Ninguém sabia o que o Presidente da República ia comunicar. Cavaco Silva abriu os noticiários da noite no dia 31 de Julho para falar aos portugueses sobre o Estatuto Político-Administrativo dos Açores mas, nas horas que antecederam o comunicado, chegou a pensar-se que o Presidente estaria doente ou que iria demitir-se do cargo. A justificação para o comunicado: Portugal assistia a um “precedente muito grave para o equilíbrio dos poderes dos órgãos de soberania".
Cavaco Silva alertou o país para o facto de algumas das normas previstas no diploma poderem pôr em causa a separação de poderes e as competências dos órgãos de soberania. “Trata-se, acima de tudo, da norma relativa à dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores que, inovando em relação ao Estatuto em vigor e em relação ao Estatuto da Madeira, restringe o exercício das competências políticas do Presidente da República”, explicou Cavaco Silva, que considerou que o diferente estatuto colocaria “em causa o equilíbrio e a configuração de poderes do sistema político previsto na Constituição”.
A cooperação institucional que Cavaco Silva afirmava ser essencial ao bom funcionamento do país começou com este comunicado a ser posta em causa e levou a um desenrolar de episódios críticos no que diz respeito ao equilíbrio de poderes. Mas, na recta final do ano, e já depois de ter sido aprovado em Assembleia o novo estatuto dos Açores, o Presidente fez votos para que 2009 seja "um ano de muita tranquilidade institucional".