11 setembro: Abigail nasceu a 11 de setembro de 2001

Washington, 11 set (Lusa) -- Abigail tem dez anos e hoje visitou a exposição de objetos do 11 de Setembro num museu de Washington, onde afixou a mensagem mais curta: "Nasci no dia 11 de setembro de 2001".

"Pode mostrar-me?", pergunta Susan Evans, a responsável pela recolha, leitura e encaminhamento das mensagens que os visitantes são convidados a deixar no final da visita. "É interessante. Não vi nenhuma assim até agora".

A maioria dos visitantes que afixam mensagens no quadro, 100 a 150 por dia, escreve vários parágrafos, "volta a contar a sua história" daquele dia. E nenhum, até agora, tinha escrito ter nascido a 11 de setembro de 2001.

A exposição, inaugurada há oito dias e que encerra hoje, reúne mais de 50 objetos recolhidos nos três locais dos atentados: a "zona zero" de Nova Iorque, o Pentágono, em Washington, e Shanksville, na Pensilvania.

Mais de onze mil pessoas visitaram-na até sábado, segundo Laura Duff, do gabinete de imprensa do museu. Entre 800 e 1.200 usaram os pequenos cartões que encontram à saída, em três mesas, onde são convidadas a contar como viveram o 11 de setembro ou como esse dia lhes mudou a vida.

Os cartões são depois afixados num pequeno quadro de cortiça forrado a tecido, de onde vão sendo retirados por funcionários do museu.

No final, vão todos para o arquivo digital do 11 de setembro (www.911digitalarchive.org), onde vão ser digitalizados, analisados e comparados com os que foram recolhidos um ano depois dos ataques, também no âmbito de uma exposição em Washington.

Muitas das mensagens são de jovens, crianças à altura dos ataques.

Como Quinn, filho de dois sobreviventes do Pentágono, que por ser "um miúdo" só percebeu a importância das imagens que via na televisão quando viu os adultos a "chorar convulsivamente".

Ou um anónimo, também filho de um funcionário do Pentágono, que estava com o pai quando ele foi avisado do ataque e não esquece "o medo e a tristeza nos olhos dele".

Mas a maior parte das duas dezenas de cartões afixados hoje durante a primeira hora de visitas é de pessoas que relatam a sua experiência. "Penso que é uma espécie de catarse, dez anos depois. As pessoas querem contar a sua história", diz Susan Evans.

Anthony Hutchinson, militar, aproximou-se do quadro e, enquanto prendia o cartão com um alfinete, contou a sua em voz alta para quem ali estava. "O meu pai ia apanhar um avião em Boston àquela hora. Os telefones não funcionavam, fiquei desesperado. Só hora e meia depois consegui saber que ele estava bem, tinha apanhado um voo mais cedo. Nunca vou esquecer."

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