Esta declaração de Bill Gates surgiu depois de ser questionado se concordava com Obama que, na sexta-feira passada, defendeu o aumento dos impostos para os mais ricos.
“Os EUA têm um enorme défice, por isso os impostos vão ter de aumentar”, começou por dizer o fundador da Microsoft.
“Concordo absolutamente que eles deveriam subir mais para os mais ricos do que para os outros, é uma questão de justiça”, continuou este.
“Espero que consigamos resolver este problema do défice com uma sensação de sacrifício partilhado, onde cada um sinta que está a fazer a sua parte. Neste momento não sinto que as pessoas como eu estejam a pagar os impostos que deveriam”, concluiu, sem rodeios, Bill Gates.
Obama, que já tinha apelado ao aumento dos impostos sobre os milionários, centrou o seu discurso de ontem à noite nas grandes desigualdades sociais que existem nos EUA.
“Precisamos de reformar o nosso código fiscal para que pessoas como eu e muitos membros do Congresso paguem a sua justa fatia de impostos”, disse Obama, alertando para o facto de muitas secretárias de milionários pagarem mais impostos que os próprios patrões.
No ano passado Warren Buffet já tinha abordado esta questão num artigo de opinião escrito para o jornal The New York Times.
Buffet defendia que era preciso aumentar os impostos aos milionários, como ele próprio, porque enquanto os americanos lutam para pagar as suas despesas, os mega ricos continuam com as suas extraordinárias isenções fiscais.
Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro francês, colocou em prática a sugestão de Buffet e, em agosto do ano passado, aumentou os impostos sobre os rendimentos mais elevados, as mais-valias imobiliárias, álcool, tabaco e bebidas açucaradas.
Antes de ser aplicada a medida ela já contava com o apoio de 16 milionários do país, entre eles, Jean-Paul Agon (presidente executivo da L’Oréal), Liliane Bettencourt (accionista da L’Oréal), Denis Hennequin (presidente executivo da Accor) e Philippe Varin (presidente da PSA Peugeot Citroën).
Em Portugal, Cavaco Silva apoiou a ideia da "criação de um imposto extra para todos os portugueses acima de um certo rendimento". No entanto, Américo Amorim, considerado o homem mais rico do país, respondeu à questão dizendo que não se considera um homem rico, mas antes um “trabalhador”.
O lançamento de um imposto agravado sobre as maiores fortunas nacionais não faz parte do acordo assinado com a troika, e também não está previsto no Programa do Governo.