O setor energético foi um dos que mais sofreu com as imposições do memorando da 'troika', uma situação que marca 2011, mas que terá consequências maiores nos próximos anos: a que mais atinge o bolso dos portugueses, a fatura de eletricidade, terá uma subida significativa quando acabarem as tarifas reguladas e, perante uma EDP completamente privada, será difícil a qualquer Governo fazer uma política mais protecionista.
O memorando de entendimento diz que as tarifas reguladas de eletricidade "serão progressivamente eliminadas o mais tardar até 1 de janeiro de 2013", ou seja, serão os novos acionistas (brasileiros, alemães ou chineses) da EDP e as empresas espanholas de energia que irão concorrer entre si pelo cliente e, portanto, a definir os preços.
Perante esta mudança, mais do que nunca, a atuação da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e da Autoridade da Concorrência será fundamental para assegurar o bom funcionamento do mercado.
Mas o setor da energia não sofreu modificações apenas a jusante, também a montante, ou seja, na produção. O cenário de que a energia eólica é altamente compensadora para quem a produz foi alterado.
O novo Governo de Pedro Passos Coelho começou a ficar incomodado com a subsidiação atribuída aos produtores em regime especial, que inclui a energia eólica, cogeração, biomassa, microgeração, e já prometeu que vai mudar as regras.
A 'troika' foi a primeira a dar o toque quando quis que ficasse no memorando a seguinte frase: "assegurar que a redução da dependência energética e a promoção das energias renováveis seja feita de modo a limitar os sobrecustos associados à produção de eletricidade nos regimes ordinário e especial (cogeração e renováveis)".
O que se pretendia dizer era que a subsidiação às energias renováveis tem os seus limites, principalmente quando começam a "incomodar" nos bolsos dos portugueses.
O ano de 2011 ficou também marcado pelos primeiros passos ao nível da exploração de matérias-primas em território nacional.
A Galp, a Petrobras e a Repsol tentam encontrar petróleo e gás natural no alto mar português, uma situação que ainda está longe de se concretizar, enquanto o Governo colocou em marcha um ambicioso plano de atribuir licenças à exploração de minérios, sendo o mais emblemático o investimento da Rio Tinto nos ferros de Moncorvo.
A mobilidade elétrica, um dos porta-estandartes da política de José Sócrates, foi abandonada e também foi abandonado um dos investimentos mais emblemáticos: em fevereiro foi anunciada uma nova fábrica da Nissan para produzir baterias para os carros elétricos, um investimento de 156 milhões de euros, em dezembro foi anunciada a sua suspensão.