos.

“Pela dimensão dessas manifestações – tanto aqui no Porto, como particularmente em Lisboa – significa que essas novas gerações não aceitam mais serem usurpadas de direitos que lhe pertencem, direitos que lhe são legítimos”, observou.

O líder do partido comunista deixou ainda um aviso aos jovens portugueses: “não confiem nos falsos amigos”.

“Cavaco Silva fez um apelo ao sobressalto da sociedade civil, das novas gerações, da juventude, mas era ele que três minutos antes tinha falado da necessidade de aumentar a precariedade através da facilitação dos contratos a prazo, identificando-se com a proposta do PSD”, recordou.

Jerónimo de Sousa pediu assim aos jovens para que, depois do ato de indignação e de revolta, “não fiquem por aqui”.

“Esse grito, que hoje ecoou por todo o país, deve ser transformado em ação, em luta e em luta organizada. Porque lutas inorgânicas podem fazer coisas mas aquilo que o capital e a direita têm medo é da luta organizada dos trabalhadores e dos povos”, justificou.

O secretário-geral comunista apelou assim aos jovens para que “lutem e participem na manifestação de dia 19 de março, convocada pela CGTP, que será a maior ação de protesto e luta, depois da greve geral em novembro”.

SAPO/Lusa]]>
2011-03-24T08:38:00Z Geração P Jerónimo de Sousa apela aos jovens para que “não fiquem por aqui” e lutem http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/jer_nimo_de_sousa_apela_aos_jove/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/dezenas_de_emigrantes_protestara/index.html
“Se não nos deixam sonhar, não os vamos deixar dormir”, estava escrito no cartaz afixado na porta do Consulado Geral de Portugal em Barcelona, onde estavam dezenas de jovens que à chuva iniciaram o protesto "Geração à rasca" à mesma hora que o português.

Querem demonstrar que estão solidários e que se preocupam com Portugal e os portugueses.

“Embora estando fora de Portugal muitos de nós não sentimos os mesmos problemas como a falta de trabalho, mas temos que demonstrar que nos preocupamos e que sentimos da mesma forma, somos portugueses, e queremos um Portugal melhor”, disse à Lusa Maria João Flôxo, administradora na rede social do protesto em Barcelona.

“Estou muito contente com a reação, está mau tempo mas as pessoas vieram, estão ativas e querem agir”, acrescentou.

A convocatória deste protesto foi realizada no Facebook, foram sete as cidades que participaram: Londres, Berlim, Haia, Madrid, Lubliana, Luxemburgo, Bruxelas, Maputo, Nova Iorque, Copenhaga e Estugarda.

Em Barcelona, no fim do protesto foram entregues ao Cônsul de Portugal dois envelopes que continham todas as cartas com as sugestões dos jovens para uma “necessária mudança”, que será enviado posteriormente para a Assembleia da República portuguesa.

Para Pedro Ferreira, que emigrou para Barcelona pela “falta de perspetivas de carreira” no seu país, considerou à Lusa que o 12 de março demonstra que Portugal está “vivo e que pode demonstrar na rua a sua consciência cívica”, porém, referiu que o importante será “o que vamos fazer cada um de nós no dia-a-dia a partir de agora”.

Para o jovem, Portugal é “bastante passivo” em relação ao “que é feito constantemente”, e é necessário redefinir o país em termos de “desenvolvimento sustentável”.

“No que respeita às questões sociais eu sugeri que acabassem com os recibos verdes e que redefinamos o plano estratégico para Portugal no que respeita ao posicionamento na Europa”, afirmou.

Elsa Afonso, profissional de saúde, sugeriu reformas no sistema da saúde a nível de salários, de formação profissional, as condições do sistema de saúde público e privada são para a jovem “basicamente economicistas e não são centradas na qualidade que o serviço presta”.

A jovem portuguesa sublinhou à Lusa que o mercado de trabalho não acompanha a evolução educativa e esse facto “è uma frustração a nível social”.

“Se não há dinheiro para pagar aos licenciados, não podem criar tantos cursos para licenciados. Quando se abrem cursos tem que haver uma resposta no mercado de trabalho”, salientou.

Para a organizadora do evento, Maria Joao Flôxo, este protesto pode ter “ativado” a comunidade portuguesa que vive em Barcelona.

“Ficamos a conhecer mais pessoas, a partir de agora podemos viver mais em comunidade e se isso acontecer, já é muito bom termos feito este protesto”, concluiu.

SAPO/Lusa]]>
2011-03-24T08:38:00Z Geração P Dezenas de emigrantes protestaram em Barcelona entregando propostas de mudança http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/dezenas_de_emigrantes_protestara/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/participa_o_nacional_de_300_mil/index.html

A organizadora do protesto considerou que a adesão de manifestantes mostra que "a precariedade afeta toda a gente na sociedade, tendo ultrapassado largamente os 60 mil que se previam. "Esperemos que seja o primeiro passo para uma democracia participativa em Portugal", disse.

Paula Gil adiantou que a organização recebeu ao longo do protesto milhares de folhas nas quais a maioria dos participantes apontava as razões para a sua presença na iniciativa.

Às 18 e 45 uma forma chuvada desmobilizou a maioria dos manifestantes que se encontravam no Rossio.

No entanto ainda permanecem no local alguns grupos que assistem à atuação de bandas musicais.

SAPO/Lusa]]>
2011-03-24T08:38:00Z Geração P Participação nacional de 300 mil pessoas ultrapassou expetativas - organização http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/participa_o_nacional_de_300_mil/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/as_caras_e_protestos_da_gera_o_/index.html
@Fotos: David Oliveira

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P As caras e protestos da Geração à Rasca http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/as_caras_e_protestos_da_gera_o_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/200_mil_manifestantes_em_lisboa_/index.html

O anúncio dos números, feito junto a uma das fontes da Praça do Rossio, em Lisboa, foi acompanhado de gritos “a rua é nossa”.

Os números não foram ainda confirmados pela polícia. A Agência Lusa contactou o comando de Lisboa da PSP, que disse que a haver qualquer anúncio de números, estes serão divulgados pela Direcção Nacional.

Jovens deputados do Bloco de Esquerda e do PCP, ex-candidatos presidenciais José Manuel Coelho e Garcia Pereira, dirigentes da Juventude Social Democrata, assim como sindicalistas da CGTP-IN, andaram pelo protesto, mas estiveram longe de ocupar o palco, que desta vez pertenceu só aos jovens espontâneos.

Apesar da imensa confusão gerada por milhares de jovens em protesto, até ao final da tarde, ainda não se tinham registado incidentes de relevo.


SAPO/Lusa]]>
2011-03-24T08:38:00Z Geração P 200 mil manifestantes em Lisboa e 80 mil no Porto http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/200_mil_manifestantes_em_lisboa_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/protestorossio/index.html Logo atrás do carro da polícia estão dois elementos que admitiram professar ideais de extrema-direita. Um deles, Cláudio Cerejeira, sobrinho neto do cardeal com o mesmo nome, envergava uma t-shirt com um desenho do Hitler defendeu que Portugal precisa de uma revolução, “não de cravos, mas com armas”.

Pelo menos dois dos quatro organizadores do protesto estão visíveis na cabeça da manifestação transportando uma faixa amarela gritando palavras de ordem como "não há liberdade com precariedade".

Ao seu lado, há pessoas com cravos vermelhos na mão.

É no Rossio que vai terminar a manifestação estando agora a maior parte das pessoas concentradas junto ao teatro D. Maria II.

@Lusa

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Protesto/Crise: Manifestantes aproximam-se do Rossio onde termina o desfile http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/protestorossio/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/financialtimes/index.html “O único trabalho que conseguimos é experiência de trabalho”, diz a jovem de 29 anos entrevistada pelo jornal britânico.

O FT diz que milhares de jovens saem hoje à rua inspirados, em parte, pelas revoltas no Norte de Árica.

A organização foi feita através do Facebook e até às 14:00 de hoje, mais de 65.000 pessoas disseram que iam comparecer nas iniciativas marcadas para várias cidades, entre as quais Lisboa e Porto.

O jornal diz que enquanto o Governo de Lisboa reforça medidas de austeridade, com o anúncio de um novo pacote na sexta-feira, o irreverente movimento de protesto despertou um país que enfrenta a segunda recessão em três anos, atingindo uma dimensão surpreendente e dominando o debate público.

“As lutas de jovens na Tunísia, no Egito e na Líbia ajudaram-nos a abrir os olhos”, diz a jovem entrevistada pelo FT, uma das líderes do protesto no Porto.

A jovem frisa que os manifestantes não estão a tentar provocar uma revolução, apenas querem ter uma vida melhor.

@Lusa

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Financial Times noticia "Geração à Rasca" num país que enfrenta a segunda recessão em três anos http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/financialtimes/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/deolinda_n_o_v_o_ao_protesto_mas/index.html

 A frase é de uma outra cantiga dos Deolinda, "Movimento Perpétuo Associativo", em que, ironicamente, nunca é dia de acção, e há sempre um "vão sem mim que eu vou lá ter". A ironia, a constestação, o humor, fazem parte do ADN dos Deolinda e transpiraram para o tema "Parva que Sou" que foi agora "promovido" a hino da geração que se intitulou "à rasca", presa à precariedade laboral.

Os Deolinda não vão marcar presença no protesto, mas Ana Bacalhau, vocalista do grupo, apela à participação "cívica" do maior número de pessoas para que se inicie um movimento de mudança. Ontem tocaram na Escola Superior de Comunicação Social, a convite do 100º programa "Governo Sombra" da TSF, e actuaram para uma plateia que promete estar hoje presente no Protesto.

@Vera Moutinho e Inês Alves

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Deolinda não vão ao Protesto mas querem que todos vão lá ter http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/12/deolinda_n_o_v_o_ao_protesto_mas/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/a_confus_o_entre_o_protesto_ger/index.html


Os desmentidos e esclarecimentos foram feitos de parte a parte, mas a confusão continua. Os organizadores do Protesto “Geração à Rasca”, agendado para amanhã em várias cidades do país, já emitiram um comunicado em que se dissociam do movimento “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”.


“É com desagrado que vimos o Protesto da Geração À Rasca, do dia 12 de Março, associado abusivamente a um outro movimento que advoga a demissão de toda a classe política, o qual não tem ainda data marcada para se manifestar. Este movimento diz apoiar a nossa causa, como o têm feito muitos outros movimentos e organizações da sociedade civil, políticos ou apolíticos, religiosos ou laicos. Contudo, nada têm a ver com o Protesto da Geração À Rasca”, escrevem os organizadores no blogue do Protesto.


No blogue “Aventar”, o próprio movimento “1 Milhão na Avenida” esclarece que não convocou nenhuma manifestação para amanhã, que não está ligada ao Protesto “Geração à Rasca” e adianta que o email que apenas se “solidarizou” com o protesto.
Apesar dos esclarecimentos muitos comentadores continuam a associar os dois movimentos, o que motivou um pedido de direito de resposta do Protesto “Geração à Rasca” à SIC.


“Parece-nos pouco apropriado que um canal de televisão prestigiado, informado e que se pretende imparcial, como é a SIC, já conhecedor das pretensões democráticas e pluralistas do Protesto da Geração À Rasca, tenha feito passar uma mensagem, através do comentador Miguel Sousa Tavares, que nos associou a um movimento completamente diferente”, escrevem no blogue.


Outros movimentos que apoiam o protesto deste Sábado também se descolam dos pedidos de demissão da classe política portuguesa. “Não nos cabe a nós pedir a demissão da classe política”, disse ao SAPO Notícias Adriano Campos, do FERVE (Fartos Destes Recibos Verdes).


“Não me revejo de forma nenhuma nesse outro manifesto”, diz Tiago Gillot do movimento Precários Inflexíveis, que também apoio o Protesto “Geração à Rasca” mas se afasta do movimento “1 milhão na Avenida”.


O número de participantes que manifestam a intenção de estar presentes nos protestos através da página do Facebook ultrapassou os 55 mil durante a noite de quinta-feira. Registam-se também perto de 80 mil que afirma não ir e mais de 44 mil que dizem “talvez”.
Tem surgido, em diferentes murais de páginas do Facebook, um vídeo acompanhado do texto “faça chuva ou faça sol, sábado queremos Portugal na rua”, onde são apresentados os motivos de queixa dos participantes, com testemunhos explicativos daquilo que leva alguns jovens a participar no protesto.


Fonte da PSP já adiantou também que a polícia está a monitorizar todos os movimentos das redes sociais e dos grupos de extrema direita e esquerda, para acompanhar “a par e passo” o protesto marcado para sábado, estando a preparar-se para acompanhar a manifestação com o mesmo grau de rigor e prontidão que disponibilizou aquando da cimeira da NATO, que decorreu em Lisboa, no final de Novembro passado.

 @Vera Moutinho/Alice Barcellos com Lusa

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P A confusão entre o Protesto "Geração à Rasca" e o pedido de demissão da classe política http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/a_confus_o_entre_o_protesto_ger/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/portugal_tem_900_mil_contratados/index.html

O número de contratados a prazo está num estudo da intersindical, baseado em estatísticas oficiais, mas a central sindical estima que "os trabalhadores em situação precária serão muitos mais", dado que parte significativa dos cerca de 830 mil trabalhadores por conta própria são na realidade trabalhadores por conta de outrem com falsos recibos verdes.

De acordo com o documento, a que a agência Lusa teve acesso, ao longo de 2010 o fim dos contratos a termo conduziu ao desemprego mais de 253 mil trabalhadores, o que corresponde a 39 por cento das novas inscrições nos centros de emprego.

A maioria dos trabalhadores precários (60 por cento) é jovem, pois mais de meio milhão de trabalhadores com menos de 35 anos não tem um vínculo laboral efetivo.

A precariedade "não poupa sequer os jovens mais qualificados", diz a CGTP referindo que mais de três quartos das ofertas de emprego registadas nos centros de emprego "são com contratos a prazo e os salários oferecidos cada vez mais baixos".

Aliás, os trabalhadores com contrato a prazo ganham em média menos 30 por cento que os efectivos.

E em Portugal o salário bruto por hora (7 euros) é metade da média que é paga na zona euro e 52 por cento da média de toda a União Europeia.

Ao longo da última década a taxa de precariedade oscilou entre os 20 por cento e os 23 por cento.

@LUSA

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Portugal tem 900 mil contratados a prazo, mas CGTP diz que precários são muitos mais http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/portugal_tem_900_mil_contratados/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/gera_o_rasca_com_protestos_c/index.html

Segundo o blogue geracaoenrascada.wordpress.com, da lista das cidades onde o protesto irá decorrer no Sábado fazem parte Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Funchal (Madeira), Guimarães, Leiria, Lisboa, Ponta Delgada (Açores), Porto e Viseu, onze no total.

A Agência Lusa apurou que em nove destas cidades o protesto foi comunicado oficialmente aos governos civis e à vice-presidência do Governo Regional dos Açores, no caso de Ponta Delgada, não levantando as autoridades qualquer objeção.

As entidades seguiram depois os trâmites habituais nestas situações, informando as forças de segurança da existência destes protestos.

De fora desta oficialização ficaram Guimarães e Funchal, cuja câmara municipal e direcção regional da administração pública e local, respetivamente, garantiram à Agência Lusa não ter recebido qualquer informação oficial sobre a realização do protesto.

Segundo os dados recolhidos, haverá concentração com desfile nas ruas das cidades de Lisboa, Porto, Ponta Delgada e Faro.

Na capital, a concentração está agendada para as 15:00, na Avenida da Liberdade, seguindo depois pela Praça D. Pedro IV, Rua do Carmo e Rua Garrett, terminando na Praça Luis de Camões.

No Porto, também às 15:00, os manifestantes partem da Batalha, seguindo o desfile pela Rua de Santa Catarina, Rua Fernandes Tomás, Rua Sá da Bandeira, estando o seu término previsto para a Praça D. João I.

No caso de Braga (Avenida Central), Castelo Branco (Alameda da Liberdade), Coimbra (Praça da República), Leiria (Fonte Luminosa) e Viseu (Rossio, em frente à câmara) estão apenas previstas concentrações, não tendo sido indicada a intenção de fazer qualquer desfile.

O número de participantes que manifestam a intenção de estar presentes nos protestos através da página do Facebook ultrapassou os 55 mil durante a noite de quinta-feira. Registam-se também perto de 80 mil que afirma não ir e mais de 44 mil que dizem “talvez”.

Tem surgido, em diferentes murais de páginas do Facebook, um vídeo acompanhado do texto “faça chuva ou faça sol, sábado queremos Portugal na rua”, onde são apresentados os motivos de queixa dos participantes, com testemunhos explicativos daquilo que leva alguns jovens a participar no protesto.

Quinta-feira, fonte da PSP disse à Agência Lusa que a polícia está a monitorizar todos os movimentos das redes sociais e dos grupos de extrema direita e esquerda, para acompanhar “a par e passo” o protesto marcado para sábado, estando a preparar-se para acompanhar a manifestação com o mesmo grau de rigor e prontidão que disponibilizou aquando da cimeira da Nato, que decorreu em Lisboa, no final de novembro passado.

@LUSA

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Geração à Rasca" com protestos comunicados às autoridades em nove cidades http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/gera_o_rasca_com_protestos_c/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/_gera_o_rasca_juntam_se_as/index.html João Leiras, 35 anos, ouviu falar do Protesto “Geração à Rasca” e decidiu juntar-se a ele. Ontem criou a página no Facebook “Empresas à Rasca”. Um amigo ligou-lhe pouco depois: “Tens uma empresa à rasca? Eu também!”

Ontem de manhã, “em cinco minutos”, João Leiras criou numa página de Facebook o movimento “Empresas à Rasca”. A decisão até pode ter sido intuitiva, mas as razões que o levaram a fazê-lo nem por isso.

“Já estava a pensar ir ao protesto no Porto ou em Braga. Trabalho 12 a 14 hora e chego ao fim do dia a contar o dinheiro para pagar impostos”, conta João. Há cerca de quatro anos abriu uma empresa ligada ao sector têxtil, de venda de máquinas de costura, de bordar, acessórios têxteis. Há dois anos ganhou um sócio. São ambos técnicos do sector, com experiência. Mas lutam todos os dias pela sustentabilidade da sua micro-empresa e por um salário ao fim do mês. “Somos quinhentoseuristas. Não há aqui salários de 2000 ou 1000 euros”.

A página de Facebook já conta com cerca de 100 pessoas que se associam à causa, e o manifesto do movimento lista as maiores dificuldades com que uma empresa tem de lidar: impostos elevados, dificuldades em receber dos clientes. João Leiras queixa-se da grande fatia de rendimento que os impostos lhe levam e foge a sete pés de clientes “caloteiros”: “quando me falam em pagamento por cheque já não aceitamos o trabalho”.

A vida, essa, está empatada, diz João. “Somos jovens, ambos solteiros, porque não há condições para casar, nada disso. Vivemos na casinha dos pais, como diz a música”.

Ainda assim, não pensa em fechar as portas da sua empresa. “Se não valer vou viver de quê? Se eu não trabalhar vou viver de quê? Trabalhar por conta de outrem? Não é fácil arranjar emprego. Vou viver da reforma do meu pai, 200 ou 300 euros?”.

Este Sábado, dia 12, lá estará no protesto do Porto, no protesto da Geração “à rasca” a que vai juntar a sua “empresa à rasca”. Acredita que possa haver mudanças. “Ontem gostei de ouvir as palavras do nosso presidente, apesar de não ter votado nele. Fiquei surpreendido”, explica João, recordando o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva em que pediu aos jovens para fazerem ouvir a sua voz.

Mas além de surpreendido, ficou desconfiado. “Não se as palavras foram verdadeiras ou se ele falou por receio”. Receio? “Sim, receio de que aconteça aqui o que aconteceu no Mundo Árabe. As pessoas dizem “ah, mas aqui é diferente, aqui há democracia. E eu digo: há mesmo?”

@Vera Moutinho
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2011-03-24T08:38:00Z Geração P À “Geração à rasca” juntam-se as “Empresas à rasca” http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/11/_gera_o_rasca_juntam_se_as/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/09/est_gio_entre_a_integra_o_e_a_/index.html

A 25 de Fevereiro José Sócrates prometia, a par de cinco novas medidas de integração dos jovens no mercado de trabalho, criar mais 13.000 estágios remunerados. Entre estas medidas eram de destacar a integração dos estagiários na segurança social, permitindo-lhes iniciar a sua carreira contributiva mais cedo, e acabar com estágios profissionais não remunerados. Seis dias mais tarde, Helena André, Ministra do Trabalho explicava que, segundo o decreto-lei aprovado no mesmo dia, todos os estágios extracurriculares iriam passar a ser obrigatoriamente remunerados.


Uma semana antes o SAPO Notícias saiu à rua para perceber em que condições são recebidos os recém-licenciados no mundo do trabalho.

Andreia Santos, com 22 anos, licenciou-se em enfermagem o ano passado e, desde então, procurou um trabalho em todos os hospitais de Lisboa e várias clínicas. Foi com a saudade dos tempos de escola que nos recebeu na Associação de Estudantes, decorada pela sua turma, refúgio dos momentos de lazer que mediavam os o tempo entre as aulas e os estágios curriculares.

Uma das particularidades do seu curso é ter uma vertente muito prática. Todos os anos, os alunos são convidados a ficar um mês num serviço, acompanhados de um enfermeiro residente, para aprender as lides do ofício. Actualmente, Andreia, está empregada em part-time num clínica privada e passa recibos verdes. Não é a situação ideal, mas recusa-se a estagiar noutro local de graça e questiona: “Se eu estou lá a trabalhar à borla, para quê pagara a alguém para fazer o que eu lá estou a fazer”. Como existem vários enfermeiros na sua clínica, não tem horário fixo e não trabalha todos os dias da semana. Quando precisam dela, ligam e ela coloca-se a caminho.


Diogo, tem 21 anos e não pensa como a enfermeira Lisboeta. Veio de Torres Vedras para Lisboa estudar e mantém, com a ajuda dos pais, um apartamento com amigos junto ao estádio da Luz. Tirou Ciência Política, no entanto, está a estagiar numa redacção. Goza de alguma liberdade de horário, mas não tem qualquer ajuda de custo. Olhando para trás admite que, se fosse hoje, pensaria duas vezes antes de escolher uma licenciatura sem avaliar a empregabilidade do curso. Mantendo a ânimo, decidiu seguir para um Mestrado em economia, na expectativa que isso lhe permita encontrar emprego em outras áreas.

Empenho procura-se


Foi também com um estágio não remunerado numa rádio local que Joana Dionísio, , de 21 anos, começou. Em pouco tempo comunicou que estava de saída porque encontrou uma publicação online que lhe dava ajudas de custo, cerca de 250 euros. Três meses mais tarde decidiram ficar com ela e passou a receber o dobro.

Uns redondos 500 euros, sobre os quais terá de descontar, não lhe permitem comprar o carro por que tanto anseia, nem conseguir a sua independência. Apesar de tudo, Joana acredita que teve sorte em conseguir estar nestas condições poucos meses depois de ter saído da faculdade. Com um olhar optimista sobre o futuro garante que esta situação é fruto de uma difícil conjuntura económica e que, com trabalho e dedicação, vai conseguir conquistar uma melhor posição remuneratória.


Tatiana Canas, editora do Jornal Advocatus, concorda com Joana e garante que além de mostrar empenho “é preciso perceber quais são as principais motivações” do estagiário. No seu caso, tirou um curso de direito e optou mais tarde por trabalhar em jornalismo, ainda que se mantenha ligada à advocacia. Conhecedora do universo dos advogados e da comunicação social, esclarece que foram abertos demasiados cursos, dando a ilusão de que todos se podem licenciar e, por consequência, ter um emprego.

No caso específico dos advogados, Tatiana esclarece que a forma como as sociedades de advocacia estão organizadas não permitem que todos cheguem a sócios, deixando nas estruturas intermédias os 20% melhores advogados que saem das faculdades. O resultado lógico será a formação de várias pequenas sociedades. Tatiana não assume que se tenham formado advogados a mais, mas considera que, no mínimo, estão mal distribuídos pelo país.


Mão de Obra barata


Ricardo Dias, como qualquer recém-licenciado começou a procurar emprego em publicidade assim que terminou os estudos. Num acto de partilha, criou um blog para si e para os amigos onde ia colocando todas as ofertas da sua área. Mais tarde, este blog tornou-se um dos sites mais visitados para quem procura emprego nas áreas de Comunicação e Design: Carga de Trabalhos.
Apesar de não se dedicar à sua gestão em full time, Ricardo afirma com orgulho que, no ano passado, foi capaz de colocar em linha 9300 ofertas na rede. Gosta de acreditar que grande parte dessas vagas foram ocupadas, apesar de receber pouco feed back positivo. Já quando coloca na rede um estágio não-remunerado, chovem emails de desagrado.

Ricardo tenta explicar que estas ofertas também servem a sua função e há quem efectivamente procure estes estágios para experimentar uma área ou mesmo para poder terminar os estudos. No entanto, o gestor admite que “nestes últimos dois anos houve um aumento muito grande em termos de estágios curriculares” e que “há empresas que recorrem constantemente a mão de obra barata, baratíssima”.


Com as novas medidas aprovadas pelo governo a três de Março, as empresas são obrigadas a pagar 419,22 euros aos estagiários e a definir a duração do estágio através da celebração de um contracto escrito. Estas medidas não se aplicam a estágios curriculares (integrados nos cursos) ou a estágios com duração igual ou inferior a três meses.


Outra das opções ao alcance dos estagiários é candidatarem-se aos programas INOV. Estes programas são orientados por diferentes entidades mas têm um objectivo comum: colocar no mercado de trabalho jovens licenciados. A integração é feita através de parcerias entre organismos públicos e empresas, garantindo, assim, a remuneração dos estagiários.


Estágios profissionais com duração superior a três meses passam a ser pagos

Reportagem: Inês Fernandes Alves

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Estágio: porta de entrada para a instabilidade http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/09/est_gio_entre_a_integra_o_e_a_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/09/a_tua_hist_ria/index.html aqui. Vamos publicar os teus depoimentos.

Também és da Geração P?

Ler testemunhos 

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P A Tua História http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/09/a_tua_hist_ria/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/09/quem_esta_gera_o_/index.html

Reportagem: Vera Moutinho

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Quem é esta geração? http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/03/09/quem_esta_gera_o_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/02/28/quem_a_gera_o_rasca_/index.html

Reportagem: Vera Moutinho

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P Quem é a "Geração à rasca"? http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/02/28/quem_a_gera_o_rasca_/index.html
http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/02/28/qual_o_sal_rio_desta_gera_o_/index.html

Cada caso é um caso e o SAPO Notícias conheceu três realidades distintas. Enquanto Margarida Barata, actriz e produtora, nunca conseguiu um contrato de trabalho, Eduardo Teixeira, engenheiro civil, conquistou-o logo no primeiro emprego.



























Já Álvaro Cúria encontrou na investigação uma saída para os baixos salários e falta de reconhecimento no jornalismo.

Em altura de crise, a situação de Eduardo parece ser rara. O engenheiro que trabalha na empresa Hilti não esperava ser bem remunerado no primeiro emprego. “Nunca foi o meu objectivo para o primeiro emprego ter um bom ordenado”, disse o jovem, afirmando que “o primeiro emprego tem de ser bom para a nossa formação profissional”.“O bom ordenado foi um bónus”, nota.

O mesmo não pode dizer Álvaro Cúria, licenciado em jornalismo pela Universidade de Coimbra. Depois de passar pela RTP, Jornal de Notícias e por um emprego na função pública, Álvaro resolveu ingressar na investigação. Recebe 828 euros de bolsa e está a trabalhar na Faculdade de Letras do Porto num projecto aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

“A investigação não paga bem mas nada paga bem em Portugal”, lamenta o jovem que quando trabalhava em órgãos de comunicação social ganhava “consideravelmente menos” do que aquilo que recebe agora. Além disso, Álvaro destaca o “reconhecimento profissional” e o “crescimento pessoal” que encontrou na área da investigação.

Já Margarida Barata voltou há pouco tempo para a área da dramaturgia e produção, depois de ter trabalhado como professora durante quatro anos a falsos recibos verdes nas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC).

Um emprego com horários a cumprir, turmas fixas e responsabilidades de um professor, mas onde só se recebe pelas aulas dadas. “No Natal e na Páscoa não se recebe, no Verão são dois meses e meio em que não se tem trabalho”, realça esta jovem.

No mercado de trabalho há 13 anos, Margarida não sabe o que é ter um contrato nem um vínculo. “Um trabalhador precário não pode fazer planos a longo prazo”, refere. “Eu não posso dizer que daqui a dois anos vou comprar uma casa ou que daqui a um ano vou fazer uma viagem”, diz.

Remuneração média

Dados do Ministério do Trabalho relativos a 2008 dizem que a remuneração média mensal (ganho) de um jovem que tenha entre 18 a 24 anos é de 654 euros. Já entre os 25 aos 29 anos, o número sobe para os 847 euros. Dos 30 aos 34 anos, a média apontada pelo Ministério do Trabalho é 1000 de euros. 

O trabalho precário é aquele que conta com pior remuneração. De acordo com o Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho (dados de 2008), o ordenado médio de um trabalhador com contrato a termo para cedência temporária é de 565 euros. Já com um contrato a termo, o salário médio é de 670. O número sobe para 911 euros quando o trabalhador tem um contrato sem termo.

Reportagem: Alice Barcellos

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2011-03-24T08:38:00Z Geração P http://noticias.sapo.pt/especial/geracaop/2011/02/28/qual_o_sal_rio_desta_gera_o_/index.html