O mundo volta a apaixonar-se pelos EUA depois da vitória de Obama

O mundo parece ter voltado a apaixonar-se pelos Estados Unidos depois da eleição de Barack Obama como novo presidente.

Os turistas que passam pelo "Ground Zero", a zona sul de Manhattan que foi devastada pelos ataques terroristas de 11 de Setembro, por exemplo, não escondem a sua admiração e o entusiasmo com o triunfo de Obama.

"Obama dá-nos esperanças", afirma Leticia Giorello, estudante uruguaia, que observa o gigantesco buraco do World Trade Center. "Todo o mundo na América Latina queria que Obama vencesse", acrescenta.

Há oito anos, o mundo deu o seu apoio aos Estados Unidos em resposta à tragédia que derrubou as Torres Gêmeas e deixou 3.000 mortos. "Somos todos americanos", foi a manchete do jornal francês Le Monde na ocasião.

Mas esse movimento de solidariedade evaporou-se quando o mundo se viu confrontado pela invasão do Iraque decidida pelo governo de George W. Bush e o escândalo das torturas dos prisioneiros da chamada "guerra contra o terrorismo".

A imagem degradada dos Estados Unidos, muito distante da época em que o país ainda podia ser considerado como um modelo a seguir, voltou a sofrer um novo golpe há dois meses, com o colapso do seu sistema bancário.

No entanto, a avassaladora eleição de Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e apostado em restaurar a imagem do seu país, parece estar a mudar as coisas. Todo o mundo sente que também "votou" em Obama.

Os festejos explodiram um pouco por todo o mundo, dos territórios palestinos até os Bálcãs, da África à Ásia. O "Ground Zero" é hoje um bom lugar para constatar o entusiasmo das pessoas oriundas das mais variadas partes do planeta.

"Muita gente no Japão gosta de atacar os Estados Unidos. Está na moda fazer isso", conta Daisuke Yamagapa, piloto de 27 anos, que visita Nova York com os seus pais. "Mas isso vai mudar com Obama. Acho que os Estados Unidos estão a mudar, especialmente no que se refere à diplomacia. As pessoas esperam isso", acrescenta.

Shirley Mellor, uma britânica de 62 anos, explica que o governo Bush se transformou em motivo de gozo. E é "por isso que Obama é tão importante. Isto vai influenciar o mundo inteiro", afirma.

Anna Grethe Jensen, uma dinamarquesa de 53 anos, opina que os Estados Unidos ganharam uma reputação de país arrogante. "Sempre olharam para o mundo da sua perspectiva e ignoram o que o resto do planeta pensa. Acho que isso vai mudar e que a Europa vai olhar para os Estados Unidos de maneira diferente"

Quanto tempo vai durar esta "lua-de-mel", não se sabe. O vice-presidente eleito Joseph Biden advertia durante a campanha que era certo que alguma potência estrangeira não tardasse a colocar à prova a inexperiência de Obama.

Essa provação pode já ter chegado. Enquanto chegavam as felicitações de todas as capitais do mundo e cenas de comemoração da vitória eram vistas nos mais distintos lugares do planeta, o presidente russo Dmitry Medvedev anunciou a colocação de mísseis de curto alcance em Kaliningrado, território russo encravado na zona europeia.

Peter Guttman, director do Centro de Política e Relações Internacionais SAIS da Universidade John Hopkins, adverte que ter expectativas exageradas sobre Obama pode levar a uma grande decepção.

"Não devemos achar que este homem é um novo Messias porque não é. Ele não vai resolver todos os nossos problemas", enfatizou.