EUA recordam o dia da tragédia

Numa manhã de sol brilhante e céu azul, tal como há dez anos atrás, Nova Iorque recorda o dia 11 de setembro de 2001.

Na cerimónia que decorre no Ground Zero, todos os nomes das vítimas dos atentados de 11 de setembro são ditos em voz alta, ao som de um violoncelo, lidos por vários familiares que perderam um pai, uma irmã, um filho, naquele dia. Laura Bush, a ex-primeira dama americana, chorou durante a leitura dos nomes dos mortos.

Em pano de fundo, o som da água corrente das duas fontes que dão forma ao Memorial completa a homenagem à memória das quase 3.000 vítimas dos atentados do 11 de setembro de 2001. Uma cerimónia que conta com a presença do presidente Barack Obama e de seu antecessor George W. Bush.

"Deus é o nosso refúgio e a nossa força, uma ajuda muito presente nas dificuldades", afirmou o presidente Obama, durante uma breve introdução, citando um salmo.

Às 08H46 locais, Nova Iorque fez um minuto de silêncio, para marcar o momento exato quando, há 10 anos, o primeiro dos dois aviões sequestrados atingiu uma das torres do World Trade Center, dando início aos ataques do 11 de Setembro.

Outros cinco minutos de silêncio vão marcar o choque do voo 175 da United Airlines contra a Torre Sul, o colapso de cada uma das torres, o momento do ataque ao Pentágono, em Washington, e o momento em que o voo 93 da United Airlines, também sequestrado, caiu em Shanksville.

Milhares de familiares de vítimas rumaram ao local. Vindos de todo o país e até do estrangeiro, começaram a chegar de madrugada ao local das cerimónias, junto ao monumento as vítimas no World Trade Center, hoje inaugurado, rodeado de fortes medidas de segurança e muitas centenas de polícias.

Entre a multidão há ramos de flores, bandeiras americanas, balões em forma de coração ou T-shirts com fotografias dos seus familiares mortos nos atentados contra as Torres Gémeas.

No final da cerimónia, as famílias das vítimas poderão pela primeira vez visitar o Memorial do 11 de Setembro, construído no Ground Zero, que estará aberto ao público a partir de segunda-feira.

Para Obama, 11/9 é o dia em que os Estados Unidos se uniram

Barack Obama costuma pensar no 11 de setembro de 2001 como o dia em que todos os Estados Unidos se uniram para enfrentar um desastre.

"Para mim, como para a maioria de nós, a primeira reação foi e continua sendo a angústia pelas famílias em luto", afirmou Obama ao canal NBC durante uma entrevista em que recordou a sua reação no momento em que tomou conhecimento dos ataques.

"A outra coisa que todos lembramos é como os Estados Unidos se uniram", disse ainda, numa outra entrevista gravada no sábado e exibida este domingo, horas antes da cerimónia de homenagem às vítimas.

"10 anos depois, eu diria que os Estados Unidos atravessaram isso de uma maneira consistente com o nosso caráter", afirmou Obama. "Cometemos erros. Algumas coisas não obtiveram sucesso como se esperava, mas em geral nos apoderamos da batalha contra a Al-Qaeda", acrescentou.

"Preservamos os nossos valores, conservámos o nosso caráter", disse na entrevista que teve lugar na Casa Branca.

No final da cerimónia de Nova Iorque, Obama irá dirigir-se a Washington, ao Pentágono, onde às 15H15 locais (20H15 em Lisboa) participará numa cerimónia, no último local dos atentados.

Às 20H00 (1H00), Obama assiste ao "Concerto pela Esperança", no Kennedy Center de Washington, onde irá discursar.

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