25 de Janeiro de 2012, 16:03

Alternativas ao capitalismo

Precisa mesmo de dinheiro para viver?

Várias pessoas viraram costas ao capitalismo optando por viver com pouco ou nenhum dinheiro. Várias pessoas viraram costas ao capitalismo optando por viver com pouco ou nenhum dinheiro. Imagem: AFP

Adam Smith tinha razão no século XVIII. A "mão invisível" (conceito que teoriza uma metáfora para a combinação dos mercados económicos com o interesse individual) nunca fez tanto sentido nos dias que correm. Só que hoje ela não é invisível. Mercados voláteis, ratings instáveis, corrupção, fraude, lucros desmesurados, ricos, muito ricos, pobres, paupérrimos, desperdício, desemprego e fome.
Se há uma coisa que não resultou no capitalismo foi a busca aguda por lucros. Mas há uma luz ao fundo do túnel, há um conjunto de pessoas que tentam virar costas a isto. A questão é: serão elas mesmo felizes?
Boyle, o homem que vive sem dinheiro

Mark Boyle é o primeiro exemplo. Antigo empresário inglês conseguiu mostrar que é possível viver sem dinheiro, ou pelo menos, com o mínimo possível.
Formado em economia, conseguiu perceber que é de facto muito difícil viver sem dinheiro e, em 99,9% dos casos as pessoas não estão sequer predispostas a isso, disse ao semanário Sol em 2011.
Através da The Freeconomy Comumunity (associação criada pelo próprio) percebe-se que há muita gente a querer mudar de vida: 36.409 pessoas espalhadas por 161 países. Boyle cultiva a sua própria comida, lava a roupa no rio, criou a sua própria energia, e faz ele próprio os seus móveis. Vive numa rulote perto de Bristol, em Inglaterra, desloca-se de bicicleta, e tem um computador alimentado a energia solar.
Defende o regresso à economia de troca e partilha, e considera que o mal-estar social e ambiental vem da falta de ligação das pessoas à produção dos bens que utilizam e consomem. Isto é tudo muito bonito mas várias questões se colocam nas nossas cabeças. E o trabalho? E se eu estiver doente? E a família? E o conforto que o dinheiro nos pode trazer?
Gabriel Leite Mota tem a resposta: economia da felicidade

O primeiro doutorado na matéria em Portugal defende que a felicidade devia estar na base do sistema económico. E a explicação é simples. Medir o índice de desenvolvimento e crescimento de um país apenas pelo Produto Interno Bruto (PIB) é um "paradigma que já está ultrapassado". O Butão já implementou a Felicidade Interna Bruta (FIB) como indicador e o Reino Unido está a ponderar contabilizá-la.
O índice de felicidade mede indicadores nos quais não pensamos muito mas eles estão lá e tiram-nos do sério. A qualidade das instituições, a confiança interpessoal, ou mesmo o nível de trânsito que enfrentamos diariamente.
E então isto ajuda em quê, nesta altura de crise?

Bom, é claro que não podemos esquecer a parte económica, é preciso reativar a economia, tratar o défice e isso só vai lá com dinheiro. Mas podemos, ao mesmo tempo, pensar noutros caminhos a seguir para a produção do bem-estar.
Vejamos o caso português de uma mercearia solidária em Soure, no distrito de Coimbra. A iniciativa pretende criar um sistema financeiro, no qual as pessoas que não tenham acesso a determinados bens os possam ter por troca com outros produtos. As trocas são mediadas por uma moeda social, as "granjas" atribuídas a cada objeto. Cada bem (produto ou serviço) que uma pessoa traga para a comunidade é traduzido num valor de moeda. Com esse valor pode-se "comprar" algo de que necessite, como vestuário ou alimentos.
Com a internet, a informação tornou-se num bem universal e gratuito. Também na internet podemos arranjar alojamentos de férias totalmente grátis ou partilhar carros na deslocação para o trabalho. Mas continuamos a preferir o conforto dos nossos carros, as agências de viagens, a comida embalada e os restaurantes. Antes de pensar em viver sem dinheiro, não será melhor tentar mudar alguns hábitos?

 

Veja mais:

É possível mudar o capitalismo?

Fórum Social Temático arranca em Porto Alegre


Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Comentários

Critério de publicação de comentários

publicidade

publicidade

publicidade