José Sócrates: «Daremos um passo significativo contra a discriminação»

José Sócrates iniciou o debate no Parlamento sobre o casamento homossexual salientando que a conversa «marcará sem dúvida, a vida democrática portuguesa». O primeiro-ministro argumentou perante os deputados que, com o «sim» ao casamento homossexual, será dado «um passo significativo contra a discriminação».

O Primeiro-Ministro, José Sócrates (Foto: SAPO)

No início do debate, o chefe do Executivo afirmou ainda que esta nova lei «em nada prejudica os direitos, nem as crenças, nem as opções de vida» e que «se destina a unir, não a dividir a sociedade portuguesa».

As palavras foram deixadas esta manhã, no Parlamento, onde está em discussão a legalização do casamento homossexual.

À esquerda… a adopção

Da oposição à esquerda, o Primeiro-Ministro teve de ouvir duras críticas, por vedar o acesso à adopção por casais homossexuais. Pelo Bloco de Esquerda - um dos partidos que propôs a legalização, tanto do casamento, como da adopção - o líder parlamentar José Manuel Pureza acusou o Governo socialista de violar a constituição, ao criar dois tipos diferentes de casamento.

Pureza lançou mesmo um desafio ao Primeiro-Ministro: 'Tem coragem para, olhos nos olhos, dizer a um casal gay ou lésbico que não pode adoptar?'.

À direita… a oportunidade

Já à direita, a principal crítica dirigida à proposta do Partido Socialista tem que ver com a oportunidade do tema. Paulo Mota Pinto, deputado do PSD, questionou as prioridades de José Sócrates, dizendo que se está a discutir o casamento homossexual, quando 'o Primeiro-Ministro ainda não teve tempo sequer para trazer ao Parlamento o Orçamento de Estado'.

Pelo CDS-PP, também o deputado Telmo Correia questionou a urgência do tema, chamando também a atenção para a petição pró-referendo ao casamento homossexual entregue esta semana na Assembleia da República.

'Num país onde dizemos que a sociedade civil não participa, uma petição assinada por mais de 90 mil pessoas é notável', garantiu Telmo Correia, confirmando que também o CDS-PP votará a favor da realização de um referendo. Contudo, o chumbo é praticamente certo: antecipado está já o voto contra do PS, do Bloco de Esquerda e dos Verdes.

Marco Leitão Silva

@SAPO Notícias

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