Os brasileiros utilizam uma expressão curiosa no que respeita à empregabilidade. A marca você. Os anos 90, anunciaram a chegada de um profissional desprendido, meio nómada, que mudava de empresa apenas porque procurava novos projetos. Até se despedia para criar o seu próprio negócio. Queria ser patrão de si próprio. Numa década este sentimento mudou. Agora o empreendedorismo é já uma saída para não se ficar desempregado. Se está nesta situação, aproveite para pensar num projeto de vida e criar a sua marca. E no sentido figurado aprenda a vender a sua marca.
O ponto de partida passa por se interrogar a si próprio: quais os seus valores básicos? Quais os seus pontos fortes? O que precisa de melhorar? Que oportunidades pode aproveitar? O que pode ameaçar os seus planos? Quanto do seu tempo é que vive a pensar no passado, a remoer factos antigos? E, desse tempo, quanto dedica a planear o futuro? São muitas perguntas de uma penada só. Porém, ainda falta uma dica importante: seguir o lema dos filósofos da antiguidade clássica. Naquela época planeavam a sua estratégia política pensando da seguinte forma: onde é que estou agora e para onde é que quero ir? E era com base nestas duas premissas que clareavam a visão do seu verdadeiro sonho. Mas atenção: concretizar sonhos, dá muito trabalho.
Tudo isto serve para o fazer pensar se quer continuar a trabalhar por conta de outrem ou arriscar num negócio próprio. Uma vez que são caminhos diferentes. Se deseja ser contratado, está na hora de abrir horizontes e incluir na sua pesquisa de emprego as oportunidades fora de Portugal. Se é recém-licenciado, então porque não ter desde logo uma experiência internacional e valorizar o seu curriculum? Afinal, a crise não durará para sempre e estando empregado é mais fácil arranjar uma nova colocação quando regressar a Portugal. Uma nota importante: a média para reencontrar um novo posto de trabalho ronda, atualmente, oito meses. Pode começar por um emprego sazonal para ver como se sente. Veja as ofertas no site eurosummerjobs, ou então tente um estágio através do site eurocid.pt.
Para os que pretendem (continuar) a procurar um emprego em Portugal, vale a pena uma análise prévia de como o fazer. Primeiro: não vale a pena disparar em todas as direções. Arranjar emprego é um trabalho a tempo inteiro. Exige dedicação. Pode consultar os portais de emprego, caso do SAPO Emprego ou Portal do Emprego e ficar atento aos classificados dos jornais. Outra estratégia é pensar nas empresas onde gostaria de trabalhar. Depois, estude-as ao milímetro e veja para quem é que deveria enviar um curriculum espontâneo. Encontre a pessoa certa. Certa, leu bem. Faça uma carta de apresentação e diga o que essa empresa ganharia em contratá-lo. Utilize sempre pontes fortes e bem fundamentados.
Transforme-se numa verdadeira aranha, ou seja utilize a sua rede de contactos, caso do Facebook, o Linked In, só para citar alguns exemplos. O importante é colocar a rede de contactos a trabalhar na sua nova jornada, ou seja, a ajudá-lo a arranjar um novo emprego. Os seus amigos podem conhecer as chamadas vagas ocultas. Depois, pegue nos seus cartões antigos e fale ainda com os colegas da faculdade. Mais uma vez o importante é dar a conhecer que está no mercado. Pode ainda utilizar as empresas de trabalho temporário, as firmas de recursos humanos e, caso seja um quadro médio ou superior pode ainda recorrer aos head hunters.
Num período de abrandamento económico as vagas são mais limitadas e os candidatos em maior número. Chegou a hora de fazer “job hunting” e, se a Europa, estiver na sua mira, então o portal mais conhecido é o Eures. Aqui poderá encontrar ofertas de 31 países europeus, ou seja aos 27 da União europeia juntam-se a Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suiça. As oportunidades são muitas. Outro portal com oferta de emprego na Europa é o monster.com.
Também pode fazer alguma pesquisa por países. Para Espanha, pode navegar no infojobs.net ou infoempleo.com ou ainda no empleo.universia.es. Se Inglaterra, Gales, Irlanda ou Escócia são destinos onde não se importaria de viver, então visite o TotalJobes.com. Para a Alemanha pode ir a job.de, randstad.de, stepstone.de, www.stellen-online.de ou adecco.de. Se Paris, a cidade da luz o encanta, a oferta é grande. Pode, por exemplo, visitar o portal pole-emploi.fr ou apec.fr. Mas há mais portais a oferecer trabalho por esse mundo fora. É uma questão de fazer uma rigorosa pesquisa num motor de busca.
Agora vamos a aspetos práticos. Atenção que algumas profissões podem pedir certificados ou carteira profissional, informe-se bem, pois pode ter de pedir uma equivalência antes de partir. Pode obter mais informações através do NARIC. Muito importante também antes de aceitar trabalhar no estrangeiro é perceber que este desafio pode não ser para todos. Muitas vezes tem de se fazer aquilo que os outros não querem. Depois terá ainda de se adaptar a uma nova cultura, novos horários, novo clima e fazer novas amizades. Informe-se ainda sobre o custo do alojamento e dos impostos que terá de pagar sobre o salário bruto. Faça contas a ver se lhe compensa. Ter um grau de especialização é meio caminho para conseguir um posto melhor, mas prepare-se para dar o litro. E, quando chegar a um país inscreva-se sempre no consulado português.
Para se informar sobre alguns dados importantes do país para onde deseja ir trabalhar aceda ao site www.secomunidades.pt aqui encontra informações sobre várias entidades, moradas e telefones que lhe podem ser úteis. Se se deparar com dificuldades burocráticas, como o caso de lhe pedirem para pagar impostos a dobrar, contacte o SOLVIT, uma rede de resolução de problemas na qual participam os todos os países da UE. Há um centro SOLVIT em todos os Estados-Membros (assim como na Noruega, na Islândia e no Liechtenstein e é um serviço gratuito.
Quanto à Segurança Social, o cidadão português na Europa está abrangido pelo sistema de segurança social do país de acolhimento. No caso da assistência médica tem de ter o cartão europeu do seguro de doença. Se emigrar para países fora da União Europeia, terá de fazer bem o trabalho de casa para ver como se pode proteger.
Se está a receber prestações de subsídio de desemprego, pode transferi-las para procurar emprego noutro Estado-Membro, durante um período máximo de três meses. Para tal, deve estar registado no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) há pelo menos quatro semanas e comunicar a data de saída do país. Um dado importante: tem apenas sete dias para se inscrever no serviço público de emprego do país de destino. Outro dado a ter em consideração: deverá levar consigo o formulário E303. Pode solicitar este documento no Centro Distrital da Segurança Social, para a exportação dos seus direitos em matéria de prestações de desemprego.