'É como se nada se passasse'

2010 pode ter sido o ano escolhido pelo Governo para arrancar com o novo acordo ortográfico em Portugal, mas a verdade é que, nas escolas, o assunto parece estar adiado por tempo indeterminado. ‘É como se nada se passasse’, assegura Mário Gonçalves, professor de língua portuguesa na Escola EB2,3 do Cartaxo.

Da parte do Ministério da Educação, ainda não chegou a ‘carta branca’ para pôr em prática as novas regras.

Em Dezembro do ano passado, a ministra Isabel Alçada assegurou apenas que o novo acordo ortográfico avançará nas escolas ‘no início de um novo ano lectivo’, sem contudo assumir qualquer calendário.

Na escola EB2,3 do Cartaxo, onde Mário Gonçalves dá aulas de língua portuguesa, entre brincadeiras e deveres, nenhum aluno se mostrou interessado em saber mais sobre as novas regras, garante o professor. ‘Nem sei se eles têm sequer consciência do assunto’, explicou ao SAPO.

Preparar a chegada do acordo

Entre os professores, há quem já tenha começado a preparar-se para o dia em que o acordo chegar - mas sempre a título pessoal, diz Mário Gonçalves: ‘enquanto professores, não sentimos o empurrão do Ministério para avançar verdadeiramente com as coisas e, por isso, temos avançado de uma forma pessoal’.

E embora admita ser um adepto do novo acordo, este professor de língua portuguesa acredita que poderá ser difícil para muitos portugueses, mais jovens ou mais velhos, pôr em prática as novas regras, porque têm interiorizados ‘certos automatismos’ na sua escrita. Sem complicações, Mário Gonçalves deixa um conselho para facilitar a transição para as novas linhas do português escrito: ‘Não dramatizar, e levar a coisa como um jogo’.

@Texto: Marco Leitão Silva


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