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A geração mais qualificada de sempre está com dificuldades em entrar no mercado de trabalho. Dados do Instituto Nacional de Estatística apontam 64 mil licenciados no desemprego. Vale a pena apostar na formação para conseguir um futuro melhor?
Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Manuel Sobrinho Simões, critica o verso da música “Parva que Sou” dos Deolinda, onde é passada a mensagem que o estudo pode conduzir a uma vida de escravo ("onde para ser escravo é preciso estudar").
“Apesar de tudo um escravo que tenha estudado, é menos escravo do que um escravo que não tenha estudado”, diz o director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP).
Manuel Sobrinho Simões reconhece que Portugal ainda tem pouca capacidade de “recrutamento de miúdos com licenciatura”. “As empresas têm de começar a absorver mais estes jovens qualificados”, refere.
O médico defende que nos concursos para trabalhos no ensino superior deveriam existir quotas para jovens que “tivessem feito doutoramentos, pós-doutoramentos e que agora iriam para professores”.
Os jovens sabem que ter um diploma não é garantia de um melhor emprego mas ainda assim são muitos que admitem continuar a estudar depois da licenciatura. Um relatório de 2010 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) indica que o número de estudantes de doutoramento subiu 134 por cento em seis anos.
No lectivo de 2009/2010, mais de 380 mil jovens inscreveram-se no ensino superior. No ano passado, existiam 45 mil alunos inscritos em cursos de mestrado, indica o relatório “Education at a Glance” da OCDE.
O mesmo documento demonstra ainda que Portugal é dos países da organização onde ter um curso superior mais compensa a nível de remuneração.
Um indivíduo que tenha o ensino secundário pode esperar receber cerca de 207 mil euros durante a sua vida de trabalho. Enquanto se acabar um curso superior pode atingir um retorno de 437 mil euros, de acordo com a comparação feita pela OCDE.
Reportagem: Alice Barcellos e Catarina Osório