PUB
Os jovens portugueses ganharam muitos rótulos nos últimos tempos. No que toca à remuneração, é normal falar-se de geração 500 ou 800 euros. Enquanto o primeiro caso está relacionado com os trabalhos precários, o segundo liga-se com os baixos ordenados do primeiro emprego.
Cada caso é um caso e o SAPO Notícias conheceu três realidades distintas. Enquanto Margarida Barata, actriz e produtora, nunca conseguiu um contrato de trabalho, Eduardo Teixeira, engenheiro civil, conquistou-o logo no primeiro emprego.
Já Álvaro Cúria encontrou na investigação uma saída para os baixos salários e falta de reconhecimento no jornalismo.
Em altura de crise, a situação de Eduardo parece ser rara. O engenheiro que trabalha na empresa Hilti não esperava ser bem remunerado no primeiro emprego. “Nunca foi o meu objectivo para o primeiro emprego ter um bom ordenado”, disse o jovem, afirmando que “o primeiro emprego tem de ser bom para a nossa formação profissional”.“O bom ordenado foi um bónus”, nota.
O mesmo não pode dizer Álvaro Cúria, licenciado em jornalismo pela Universidade de Coimbra. Depois de passar pela RTP, Jornal de Notícias e por um emprego na função pública, Álvaro resolveu ingressar na investigação. Recebe 828 euros de bolsa e está a trabalhar na Faculdade de Letras do Porto num projecto aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
“A investigação não paga bem mas nada paga bem em Portugal”, lamenta o jovem que quando trabalhava em órgãos de comunicação social ganhava “consideravelmente menos” do que aquilo que recebe agora. Além disso, Álvaro destaca o “reconhecimento profissional” e o “crescimento pessoal” que encontrou na área da investigação.
Já Margarida Barata voltou há pouco tempo para a área da dramaturgia e produção, depois de ter trabalhado como professora durante quatro anos a falsos recibos verdes nas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC).
Um emprego com horários a cumprir, turmas fixas e responsabilidades de um professor, mas onde só se recebe pelas aulas dadas. “No Natal e na Páscoa não se recebe, no Verão são dois meses e meio em que não se tem trabalho”, realça esta jovem.
No mercado de trabalho há 13 anos, Margarida não sabe o que é ter um contrato nem um vínculo. “Um trabalhador precário não pode fazer planos a longo prazo”, refere. “Eu não posso dizer que daqui a dois anos vou comprar uma casa ou que daqui a um ano vou fazer uma viagem”, diz.
Remuneração média
Dados do Ministério do Trabalho relativos a 2008 dizem que a remuneração média mensal (ganho) de um jovem que tenha entre 18 a 24 anos é de 654 euros. Já entre os 25 aos 29 anos, o número sobe para os 847 euros. Dos 30 aos 34 anos, a média apontada pelo Ministério do Trabalho é 1000 de euros.
O trabalho precário é aquele que conta com pior remuneração. De acordo com o Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho (dados de 2008), o ordenado médio de um trabalhador com contrato a termo para cedência temporária é de 565 euros. Já com um contrato a termo, o salário médio é de 670. O número sobe para 911 euros quando o trabalhador tem um contrato sem termo.
Reportagem: Alice Barcellos