11 setembro: Capela de Saint Paul palco de homenagens e discussões

Nova Iorque, 11 set (Lusa) -- Com o acesso ao World Trade Center e imediações restrito a famílias de vítimas do 11 de setembro, a capela de Saint Paul, em Nova Iorque, foi esta manhã palco de homenagens anónimas, mas também protestos e discussões.

Foi à volta do gradeamento daquela capela que, há 10 anos e durante meses, estiveram as fotos de pessoas desaparecidas, deixadas esperançosamente por familiares, juntamente com os seus nomes, idades e empresa em que trabalhavam.

Muitos desses mesmos nomes foram esta manhã lidos nas cerimónias oficiais do 10º aniversário dos atentados, no World Trade Center, onde estiveram o presidente Barack Obama e o seu antecessor George W. Bush.

Se nas cerimónias Bush foi aplaudido ao subir ao palco e ainda mais ao descer, no passeio da Broadway oposto à entrada de Saint Paul o seu nome estava em muitos dos cartazes empunhados por manifestantes exigindo "investigação" aos atentados do 11 de setembro.

"O regime de Bush engendrou o 11/09", podia ler-se num destes cartazes, a letras pretas sobre fundo laranja. "Tortura é um crime, investiguem Cheney", dizia outro, referindo o ex-vice presidente de Bush.

Por detrás de cerca de uma centena de manifestantes virados para a entrada da capela, um jovem vendado em silêncio segurava um cartaz dizendo "11/09 foi uma montagem".

O mais exaltado do grupo era um jovem chamado Joe Lopez, que segurando um cartaz dizendo "investigação ao 11 de setembro" prometia voltar ali dentro de "20, 30, 40 50 anos".

"Vamos parar de deixar que eles nos digam que o WTC caiu porque um avião o atingiu no topo, quando várias pessoas testemunharam à comissão 11 de setembro que ouviram explosões lá em baixo na cave", gritava Lopez.

Para muitos destes manifestantes, a queda da torre 7 do WTC, que não foi diretamente atingida, é um mistério, e o avião que caiu na Pensilvânia nunca existiu, só uma "cratera".

"Não fazem mais nada a não ser berrar e gritar. Acho que muitos deles nem sequer têm um trabalho", desdenhava um polícia, comentando à Lusa uma pequena altercação entre um grupo que distribuía panfletos e três soldados que passaram fardados.

Do outro lado da rua, o passeio e as escadarias de Saint Paul tornaram-se num local de peregrinação para norte-americanos que desceram hoje a Nova Iorque, muitos deles envergando t-shirts ou bonés com a bandeira norte-americana. Muitos turistas estrangeiros também passavam por ali para tirar fotografias.

Noutra manifestação de patriotismo, cerca de uma dezena de "motards" passavam com grande ruído por aquela zona da Broadway, alguns empunhando a bandeira.

Ali perto ainda era possível ouvir os nomes das vítimas a serem lidos nos locais da cerimónia, graças a uma projeção em ecrã gigante.

Alguns circulavam com mensagens religiosas e distribuindo panfletos com mensagens como "o poder purificador do sangue de Cristo". Numa esquina estava mesmo um coro de cinco jovens, cantando "Deus vai cuidar de ti".

Ao final da manha, o gradeamento de Saint Paul estava repleto de pequenas fitas brancas, dizendo "lembrar o amor". Entre elas, foram espalhados cravos brancos ou vermelhos de papel, por vezes atados em molhos com o vermelho, azul e branco da bandeira americana.

"Somos todos nova-iorquinos", podia ler-se num papel deixado, ao lado de um ramo de rosas vermelhas, na base do gradeamento. No topo, alguém deixou pendurado um capacete de bombeiro, com a bandeira americana pintada na parte de trás e na pala escrito "nunca esquecer".

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