A primeira-dama

"Sou uma anomalia estatística. Uma rapariga negra, criada no sul de Chicago. Jamais imaginei que chegaria até aqui", afirmou Michelle Obama, que, no dia 20 de Janeiro de 2009, entrou na Casa Branca como a primeira-dama dos Estados Unidos.



Os seus simpatizantes referem-se a ela como uma nova Jackie Kennedy, considerada pelos americanos uma das primeiras-damas mais refinadas e elegantes da história do país.

Michelle Obama é muito franca no modo de falar e o seu sentido de humor, por muitos considerado um pouco frio, já a levou a ser acusada, pelos seus adversários, de antipatriota, arrogante e até racista, após um comício no qual afirmou: "Pela primeira vez em minha vida adulta estou verdadeiramente orgulhosa de meu país".

"Evidentemente eu amo o meu país. Em nenhum outro lugar, a não ser nos Estados Unidos, a minha história teria sido possível", defendeu-se Michelle, posteriormente.

Com 44 anos, Michelle Obama admite ter visto com desconfiança a decisão do seu marido de se lançar à corrida pela Casa Branca: queria preservar a vida familiar.Mas aceitou sob duas condições: que Malia, de 10 anos, e Sasha, de sete, vissem o pai pelo menos uma vez por semana. E que ele deixasse de fumar. Barack Obama cumpriu as promesas... mais ou menos, já que confessa que, de vez em quando se rende ao vício do tabaco e fuma um cigarro.

Nascida no seio de uma família modesta do sul de Chicago, Michelle Obama cresceu no South Side, o bairro mais pobre da cidade. O seu pai, Frazer Robinson, funcionário da Câmara, trabalhou toda a vida, apesar de uma esclerose múltipla. Marina, a sua mãe, era dona-de-casa.

Nesse contexto, Michelle conseguiu entrar na prestigiada Universidade de Princeton em 1981. A sua tese de Sociologia centrava-se na separação e no facto de os estudantes negros adoptarem uma "estrutura social e cultural (da raça) branca" e se identificarem cada vez menos com sua comunidade étnica.

Depois de Princeton, estudou Direito na Universidade de Harvard antes de se tornar advogada de uma empresa de Chicago. Ali conheceu Barack, com quem viria a casar. Michelle não respondia às investidas do rapaz mas acabou por ceder quando foi convidada para ver um filme de Spike Lee, controverso cineasta negro conhecido pela crítica social feita aos seus filmes.

Depois do casamento, em 1992, Michelle Obama deixou o sector privado para trabalhar na Câmara de Chicago e depois no hospital universitário, do qual foi, até recentemente, vice-presidente encarregada de assuntos externos.

Michelle foi um verdadeiro pilar na campanha do marido. Deu centenas de entrevistas e não hesitou em se dirigir às multidões com sua voz um tanto rouca.

"O meu marido será um presidente extraordinário", assegurou. Mas Michelle Obama diz que não se vê a ocupar um lugar proeminente na Casa Branca. E enfatiza: "Com Barack falamos de tudo mas não a sou assessora política. Sou a esposa dele".

SAPO/AFP