A chegada da comitiva, que incluía o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, ao local para onde a ministra tinha agendado um almoço de trabalho provocou a precipitação entre os lavradores e dirigentes associativos.
Os manifestantes pensaram que Assunção Cristas já não vinha, pelo que gritando "O Douro é nosso" e empunhando dois grandes cartazes, forçando a entrada no Solar do Vinho do Porto.
"Isto é nosso, vamos entrar", gritou um dos lavradores que se encontrava mais exaltado.
Primeiro bateram com força na porta, depois abriram-na e entraram no espaço.
A GNR foi forçada a intervir e, depois de algumas conversações, encaminhou os viticultores à saída do edifício.
Só depois de os ânimos acalmaram é que Assunção Cristas mandou recado a anunciar estar disponível para receber uma delegação de representantes dos lavradores, no hotel onde estava. Os manifestantes acabaram por desmobilizar pouco depois.
Os agricultores queixam-se de uma vindima de dificuldades, agravada pela queda de granizo em maio e julho, que provocou elevados prejuízos em vinha e pomares da região.
À chamada da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO), pouco mais de 20 lavradores juntaram-se na Régua à espera da ministra para alertar para os problemas vividos.
Nos cartazes podia-se ler "Dizemos não às troikas e a estas políticas, exigimos do Governo mais apoios públicos para o Douro", "as vinhas e as aldeias vão arder e o nosso povo vai morrer" e "não à baixa do preço das uvas e do vinho".
Quando começaram a chegar os primeiros carros, os manifestantes deitaram no chão um recipiente cheio de uvas, começaram a pisá-las e a gritar palavras de ordem contra o Governo.
Berta Santos, dirigente da AVIDOURO, referiu que os produtores reclamam medidas concretas de apoio afetados pelas intempéries deste ano, nomeadamente um "apoio financeiro a fundo perdido".
O Governo já anunciou que pretende ajudar os viticultores afetados através da atribuição de apoio financeiro aos agroquímicos, utilizados para o tratamento das videiras após a intempérie.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (MAMAOT), até 16 de agosto declararam prejuízos 256 viticultores, o que corresponde a uma área de 817 hectares espalhados pelos concelhos de Sabrosa, Alijó, Murça, São João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa.