25 de Janeiro de 2012, 11:39

Fórum Económico Mundial

É possível mudar o capitalismo?

Estância suíça de Davos recebe Fórum Económico Mundial Estância suíça de Davos recebe Fórum Económico Mundial Imagem: EPA/JEAN-CHRISTOPHE BOTT

A chanceler alemã Angela Merkel faz o discurso inaugural do Fórum Económico Mundial (FEM), colocando a crise na zona euro como um dos temas centrais dos quatro dias de debates.

Mas a máxima desta edição do FEM é "A grande transformação: desenvolver novos modelos". "O capitalismo, na sua forma atual, não se adequa ao mundo à nossa volta”, afirmou o fundador do FEM, Klaus Schwab.

"Fracassamos em aprender as lições da crise financeira de 2009. É preciso uma transformação mundial urgente, que deve ser iniciada com o restabelecimento de uma forma de responsabilidade social", referiu Shwab. 

Será então possível reformar o capitalismo? As respostas vão ser discutidas por mais de 2.600 líderes políticos e económicos, empresários, banqueiros, cientistas, responsáveis de organizações não governamentais (ONG´s) e, até quem sabe, pelos manifestantes do movimento Occupy FEM, que montou acampamento em Davos.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, o diretor da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy e o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, já confirmaram presença no fórum.

Papel dos países emergentes

Para o professor de economia que criou o FEM em 1971 é preciso a colaboração dos países emergentes para executar alterações no sistema económico global.

A este grupo de países emergentes, cujos principais representantes são Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, pede-se que invistam em infraestruturas e em empresas sustentáveis.

Para isso, é preciso um sistema comercial aberto, finanças internacionais mais resistentes, contas públicas sustentáveis, reformas estruturais e redução das desigualdades, afirmam analistas.

Nesse sentido, espera-se que o G20, que reúne as principais economias desenvolvidas e emergentes do planeta, possa apresentar na sua próxima cimeira, em junho no México, um ambicioso plano de ação para a realização das reformas necessárias.

Banqueiros voltam a Davos

As atenções estão agora centradas nos Alpes suíços, na luxuosa estância de Davos, que nesta edição volta a receber banqueiros. Afastados do FEM em 2009 e 2010, foram poucos os banqueiros que marcaram presença no ano passado.

Aqueles que são apontados, muitas vezes, como os principais culpados pela crise financeira dos últimos anos, têm agora a difícil tarefa de debater modelos de transição para o futuro do capitalismo, enquanto alguns continuam a pedir apoio ao Estado.

É o caso do Citigroup, banco norte-americano que solicitou mais ajuda estatal, que está representado em Davos por Vikram Pandit, o director executivo do banco e um dos co-presidentes do Fórum.

O Citigroup encabeça a delegação de grandes bancos, como o Bank of America e o JP Morgan Chas, que vão participar nos debates em Davos.

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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