'Somos mais fiáveis do que os homens'
O Dia da Mulher é hoje assinalado em todo o mundo. No Iraque, muitos podem até nem saber que a data existe, mas a verdade é que, a cada dia que passa, as mulheres iraquianas estão a fazer História.
São 60% da população nacional. Assumem hoje cargos políticos, lugares de liderança e tomam nos braços a construção de um Iraque democrático, ferido pela guerra. Em jeito de homenagem às mulheres iraquianas, o SAPO apresenta-lhe hoje três mulheres que lutam por um ponto final nas desigualdades.
Tanya Gilly, deputada:
É deputada no Parlamento iraquiano desde 2006 e, nas eleições legislativas de ontem, voltou a candidatar-se ao cargo. Nasceu na região do Curdistão (raízes que recorda com orgulho) e, durante a ditadura de Saddam Hussein, juntou-se à oposição no combate ao regime.
Com a chegada dos norte-americanos e a queda da ditadura, arregaçou mangas e partiu pelo Iraque, para promover práticas democráticas junto das mulheres. O seu trabalho foi reconhecido pela Fundação pela Defesa das Democracias, em Washington.
Sobre o trabalho das iraquianas de hoje no Parlamento, não tem dúvidas: ‘somos mais fiáveis do que os homens no Parlamento. Temos melhor assiduidade do que eles, somos mais activas nas nossas comissões e creio que olhamos para as coisas de forma diferente. Como mulheres, temos uma perspectiva diferente quanto àquilo que é a paz ou a segurança’.
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Shatha Al-Obosi, deputada:
Tal como Tanya Gilly, também ela é deputada desde 2006. No Parlamento iraquiano, liderou a Comissão Parlamentar pelos Direitos Humanos – funções que gostaria de continuar a desempenhar no futuro (também por isso se voltou a candidatar nas eleições deste domingo).
O encontro com o SAPO deu-se por um (feliz) acaso: na sala de espera do Hotel Al-Rasheed, em Bagdade. Shatha, ao longe, sorriu ao ver um jornalista ocidental a tentar apresentar-se em árabe. Aproximamo-nos e convidamo-la a responder a duas perguntas. Diz-nos que está à espera de uma família de refugiados, a quem tem dado apoio.
Responde entre sorrisos e mostra-se esperançosa no futuro do seu país: 'Sentimos que a nossa participação é muito importante no novo Iraque democrático, porque 60% da sociedade iraquiana são mulheres. Somos a maioria. E queremos construir o nosso país. Por isso, insistimos subir a quota de 25% de mulheres no Parlamento.’
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Hanaa Edwar, directora da ONG Al-Amal
Conversamos com Hanaa no seu ‘habitat’: a sede da Organização Não-Governamental que lidera: a Associação Al-Amal. Fala apaixonada sobre o seu trabalho, recorda os tempos de velhas batalhas.
Também ela foi uma resistente durante a ditadura de Saddam Hussein – primeiro, a partir do estrangeiro; mais tarde, a partir do Curdistão.
Hoje os tempos são outros, mas as metas desses tempos continuam a ser as mesmas: nos últimos 20 anos, tem trabalho pela promoção das práticas democráticas junto das mulheres. Quer dar-lhes um papel mais activo na reconstrução do Iraque – uma missão que quer levar a cabo a todo o custo: ‘Perdemos pessoas fantásticas’, diz-nos com naturalidade.
Mas será que baixar os braços é uma alternativa? Não para Hanaa.
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